Que tal ser uma nova mulher?

Pesquisas oferecem esperança a quem não está completamente feliz com a mulher que se tornou. Sim, dá para mudar de personalidade depois de adulta. NOVA ajuda você nessa missão

Escrito por

Redação M de Mulher

Atualizado em 25/06/2012 em

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Que tal ser uma nova mulher?
Reportagem: Elisa Tozzi - Edição: MdeMulher

Deixe o descontentamento com a sua personalidade para trás
Foto: Getty Images

Disciplina positiva

Se você é daquelas que não conseguem terminar o que começam ou nunca ficam satisfeitas com os objetivos que perseguem, pode ser que precise trabalhar sua disciplina. É o caso de Maria Fernanda, 22 anos, estudante de fisioterapia. Com a rotina lotada de atividades, raramente conseguia dar cabo de uma tarefa por completo. "Começava a arrumar minha cama quando lembrava que precisava regar as plantas. Com o regador na mão, via o telefone e resolvia ligar para uma amiga. No fim do dia, não tinha feito nada direito." Qual a saída para ser mais organizada? Impor a si mesma uma lista de prioridades, mesmo que isso pareça fazer você perder tempo. O mesmo vale se tem múltiplos interesses. A tática também é eleger um. Isso mesmo. Dr. Gaudencio explica: "Ao focalizar e escolher, você diz não às outras opções. Quando resolvi ser psiquiatra, desisti de ser gastroenterologista, dermatologista, campeão brasileiro de futebol e especialista em sânscrito. Decidi ser o melhor psiquiatra, e as outras coisas viraram hobby." Não há escolha sem perda e, felizmente, também não há escolha sem ganho!

Timidez na medida

Às vezes não se trata de reformar sua personalidade, e sim de ajustá-la. Por exemplo: uma tímida disposta a desenvolver suas habilidades sociais não vai fugir de situações que a obriguem a interagir com os outros, apesar de ficar tensa. Quem sabe não acaba curtindo a experiência? Já se correr das festas e reuniões, jamais conseguirá melhorar. No caso de Ana Christina, 25 anos, o que ajudou foi o trabalho. Na faculdade, mal conseguia conversar olhando os professores nos olhos. No entanto, quando começou o estágio de enfermagem em um grande hospital, foi obrigada a lidar diariamente com vários desconhecidos. Aos poucos, a necessidade de se relacionar profissionalmente fez a vergonha cair por terra. "Um tímido talvez não se torne extrovertido, mas pode diminuir seu grau de inibição ao trocar de ambiente", diz a psicóloga Lilian Milnitsky Stein, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Dr. Gaudencio vai mais longe: "Eu vejo o tímido como alguém que cobra de si mesmo a perfeição. Toda vez que abre a boca, sonha ser profundo e interessante. Ele provavelmente aprendeu na infância que, para merecer o amor de alguém, precisava ser perfeito." Para sair desse papel, a primeira providência é reconstruir essa história de que só é amado quem é irretocável. "Está aí a chave para resolver o problema." E então vai ficar mais fácil se expor, acredite.

Curiosidade saudável

É fato consumado: a rotina faz parte da nossa vida e, muitas vezes, não conseguimos nos livrar dela. Mas não é por isso que você precisa se tornar prisioneira dos seus hábitos. Ir todos os dias ao mesmo restaurante para pedir o mesmo prato de filé de frango com salada ou tirar férias no mesmo mês e se hospedar na mesma pousada à beira-mar são atitudes que deixam a vida cinza. Da mesma forma que a curiosidade é a mola propulsora do desenvolvimento da ciência, experimentar novidades é indispensável para o seu crescimento pessoal. E a hora é agora. Pesquisadores da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, confirmaram que alguns aspectos da personalidade se transformam naturalmente com o passar do tempo. E tanto homens quanto mulheres passam a ter menos vontade de inovar à medida que envelhecem. Quer fazer um teste para ver se gosta de ousar? Dê uma olhada no seu guarda-roupa. Se só tiver modelitos pretos, cáqui e cinza, tem carta branca para comprar um vestido vermelho arrasador da próxima vez que for ao shopping. É sempre bom dar uma sacudida no feijão com arroz e se abrir para novas possibilidades. Precisa de um empurrãozinho? O psicólogo Ademir Pacelli, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, orienta: "Uma boa alternativa para quem quer mudar esse traço da personalidade é fazer um curso artístico. Desenhar ou atuar ajuda a despertar o olhar para o novo". Outras estratégias que podem dar certo: mudar a cor ou o corte do cabelo, aceitar o convite daquela prima que não vê há tempos para sair...

Insegurança por água abaixo

Antes de se considerar a última das mortais, saiba que até a poderosa Madonna tem seus momentos de pouca confiança em si mesma. Esse é um traço bastante comum, mas que, em algumas mulheres, pode estar mais acentuado, a ponto de atrapalhar a vida. Acontecia com Laura, 27 anos, uma designer freelancer. Quando tinha 24, ela não conseguia se livrar de um namoro tóxico, que só fazia mal. Parou para pensar e se viu metida em uma roubada: tinha mais medo de ficar sozinha do que ao lado de um homem que a maltratava. "Minha autoestima não era lá muito boa, mas nunca imaginei que pudesse ser um problema tão grande. Vejo que foi por isso que sempre emendei um relacionamento no outro desde os 16 anos." Consciente de que jamais faria boas escolhas caso não aprendesse a ser mais independente, Laura resolveu ficar um tempo sozinha. Alugou um apartamento e passou muitas noites consigo mesma no sofá até se sentir confortável na própria companhia. "Só depois de três anos fui capaz de enxergar um rapaz como um companheiro, e não como alguém para me agarrar." Para seguir os passos de Laura, um bom começo é procurar apoio em quem gosta de você - família e amigos estão aí para isso. "Quem é inseguro precisa se sentir amparado para começar a conseguir mudar", explica o psicólogo carioca Ademir Pacelli.

Nada de falsos amigos

Não há nada de errado em ter milhares de fãs no Orkut, seguidores no Twitter e uma agenda do celular lotadíssima. No entanto, se nessa lista enorme você não conseguir encontrar um ombro verdadeiro, é bom parar para pensar. "Eu nunca tive problemas para arranjar companhia para a balada", conta Fernanda, 26 anos. "Estava sempre rodeada de gente. Mas descobri que ninguém se importava comigo quando perdi o emprego e tive que maneirar nas saídas. Todas as minhas agora ex-amigas fugiram de mim." Um bom começo para superar o trauma é parar para refletir: você se cerca de pessoas por adorar o agito ou por detestar ficar sozinha? Se escolher a segunda opção, cuidado. Pode ser sinal de baixa autoestima. O psicólogo Ademir Pacelli vai além: "Geralmente moldamos nossa personalidade com base em características e modelos que consideramos ideais". O problema é que nem sempre eles têm a ver com você. Que tal gastar algumas horas pensando no que realmente quer? Para se tornar única e interessante, melhor investigar seu próprio cofre secreto em vez de ceder à tentação de criar uma personalidade falsa baseada em traços daqueles que você admira!