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Monte Fuji

A maior montanha do Japão domina a paisagem e os corações japoneses. Estar com ela, em seu cume, é um desafio sagrado que todos devem enfrentar ao menos uma vez na vida

por Alexandre da Costa

monti_fuji_01.jpg|A primeira visão causa euforia. Com 3.776 metros, o monte Fuji está longe de ser a maior montanha do mundo. Mas sua importância não se mede em números, e sim pela devoção que lhe rendem os japoneses. Segundo o xintoísmo, tradição religiosa que nasceu na ilha e lá resiste, o Fuji, cujo nome quer dizer “incomparável”, é morada dos deuses. E, até o início do século 19, as divindades só recebiam seus interlocutores mais próximos: o lugar só podia ser freqüentado por monges, que subiam sua encosta íngreme em busca de inspiração e purificação. Nos últimos 100 anos, o mundo mudou muito. O Japão, ainda mais. Hoje, 300 mil pessoas sobem ao cume nos 90 dias do ano (julho, agosto e setembro) em que o calor convida a neve a se retirar das trilhas. A tecnologia que dá conforto à jornada dessa multidão desfigurou o lugar. Mas, na terra do sol nascente, as bugigangas eletrônicas também têm um quê de sagrado. Assim, apesar da mobília moderna, o Fuji ainda é a casa dos deuses.|O monte Fuji monti_fuji_02.jpg|Não é preciso estar próximo à montanha para sentir sua imponência. O monte Fuji não é um pico perdido em uma cordilheira, como o Everest, que pouco se destaca dos demais. Localizada em uma ilha relativamente plana, a pirâmide isolada do Fuji pode ser vista a mais de 100 quilômetros de distância.|Silhueta fascinante monti_fuji_04.jpg|Essa silhueta poderosa explica-se e reforça-se por uma característica da montanha: o Fuji é um vulcão ativo, que explode a intervalos de 300 a 500 anos (a última vez foi em 1707). Com tamanho poder de destruição e onipresença na paisagem, não admira que a montanha exerça tanto fascínio sobre a alma japonesa, como se percebe pelo interesse dos artistas em retratá-lo, seja em fotografias, como nesta página, seja nas tradicionais gravuras japonesas.|Gravuras monti_fuji_03.jpg|Um país superpovoado como o Japão não pode dar-se ao luxo de isolar grandes áreas em torno do monte Fuji. Hoje, pouco mais de 110 mil pessoas vivem ao pé do vulcão, que está a apenas 90 quilômetros de um dos pedaços de chão mais apinhados de gente do mundo, a área metropolitana de Tóquio, que reúne nada menos que 27 milhões de habitantes. Ao norte do monte, Fujiyoshida é a cidade mais próxima da montanha. Graças a essa proximidade, ela serve não só como ponto de partida para quem pretende escalar o Fuji, mas também como mirante para os muitos idosos japoneses que já não têm disposição para a jornada, mas ainda a veneram.|Multidão reverente
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