Milhem Cortaz rouba a cena na minissérie Sansão e Dalila
Bruno Dias

Milhem encara como um desafio interpretar o comandante Abbas
Foto: Divulgação - Rede Record

Em 2010, Milhem Cortaz voltou a encarnar um de seus papéis mais marcantes no cinema, o do corrupto coronel Fábio, em Tropa de Elite 2. Já neste ano, o ator enfrenta um desafio mais complicado: interpretar o grande vilão de Sansão e Dalila, da Record.

Para dar vida ao temido comandante Abbas, Milhem se entrega de corpo e alma ao novo trabalho. Com ele, não existe essa história de "deixar" o personagem no estúdio. "Eu vivencio o personagem. Levo comigo. Pego esse tom dele e transfiro para a minha vida como um exercício", revela o paulistano, de 38 anos, entusiasmado com o desafio.

O ator, que possui 20 anos de carreira, incluindo uma passagem pela companhia do famoso Piccolo Teatro de Milão, na Itália, tem roubado todas as cenas em Sansão e Dalila. Confira a entrevista: 


O que mais o atraiu nesse projeto?
Entrei ressabiado nesse trabalho, mas agora posso dizer que é o meu melhor papel na TV. Fiquei propenso a fazer esse projeto por causa de duas pessoas: o João Camargo (diretor da minissérie), que é fantástico, e o Pavão (Fernando, que vive o protagonista). Eu vi a transição do Fernando do cenário musical para a telinha. Vi que ele queria fazer parte da dramaturgia brasileira. Estou aqui para ele brilhar. É o momento dele.

Como você descreve o Abbas?
Ele é o mal em pessoa. É um guerreiro cruel e sanguinário. Abbas acredita que o mundo seria bem melhor sem os hebreus.

E como será a relação do comandante com o Sansão e a Dalila?
Ele fica fascinado com a beleza da Dalila e passa a ter uma obsessão por ela. Contudo, o auge da fúria dele está no embate com Sansão. A fé do Abbas ficará abalada. Ele não compreende como o Deus do Sansão lhe dá tamanha força e o dele, não. Isso vai mexer muito com ele.

É seu personagem mais complexo?
Acredito que não. Já tive papéis mais complicados, mas posso dizer que esse tem algo diferente dos outros. Abbas não tem senso de humanidade. Sempre busco justificativas humanas para entender as ações dos meus personagens, mas, desta vez, percebi que elas não existem. É o ponto forte desse papel. Por isso, acredito que o Abbas se destaca dos outros personagens que eu fiz.

Você consegue não se contaminar pelas maldades do vilão?
É muito pesado o que ele faz. Acabo carregando-o para casa. Eu levo comigo, vivencio ao máximo o personagem. É um exercício. Nesse caso, fiquei mais arrogante. Às vezes, olhava para alguém de um jeito até perverso, ficava meio grosso com as pessoas. É um trabalho de entrega muito grande, complexo...

Como foi sua preparação?
Fiz aulas de história para aprender sobre a época. Foi um trabalho de preparação física também. Minha maior preocupação foi construir o lado psicológico do papel. Abbas é muito intuitivo.

Como lida com o assédio do público diante do fenômeno Tropa de Elite 2?
Eu já tenho muitos anos de carreira. Participei de uma das maiores companhias de teatro do mundo. Já fiz diversos personagens. Eu não vejo o sucesso assim. O público me trata diferente. Esse reconhecimento do filme é completamente diferente do proporcionado pela televisão. Não entro na casa das pessoas... Elas é que pagam para me ver na tela grande. Acho que isso traz outro tratamento. Uma abordagem bem diferente.

Você foi fotografado beijando Ana Lima (que faz a Lenita de Araguaia). Esse tipo de assédio o incomoda muito?
Eu não ligo para esse tipo de fama. Não saio pensando se alguém vai me filmar ou me fotografar. Vou viver a minha vida. Não me preocupo com isso. Tenho um recado para os paparazzi. Eles nunca vão ter uma boa fotografia minha (risos). Eu não saio para fazer pose. É isso! Compreendo que cada um tem o seu trabalho. Mas é isso, é difícil ter uma boa foto minha (risos).

Qual é a sua expectativa com relação à exibição da minissérie?
Eu fiz esse trabalho com muito tesão. A minissérie está ficando impecável. É uma linda história, que eu acho que vai emocionar a todos, independente da religião. Em 2011, espero continuar fazendo personagens tão instigantes como tive oportunidade de fazer no ano que passou.

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