Maria Melilo fala da luta contra o câncer: “Sou guerreira”

Em dez horas de cirurgia, ela retirou 70% do fígado

A atriz no quarto do hospital. A operação durou dez horas
Foto: Amauri Nehn / Photo Rionews

Quando conquistou o prêmio de 1,5 milhão de reais na 11a edição do Big Brother Brasil em 2011 com quase 22 milhões de votos, Maria Melilo, 29 anos, não imaginava que fosse começar outra batalha: a luta pela vida. Em meio ao sucesso instantâneo, capas de revista e participações em programas televisivos, a modelo e atriz descobriu um grave câncer no fígado. Na época, ela preferiu discrição e iniciou o tratamento em silêncio.

“Quando recebi a notícia, fiquei chocada, pois tinha 27 anos e ainda estava extasiada com o prêmio”, conta Maria, em entrevista à CONTIGO!. A ex-BBB foi internada no domingo (3) no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e na manhã seguinte, segunda-feira (4) realizou uma cirurgia delicada para a retirada de nódulos e 70% do fígado. Foram dez horas na mesa de operação e cinco dias internada.

Segundo os médicos Frederico Costa e Marcel Autran Cesar Machado, que cuidam do caso, Maria tem uma neoplasia hepática rara. Um dos fatores que podem ter contribuído para o aparecimento do câncer é o uso de anabolizantes. Maria utilizou a substância durante sete anos para conseguir um corpo definido. “Se pudesse voltar atrás, não usaria de jeito algum”, desabafa ela, que recebeu alta na sexta-feira (8) e recupera-se em casa, na capital paulista, na companhia do noivo, Serginho Moraes, 31, lutador de UFC, da mãe, Alícia Inês Jurado, 63, e da prima Giovanna Cinacchi, 29. Por enquanto, nada de planos para o futuro. Maria, que fez parte do Casseta & Planeta Vai Fundo, em 2012, e hoje não possui mais contrato com a Globo, só pensa em sua recuperação.

Como você está se sentindo após a cirurgia?
Estou cada vez melhor. Eu sou guerreira, tenho enfrentado tudo com muita fé e coragem.

Você faz tratamento desde 2011. Como recebeu a notícia da doença na época?
Quando recebi a notícia, fiquei chocada, pois tinha 27 anos e ainda estava extasiada com o prêmio do BBB. Apesar do choque inicial, tratei tudo com naturalidade e força. Sou favorável à terapia, mas não senti necessidade de fazer, porque, a meu lado, tenho pessoas que eu amo e que me amam, além de Deus, que está sempre olhando por mim. Isso foi suficiente para me impedir de pirar.

Maria Melilo fala da luta contra o câncer: "Sou guerreira"

Maria Melilo recebe alta na manhã de sexta-feira (8) no Hospital Sírio-Libanês em São Paulo. Ela ganhou presentes do namorado e de fãs enquanto esteve internada
Foto: Amauri Nehn / Photo Rionews
 

Quais eram os sintomas que sentia?
Sentia algumas pontadas na região do fígado, mas não precisei fazer quimioterapia. Ela não funciona para meu tipo de câncer.

Na edição do BBB você revelou ter usado anabolizantes. Acha que pode ter prejudicado sua saúde?
Apesar de não podermos afirmar com certeza, o uso de anabolizantes pode ter causado agravamento da doença. Se pudesse voltar atrás, não usaria de jeito algum. Não recomendo a ninguém o uso desse tipo de substância. Mesmo que demore um pouco mais de tempo, podemos conseguir o corpo desejado com uma dieta balanceada e a prática de esportes, tudo isso com saúde.

Você demorou dois anos para falar publicamente sobre a doença. Por quê?
Porque estava fazendo exames e não sabia ao certo o que tinha. Estávamos avaliando ainda meu caso. Além disso, não queria preocupar a todos com algo que nem eu mesma tinha certeza.

Qual foi o pior momento que passou?
O pior momento foi quando eu descobri a doença, pois foi um choque. Mas jamais pensei em desistir. Minha força veio de vários lugares: de meus amigos, família e fãs e, principalmente, da minha fé em Deus.

Você retirou 70% do fígado em uma cirurgia que durou dez horas. Por que só operou agora?
O tumor se desenvolveu e seu tamanho aumentou. Então o médico achou que era o momento de operar.

Como será seu tratamento após a cirurgia?
Manterei a dieta alimentar que já faço e não há restrições. Levarei uma vida normal. Apenas terei de fazer o acompanhamento, realizando exames no fígado de tempos em tempos.

O que leva de lição depois de toda essa tempestade?
Com certeza esta fase da minha vida está me fazendo repensar tudo. Tenho passado a me importar mais com os problemas das pessoas. Agora consigo valorizar mais os momentos especiais que passamos com as pessoas que amamos.

Você ganhou uma nova chance de viver. Quais são seus planos?
Não estou fazendo planos. No momento, só quero me recuperar plenamente e ser muito feliz.

Dia 22 você completa 30 anos. Já ganhou presente?
Com certeza! Minha total recuperação será meu maior presente. Além disso, desejo tudo de melhor para todos aqueles que enviaram mensagens de apoio e energias positivas para mim.

Maria Melilo fala da luta contra o câncer: "Sou guerreira"

Após a cirurgia, Maria recebe o carinho do noivo, o lutador do UFC Serginho Moraes
Foto: Reprodução/Instagram

Entenda a doença de Maria

O câncer de Maria é raro e chamado de hemangioendotelioma epitelioide hepático, o HEH. São nódulos que crescem dentro das veias e artérias do fígado. Atinge uma em cada 1 milhão de pessoas. Segundo Ricardo Caponero, 53 anos, oncologista e consultor científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, o câncer no fígado costuma ser silencioso e as lesões iniciais não produzem sintomas. “Somente quando o tumor cresce rápido, ele distende a cápsula do fígado e causa dor”, explica. Os principais fatores de risco para contrair a doença são as hepatites B e C. “No caso da Maria, ela confessou ter usado anabolizantes por um tempo. O uso excessivo da substância pode, sim, aumentar a chance de ter um câncer”, diz.

Para combater o tumor, Maria realizava há dois anos tratamento com remédios e descartou a quimioterapia. “As taxas de resposta à quimio costumam ser muito baixas. Durante algum tempo utilizamos interferon, mas os resultados também eram precários. Há três anos uma nova medicação, denominada Sorafenibe, tornou-se o tratamento-padrão para a doença”, fala. O remédio é por via oral e dirigido a enzimas que bloqueiam os processos de multiplicação celular. “Ele faz com que o tumor regrida, mas não é um tratamento curativo”, afirma.

O câncer de Maria, entretanto, não diminuiu e foi preciso fazer a operação e retirar 70% do fígado. “A regeneração do órgão é progressiva, mas nunca chega a ser total. Normalmente o fígado aumenta de volume e melhora sua função ao longo de dois anos. A vida volta ao normal com restrições ao uso de substâncias que agridam o fígado, como alguns medicamentos, anabolizantes e bebidas alcoólicas”, explica. Para acompanhar se o câncer não voltará, o ideal é realizar ultrassonografia intercalada com exames de ressonância.

ESTA ENTREVISTA FAZ PARTE DA EDIÇÃO 1991 DA CONTIGO!, NAS BANCAS EM 13/11/2013.

Maria Melilo fala da luta contra o câncer: "Sou guerreira"

Maria revelou ter usado anabolizantes durante sete anos para conseguir um corpo definido
Foto: Márcia Fasoli

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