5 xingamentos machistas que a gente devia parar de usar

Que tal parar de meter a mãe dos outros na briga, por exemplo?

Já reparou que mesmo na hora de ofender um homem, o senso comum acaba ofendendo a mãe dele, por exemplo? Vide o xingamento mais popular do Brasil: “filho da puta”.

Muitas vezes, algumas expressões acabam fazendo parte do nosso vocabulário e a gente nem se dá conta sobre o que elas realmente significam. Mesmo assim, nunca é tarde para rever conceitos, né? Então confira aqui cinco xingamentos que deviam ser abolidos das nossas vidas:

1. Puta e vadia

É bem verdade que, de tão usado, em alguns casos esse xingamento já nem está mais ligado à conotação sexual. É muito diferente dizer “ela é bem vadia, beijou cinco caras na mesma noite” e “você acredita que aquela vadia não me convidou para o aniversário dela?”.

“Puta” e “vadia” muitas vezes podem substituir o “cretina”, por exemplo, o que isenta a raiz da questão: essas palavras ganharam conotação negativa, pois denotam que é errado uma mulher se relacionar com vários homens. É aquela velha história: um cara que pega todas é O CARA, uma mina que pega todos é rechaçada por isso.

2. Mal comida

Pare e pense: se a mulher tem uma vida sexual intensa, vários parceiros, dona de si… ela é puta. E isso é ~muito feio~, segundo o senso comum. Por outro lado, se a mina está irritada e/ou falando o que pensa, sem paciência com desaforo… aí ela é mal comida. Ou seja: deveria estar ~dando mais~. E esse paradoxo é só um dos problemas do famigerado termo “mal comida”.

Mas, talvez, o mais desconcertante seja: por que a ~culpa~ pelo suposto sexo ruim recai só sobre a mulher? Em primeiro lugar, sexo ruim não deveria nem ser usado como pretexto para atacar alguém, mas já que está sendo usado… esse xingamento não deveria recair sobre o homem que está “comendo mal”?

3. Filho da puta

Esse xingamento envolve dois pontos bem problemáticos. Primeiro, porque ele obviamente xinga a mãe da pessoa que você está tentando ofender. Qual o sentido nisso? O que ela tem a ver com a situação?

Em segundo lugar: mais uma vez a ofensa diz respeito à sexualidade da mulher – ou ao fato de ela trabalhar como prostituta, dependendo do ponto de vista. Até quando, minha gente?

4. Corno

Se não xinga a mãe do sujeito, aí xinga a esposa. Parabéns, humanidade!

“Ah, mas, nesse caso, você está dizendo que o cara é tão tosco que a mulher dele tem um amante. Ou seja: o xingamento é totalmente direcionado a ele”, dirão alguns. E a gente volta a repetir: apenas pare de meter as mulheres nos xingamentos. O que elas têm a ver com a situação?

5. Viado

Não precisa nem explicar muito, né? A partir do momento em que a homossexualidade é usada como xingamento, isso é um problema muito claro. E, recentemente, a torcida Paysandu, time de futebol de Belém do Pará, mostrou que é possível evoluir nesse sentido. Em pleno jogo, o pessoal da arquibancada abriu uma bandeira LGBT e depois a torcida lançou um comunicado pedindo desculpas pelas letras homofóbicas que usava para desmoralizar o time adversário.

Essa atitude louvável, vinda do Pará, é a prova de que faz sentido repensar certas expressões e descartá-las, sem perder a esportiva. De uma vez por todas, a gente precisa compreender que palavras não são simplesmente inofensivas. Elas fazem parte de uma construção cultural que, lá na ponta, está gerando discriminação e violência.

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