Papel do pai: qual é a importância da figura masculina para as crianças

Mesmo que você seja uma ótima mãe, a figura masculina é imprescindível para garantir a autoconfiança e o desenvolvimento social dos pequenos. Veja como manter o pai por perto.

Foto: Getty Images

A conexão entre mãe e filho durante a gestação e amamentação transforma a mulher em um porto seguro. “A figura masculina, em contrapartida, provoca uma ruptura nesse relacionamento, e isso não é nada ruim”, afirma a psicóloga Melina Blanco Amarins (SP). O pai é a primeira pessoa que mostra à criança que ela pode confiar em mais alguém, além da mãe. Assim, a relação de total dependência materna é amenizada e os pequenos começam a encarar o mundo e a se entrosar na sociedade. “A forma como a criança percebe a família nos primeiros anos de vida é simples: a mãe representa o conforto e o cuidado e o pai, as leis e a castração”, explica a psicóloga Márcia Stanzione (RJ). É o convívio com essa autoridade que faz o pequeno perceber os seus limites. Mas isso não quer dizer não dar carinho nem proteção. Pelo contrário! Quanto mais presente for a figura paterna, mais seguro o filho vai se sentir.

Pai ausente

Quando o convívio com um homem não acontece, largar a barra da saia da mãe pode se tornar uma tarefa difícil. “Cada criança reagirá de um modo diferente, no entanto é comum identificar traços de introspecção e dependência naquelas que não tiveram um modelo masculino”, diz Melina. A tendência é a filha ou o filho se tornarem mais fechados e medrosos. Isso também reflete na adolescência e na vida adulta. Muitas vezes intempestivos, os jovens, além de buscar o acolhimento materno, desejam se deparar com os limites impostos pelo pai, que os direciona e ajuda a formar valores.

Atitude masculina

No caso dos meninos, a presença do homem é ainda mais fundamental. “O ser humano precisa de alguém para se espelhar e, no caso dos garotos, a figura masculina mostra que a mãe não é a única referência”, explica o psicanalista Paulo Giraldes (SP). O homem contribui para a introdução da criança no mundo das diferenças, nos âmbitos social e sexual, o que favorece a construção de relacionamentos e a confiança nos outros.

Família moderna

Nem sempre pai e mãe criam juntos os filhos. O importante é fazer a criança se sentir segura nas mais variadas situações

1. Em caso de morte, mudança de cidade, adoção independente ou qualquer situação em que o convívio com o pai não é possível, a mãe não pode ceder demais e tentar compensar essa ausência. É preciso fazer o papel de pai e mãe. Dar carinho ao mesmo tempo que estabelece limites.

2. Na ausência do pai, é saudável que as crianças adotem outro modelo masculino. Pode ser o avô, o tio, o irmão, o padrinho, um amigo chegado… No entanto, deixe claro para o seu filho quem é essa pessoa na dinâmica familiar para evitar confusões na cabeça do pequeno.

3. Quando o casamento acaba, o pai deve continuar presente na rotina do filho. Lembre-se que não ter sido a pessoa certa para você não significa que ele não é essencial para a criança. O afastamento gera dificuldades para se relacionar em sociedade.

Empurrãozinho de mãe

Dicas práticas que vão ajudar você a harmonizar a relação entre pai e filho

Dê espaço

É importante permitir que a figura masculina participe da rotina, assumindo tarefas, como ninar, contar histórias, passear, buscar na escola…

Conceda poder de decisão

Não é só a mãe que sabe o que é melhor para a criança. O homem da casa também deve colaborar nas escolhas.

Tenha pulso firme

Não vale deixar o pai bancar o chato enquanto você oferece colo. Mãe também dá bronca.

Confie

Quando o pai leva a criança para passear, evite ficar ligando a toda hora para checar se está tudo bem. Já que você liberou, precisa mesmo confiar, ok?

Delegue

Peça para o pai dar colo e mamadeira, trocar as fraldas… Cuidados que envolvem contato físico criam laços. Aproveite a participação dele para retomar a sua vida de mulher. Faça as unhas, vá ao cinema, reúna as amigas!
 

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