As pérolas fascinam pela raridade - se deixadas aos caprichos da natureza, de cada três toneladas de ostras, saem apenas três ou quatro gemas. Isso porque a pérola é uma espécie de cicatriz da concha. Cada vez que o molusco que ali habita é invadido por um corpo estranho, ele secreta o nácar, substância que, depositada sobre o invasor, cristaliza-se rapidamente, neutralizando o agressor. Com o tempo, as camadas de nácar se sobrepõem umas às outras, dando origem às preciosas bolinhas. As perfeitamente esféricas, consideradas as mais valiosas, só se formam quando o intruso é totalmente recoberto, o que faz com que a secreção seja distribuída de maneira uniforme, o que é uma raridade. Na imagem acima, abotoaduras de pérolas da Tiffany
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Diferentemente das pedras preciosas, a pérola é perfeita "au naturel". Não é preciso lapidá-la ou esculpi-la para utilizar na joalheria. Na imagem acima, brinco de pérolas de Izabel Esteves
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Hoje, as pérolas naturais representam menos de 3% da produção mundial. As demais são cultivadas em formas e tamanhos variados. O primeiro registro da tentativa de criar uma pérola artificial foi do biólogo sueco Carl von Linné, em 1761. A ideia era simular o processo de intrusão do corpo estranho na ostra - e funcionou. O sucesso do experimento lhe valeu um título de nobreza, mas foram necessários alguns séculos para que o processo se tornasse uma praxe. No começo do século 20, o japonês Kokichi Mikimoto patenteou o método mais difundido, em que são introduzidas sementes de diversas origens no molusco, que se encarrega de cobri-las com camadas sucessivas de nácar. Na imagem acima, a estilista Carolina Herrera, fã das pérolas
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As pérolas cultivadas provocaram uma reviravolta no sistema de avaliação. Em uma história lendária, conta-se que Pierre Cartier comprou a mansão que hoje abriga a sede da joalheria homônima na Quinta Avenida, em Nova York, com um colar de duas voltas de pérolas naturais. O que em 1917 valia US$ 1 milhão 40 anos mais tarde foi vendido por US$ 151 mil dólares. Na imagem acima, Amber Valletta usa colar de pérolas da grife Cartier
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O duque Dmitri Pavlovich, descendente do império dos Romanov, mudou por acaso o rumo da história das pérolas no início da década de 1920. Para impressionar a amante, 11 anos mais velha, presenteou-a com uma joia de família - um colar de pérolas de seis voltas. O nome da eleita: Coco Chanel (na imagem acima). A partir daí, as gemas ganharam a conotação de acessório fashion
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Hoje as pérolas da maison transitam por duas vertentes, igualmente importantes: os colares da linha fashion, com contas delicadamente moldadas a mão por experts na arte das bijoux, e as pérolas de fato, que acompanham diamantes e outras pedras preciosas na alta joalheria. Na coleção de verão 2012 (na imagem acima), inspirada no fundo do mar, Karl Lagerfeld trouxe versões renovadas em arranjos de cabelo, além do icônico colar
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Graças a Chanel, as longas voltas de pérolas caíram no gosto da bailarina Josephine Baker (na imagem acima), contemporânea da estilista, que provocou rebuliço ao adotar um colar como único figurino de seus shows
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Depois, foi a vez de as estrelas de Hollywood se renderem ao poder das pérolas. Marilyn Monroe (na imagem acima) garantiu o aval do star system para a versão cultivada de Mikimoto ao desfilar uma sexy gargantilha, que ganhara de presente do marido, Joe Di Maggio
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Em um dos figurinos mais cultuados da história do cinema, Hubert de Givenchy vestiu Holly Golightly (na imagem acima), personagem de Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo, com um longo preto e poderosas voltas de pérolas
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Senhora de alguma das melhores joias dos red carpets, Liz Taylor (na imagem acima) tinha particular afeição por La Peregrina, pérola do século 16 que coroava o colar Cartier, presente de Richard Burton, com quem se casou duas vezes. Em 2011, com a morte da atriz, a joia alcançou a incrível marca de US$ 11,5 milhões em um leilão
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Também chamada de pérola japonesa, a akoya é menor, com diâmetro entre 2 e 9,5 mm, e nasce nos mares do Sudeste Asiático - Japão, Coreia e China. As cores variam do branco ao rosa, passando por nuances prateadas
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Conhecida como biwa porque nos anos 1950 foi cultivada no lago homônimo no Japão, é encontrada em moluscos de lagos e lagoas. De forma irregular, é menor e menos valiosa, porém tende a ser mais durável. Na imagem acima, colar de pérola doce da Francesca Romana Diana
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Totalmente composto de nácar, esse tipo de pérola não tem núcleo, ou seja, se forma quando o molusco expele o corpo estranho. Menores e menos valiosas, as keshis são consideradas um subproduto das pérolas de cultivo, mas chamam a atenção pelo brilho. Na imagem acima, pulseira de pérolas keshi da grife Chloé
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É a maior e mais rara, com gemas que podem chegar a 20 mm de diâmetro. As south seas foram uma febre nos anos 1990, mas acabaram perdendo espaço para as chinesas, mais baratas e fáceis de serem encontradas. Cultivadas nas costas de corais da Austrália, de Myanmar, do Taiti e das Filipinas, podem ser brancas, negras ou douradas. A negra é chamada de "pérola do Taiti" e pode ter um tom cinza-claro ou exibir um arco-íris de cores
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Atualizado em Por Reportagem: ELLE - Edição: Carol Hungria