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E solte o gogó

Num karaokê, você canta, paga mico e fica feliz

por Alessando Meiguins

Há quem, ao cantar no salão, se sinta tão à vontade quanto no chuveiro de casa. Por outro lado, alguns morrem de medo e se encolhem agarrados ao microfone. A maioria, claro, desafina. Mas isso não importa. Em um karaokê, o espaço para a vergonha termina no hall de entrada. Mesmo os mais recatados se empolgam ao perceber que estão em um território onde toda voz e toda música são bem-vindas. Ouve-se de tudo: Madonna, Benito di Paula, Supla, Blitz, Alcione, Clara Nunes, Abba, Belchior, sem falar nas melodias japonesas. Com amigos, arrisquei As Curvas da Estrada de Santos, do rei Roberto Carlos. Da vergonha inicial até as inúmeras risadas ao final, cantar em um karaokê tem gosto de liberdade. Aqui me sinto fora do mundo real. Por instantes, até acredito que sou uma cantora famosa, diz a estudante Maria Cervantes. Quem inventou essa história foi o cantor japonês Daisuke Inoue, que nos anos 70 bolou uma máquina que tocava uma versão dos seus sucessos sem a voz. Daí, era só acompanhar ao microfone. Hoje a moda está em DVDs, programas para computador e, no Japão, até em celulares. O nome karaokê, aliás, tem um significado sugestivo: orquestra vazia. Para você subir no palco e preenchê-lo com artistas, músicas, lembranças, emoções o que você quiser.
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