Óleo de cártamo para emagrecer

Óleo de cártamo é a aposta do momento das mulheres em busca de soluções fáceis de emagrecimento

Escrito por

Redação M de Mulher

Atualizado em 21/08/2012 em

Women's Health

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Óleo de cártamo para emagrecer
Carolina Cardoso Edição: MdeMulher

O óleo de cártamo promete emagrecimento
Foto: Reprodução revista Women`s Health

Bonitinha, mas aparentemente ordinária


Um produto totalmente natural que auxilia na queima de gordura, diminui o apetite e combate o colesterol ruim. Com essas promessas tentadoras, o óleo de cártamo, a cápsula mágica do momento, vem ganhando adeptas entre as mulheres que buscam uma silhueta mais enxuta — e quem não busca? Numa pesquisa rápida na internet, encontram-se mais de 600 mil páginas dedicadas à pílula originária das sementes do cártamo, planta natural das regiões áridas da Índia.

A realidade, porém, é que não há estudos ou pesquisas que comprovem sua capacidade emagrecedora. “Uma vez que esse tipo de produto não é vendido como remédio, mas sim como alimento, as empresas se sentem à vontade para atribuir a ele as mais variadas propriedades terapêuticas”, afirma Marcio Mancini, presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Para Mancini, a propaganda enganosa só faz aumentar a frustração e a ansiedade de pessoas que pretendem perder peso.

A estratégia de marketing adotada por empresas que comercializam o suplemento vai contra a determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), onde o óleo de cártamo tem registro obrigatório e é enquadrado na categoria “Novos Alimentos ou Ingredientes”. Segundo o órgão, o produto não pode ser rotulado de propriedade funcional ou emagrecedora. Essa argumentação é considerada infração sanitária, com penalidades que variam de notificações a multas de até 1,5 milhão de reais.

Em março deste ano, a Anvisa determinou a suspensão de todas as propagandas que atribuíssem funções terapêuticas a um suplemento feito à base de óleo de cártamo. A medida está relacionada às peças que conferem ao produto resultados como redução de peso corporal, melhora da definição corporal e diminuição da absorção de gorduras.

Mesmo com a norma do governo, anúncios continuam, de maneira indireta, fazendo promessas de perda de medidas. Em um deles, está o depoimento de uma mãe que diz ter conseguido vestir o mesmo manequim da filha graças ao produto. Nas fotos que compõem as peças, aparecem mulheres com pouca roupa, em uma alusão ao poder emagrecedor do suplemento.

A endocrinologista Vanderli Marchiori, da Associação Paulista de Nutrição, também tem suas restrições em relação à eficácia do óleo de cártamo. “Há algum tempo venho fazendo testes com o produto, da maneira indicada pelos fabricantes, mas até o momento não obtive nenhum dos resultados prometidos”, afirma. Ela teme inclusive que o uso indiscriminado do suplemento acarrete problemas para a saúde do consumidor, assim como aconteceu com o consumo do ácido linoleico conjugado (CLA), que utiliza o óleo de cártamo como matéria-prima em sua produção sintética.

O CLA é substância proibida na área de alimentos da Anvisa por não ser comprovadamente seguro e eficaz. No ano passado, o órgão interditou quatro lotes importados de óleo de cártamo porque se detectou neles a presença de CLA. Para obter registro na Anvisa, as empresas fabricantes do óleo devem apresentar laudo analítico que informe o teor de CLA, comprovando assim que a substância não foi adicionada durante o processamento do óleo.

Suplemento no laboratório

Recentemente, os efeitos do CLA sobre a gordura, os músculos e o sangue foram alvo de um estudo coordenado pela professora Jocelem Mastrodi Salgado, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP). A análise foi realizada com 64 camundongos, divididos em dois grupos — um de praticantes de exercícios e outro de sedentários. Os resultados mostraram que a suplementação de CLA aliada à prática de atividades físicas auxiliou na redução de gordura corporal em ambos os sexos e favoreceu o aumento da massa muscular apenas em fêmeas que praticavam exercícios.

“É preciso estar atento ao fato de não sabermos quais podem ser os efeitos do suplemento em humanos. Apesar da proibição da Anvisa, infelizmente vem crescendo o número de pessoas que utilizam a substância com a intenção de perder peso”, alerta Jocelem. A pesquisadora diz que entre alguns sintomas percebidos nos roedores que utilizaram a substância está o aumento do volume do coração.

Marcio Mancini ressalta a importância de consultar um profi ssional confiável antes de se render às promessas alardeadas por algumas empresas. “O mercado é invadido constantemente por propagandas que iludem os consumidores”, afirma. Estava bom demais para ser verdade, não é?

A Anvisa determinou a suspensão dos anúncios que atribuam ao óleo de cártamo poder de emagrecimento