Lorena Kaz fala sobre relações abusivas em história em quadrinhos

"Morrer de Amor e Continuar Vivendo" é o novo livro da designer. Ela também promove oficinas para ajudar mulheres a superar relacionamentos abusivos.

A designer carioca Lorena Kaz tem 34 anos e atua como ilustradora desde os 22. Foi logo depois de se formar, em 2006, que ela começou a criar histórias em quadrinho autobiográficas. “Eu fui morar fora do Brasil, e senti vontade de desenhar as situações engraçadas que me aconteciam”, relembra ela.

Quase dez anos depois, ela está lançando um livro com tirinhas: “Morrer de Amor e Continuar Vivendo“. Se é verdade que o bom-humor de seus primeiros trabalhos continua presente, hoje ela usa esse artifício para falar sobre um assunto muito sério: o perigo de romantizarmos a dependência emocional em relacionamentos amorosos.

A questão surgiu no trabalho pouco tempo depois de ter aparecido na vida pessoal de Lorena. “Eu tenho dependência emocional em um grau meio complicado”, admite. Foi estudando comunicação não-violenta e frequentando grupos como o Mulheres que Amam Demais (MADA) que as coisas começaram a melhorar para ela.

“No MADA eu ouvi histórias de relacionamentos que me deram vários insights“, diz. “Existe dependência emocional de todo o tipo – e há tanto homens quanto mulheres abusivos. Nada é tão simples quanto parece, e, com meu trabalho, pensei que poderia desmistificar isso”.

(Reprodução/Facebook)

O livro “Morrer de Amor e Continuar Vivendo” nasceu em uma página de Facebook – que ainda existe. Por lá, Lorena começou a publicar tirinhas inspirada em histórias que ouvia de amigos ou integrantes dos grupos que frequenta. “Como muitas cidades não tem MADA, pensei em colocar essas histórias na internet para as pessoas poderem ter esses insights também”, explica. “O grupo é baseado em ‘espelhos’ – em compartilhar relatos sem haver julgamento algum – e foi isso que tentei reproduzir. São retratos de situações que acontecem com a gente”.

(Reprodução/Facebook)

O nome do livro e do projeto é inspirado no poeta gaúcho Mario Quintana e tem uma justificativa especial. “Para terminar um relacionamento abusivo ou superar a dependência emocional, é preciso fazer uma grande transformação de si mesmo”, opina a ilustradora. “É como se você realmente morresse – para depois nascer de novo, como uma pessoa mais confiante“.

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O envolvimento e o estudo a respeito destas questões acabaram fazendo com que Lorena também se engajasse de forma mais direta. Em 2016, ela promoveu duas oficinas para mulheres em relacionamentos abusivos, junto da psicóloga e arteterapeuta Angélica Rente. Chamado de “Expressando relacionamentos, roda de partilha e arte“, o encontro pretendia ter efeito terapêutico por meio do diálogo e da criação artística.

(Reprodução/Facebook)

“Hoje eu diria que meu propósito na vida é falar sobre apoio emocional”, admite Lorena. “Na nossa sociedade, a gente começou a valorizar demais o racional, o julgamento – e a emoção ficou meio de lado. Quem sente muito é maluco, por exemplo, e homem não pode chorar. As pessoas têm vergonha de falar que sentem, porque acaba sendo um sinal de ‘fraqueza'”. A artista aponta ainda o fato de os índices de ansiedade e depressão estarem cada vez mais altos no Brasil – e de ainda não falarmos sobre este assunto o suficiente. “Minha ideia é falar de emoção. Quero que as pessoas olhem cada vez mais para os seus sentimentos“.

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