Hugh Jackman: “Não quero andar com seguranças”

Hugh Jackman, que interpreta um pai desesperado pelo sumiço da filha, tenta dar à família uma vida normal

Parece um complô daqueles de filme de Hollywood: só se fala bem de Hugh Jackman. Mas basta estar com o australiano de 45 anos por cinco minutos para entender tudo e se derreter com tanta simpatia. Não é à toa que todo mundo quer trabalhar com ele. No prazo de um ano, lançou quatro produções: o musical Os Miseráveis (pelo qual concorreu ao primeiro Oscar), o longa de ação Wolverine – Imortal (a sexta vez que encarnou o mutante), a comédia nonsense Para Maiores e, agora, o thriller dramático Os Suspeitos, de Denis Villeneuve, que levanta zum-zum-zum de nova indicação ao Oscar. Jackman é Keller Dover, que resolve tomar uma atitude (condenável) quando sua filha de 6 anos desaparece. É um personagem complexo e difícil de gostar, bem diferente de seus outros papéis.

Entre tantos projetos, Hugh ainda arruma tempo, disposição e bom humor para recolher dois prêmios pelo conjunto da carreira, no fim de setembro: num dia, em San Sebastián e no outro, em Zurique. “Sinto pela minha família, porque, quando chegar em casa, se eles não tiverem um troféu para mim, vou embora!”, brincou numa entrevista animada durante o Festival de Zurique. A família, no caso, é Deborra-Lee Furness, 57, e os dois filhos adotivos do casal, Oscar Maximillian, 13, e Ava Eliot, 8. “Estou tirando férias, Deborra-Lee, eu juro!”, disse, depois de ouvir enumerados todos os seus projetos futuros. Jackman bateu um papo com a CONTIGO! sobre família, filhos e seu papel em Os Suspeitos.

Acha que ser pai ajudou a interpretar o papel de Keller Dover?
Sim. Me ajudou a ser mais profundo. Arrogantemente, como ator, sempre acho que posso interpretar qualquer coisa. Mas só de ler o roteiro já senti um embrulho no estômago.

Seus filhos viram Os Suspeitos?
Não. Claro que existem crianças bem maduras, mas acho que é um filme adulto. Para uma criança pode ser muito perturbador ter tantas zonas de cinza. Acho importante que as crianças saibam o que fazer para evitar um rapto, por exemplo. Mas o filme não tem heróis claros, pode ser muito confuso para uma criança.

Qual a maior atitude que teve de tomar para proteger sua família?
Eu tento viver minha vida da forma mais normal possível. As pessoas sabem sobre minha vida, há os paparazzi, mas só quero que meus filhos tenham a chance de ter uma vida normal. Não quero que sejam paranoicos quando saem na rua. Então essa é minha filosofia básica. Não quero andar por aí com seguranças. Há algumas situações em que prefiro que eles não participem, porque pode chateá-los ou ser perigoso. Sou realista, entendo que há situações em que você precisa tomar cuidado. Eu converso sobre isso com minha mulher o tempo todo. Tento ser tão normal quanto possível e, se não for possível, simplesmente não levo meus filhos.

Seu filho se chama Oscar por causa do Oscar?
Não (risos)! Minha mulher tinha nomes exóticos em mente, e eu não queria que ele fosse zoado na escola. Me enchiam, porque eu era Hugh! Mas hoje ter um nome como John ou Peter é chato, todo o mundo é Balthazar, Talullah, Apple. Então tínhamos ideias muito diferentes de nomes, e o único que concordamos foi esse.

Em uma cena, seu personagem diz para o detetive que o mais doloroso é saber que sua filha está esperando o papai vir resgatá-la. Fiquei pensando se para fazer essa cena você foi buscar a emoção naquilo que passou em sua infância.
Ah, você pensou nisso porque minha mãe me abandonou… Não foi isso. Tive acesso a casos verdadeiros. E um pai que teve a filha de 5 anos raptada disse que a coisa mais enlouquecedora é pensar que ela está esperando o pai salvá-la, não a polícia. Eu chorava de ler essas coisas. E como pai me identifico totalmente com isso.

Hugh Jackman: "Não quero andar com seguranças"

Ficou preocupado com as notícias de quanto ia ganhar pelo próximo filme Wolverine? (O valor especulado era de 100 milhões de dólares.)
Claro! Porque é mentira. E o imposto de renda vem atrás de mim! Todo ano agora é isso. Eles sempre erram em quanto a gente ganha.

Você diz não ser materialista, mas tem muito dinheiro obviamente. O que vai fazer com ele?
Eu sou casado, você sabe (risos)? Minha mulher me ensinou muito sobre isso, porque, quando a gente se conheceu, eu não tinha dinheiro, trabalhava no Royal National Theatre, ganhando 375 libras por semana (cerca de 1,3 mil reais nos valores atuais). E éramos tão felizes quanto somos hoje. O dinheiro não traz felicidade, e eu sei disso. Muitas vezes, eu me sinto envergonhado de ter tanto dinheiro, outras vezes sinto um peso. E tenho de criar filhos em meio a tudo isso. Mas minha mulher diz que tenho a energia errada em relação ao dinheiro, e que dinheiro é energia. Você usa, dá, é uma coisa positiva. Ela sempre me diz que não deveria me sentir embaraçado, que as coisas acontecem por alguma razão e que é para eu usar com sabedoria.

ESTA ENTREVISTA FAZ PARTE DA EDIÇÃO 1989 DA REVISTA CONTIGO!, NAS BANCAS EM 30/10/2013.

Fotos: Getty Images e Divulgação

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