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Vista saúde

Saiba como é que tecidos, modelitos de roupa e hábitos podem trazer mais bem-estar à sua vida

texto Claudia Carmello
fotos Manuel Nogueira

slideshow-modasaudavel-01.jpg| O couro é cortado e montado ao redor de uma fôrma de fibra – que imita um pé com as medidas precisas do freguês. Essa é a arte do sapateiro Antonio di Caprio, repetida há 50 anos na Sapataria Barone, no bairro paulistano do Paraíso. Ele não tem dúvida sobre o que é um sapato saudável: sob medida para acomodar bem o pé e, melhor ainda, se for de couro. A sabedoria do artesão é confi rmada pelos médicos. “O couro ventila, deixa a pele respirar”, diz a dermatologista Thaís Torchio. Já o sapato sintético vira uma fornalha. E os formatos? Sapato apertado, que encavala os dedos, dá calos. “Se for de bico fino e salto acima de 4 cm, pode causar joanetes e dores na sola”, diz o ortopedista Maurício Monteiro. Uma alternativa é usar plataformas, dizem os ortopedistas. Lembrando que a posição do pé com salto sobrecarrega a curvatura da lombar, a famosa lordose. As botas baixas, rasteirinhas e sapatilhas têm sinal livre.

Quanto ao tênis, é preciso escolher o modelo certo para determinado esporte. Mais: saber que algumas atividades, como tênis, implicam impulso e frenagem bruscos e podem traumatizar a unha pelo impacto na biqueira do calçado. Dá para prevenir usando um tênis meio ou até um número maior do que seu pé. “E escolhendo meias com aquela ‘cinturinha’ compressora no meio: elas também seguram a topada da unha”, diz Thais.

dica VIDA SIMPLES
Usar meias com sapatos e tênis é recomendado porque elas minimizam o impacto da pele contra os calçados e absorvem o suor dos pés.

Tênis de couro bem confortável, Camper (www.camper.com)

|Calçados
slideshow-modasaudavel-03.jpg| A pergunta que não quer calar é: a calcinha precisa ser inteira de algodão, como defendem alguns ginecologistas? “Não. O forro, que está em contato com a vagina, sendo de puro algodão, já basta”, diz a dermatologista Thaís Torchio. O argumento contrário seria que a calcinha sintética abafa a região e favorece a disseminação de fungos. Bons modelos são a string, de lateral fina e com regulagem, que faz a peça se adaptar a cada corpo sem deixar marcas na pele, e a boxer feminina, de cintura mais baixa, grande no bumbum e sem costura nas virilhas: ideal para quem tem irritação ou pelos encravados. Aliás, se você vive sentindo coceira por culpa da lingerie, os modelos sem costura, que têm crescido no mercado, são perfeitos.

Já o verdadeiro sutiã saúde é aquele que posiciona a mama em seu lugar correto e ajuda a postura de quem tem seios pesados. Nesse caso, modelos com aro embaixo os protegem. Só se certifique de que os seus caibam dentro do bojo porque os sutiãs apertados – não adianta alegar que eles levantam ou empinam mais o busto – vão incomodar e deixar a pele marcada no fim do dia. Daí a importância de fazer seu formato e volume caberem perfeitamente no bojo. Só não vale não usar sutiã, mesmo para quem tem seios pequenos – a gravidade está aí para todas.

dica VIDA SIMPLES
De nada adiantam uma calcinha ou cueca confortáveis de algodão se estiverem sob uma calça grossa e apertada, que não deixa transpirar, abafa e prejudica a saúde genital.

Sutiã e calcinha com regulagem, Thais Gusmão (www.thaisgusmao.com.br)

|Roupas íntimas
slideshow-modasaudavel-04.jpg|Funcionalidade e performance são as palavras-chave. Quem se exercita transpira e precisa de roupas que desapareçam com a umidade – corpo seco é conforto e saúde certos. Quem pedala contra o vento precisa de tecidos que mantenham o calor. O atleta que força os músculos também quer compressão na medida – e a roupa certa, com misturas de Lycra e Supplex, pode prevenir distensões e até atenuar dores depois do exercício. “Nossa grande aposta hoje são os tecidos com tecnologia bacteriostática, que evitam a proliferação de bactérias e odores e conceito easy-care, que seca rápido e não amassa”, diz Luca Pascolato, diretor da Santaconstancia, fabricante de tecidos tecnológicos para esportes no Brasil.

A tecnologia também criou as roupas com filtro solar. São camisetas, chapéus, viseiras, saídas-depraia basicamente de dois tipos: com fios tratados com uma barreira química, o absorvedor de UV, ou uma barreira física integrada à trama do tecido, o dióxido de titânio. Nos dois casos, a proteção resiste às lavagens.

Para Ximena Buteler, do site de tendências de consumo WGSN, as pessoas querem cada vez mais tecidos que melhorem sua performance esportiva e sejam versáteis – podem ser usáveis da academia a uma reunião de trabalho.

dica VIDA SIMPLES
Diga ao vendedor que atividade você vai praticar e em quais condições. Peça que explique as propriedades de cada peça e por que elas são boas para o seu caso.

Jaqueta quebra-vento, Adidas (www.adidas.com.br)

|Roupas esportivas
slideshow-modasaudavel-05.jpg|É verdade: a moda os venera. Ora redondinhos, ora gigantes, ora vintage. Mas mesmo quem abomina tendências fashion precisa usar óculos escuros. “Uma das principais causas de degeneração do olho, principalmente da retina, é o raio ultravioleta do Sol”, afirma Ricardo Waetge, oftalmologista da Santa Casa de São Paulo. E a lógica de que olhos claros são mais sensíveis é correta – porque eles têm menos pigmentação, o que, junto com o abrir e o fechar da pupila, é nossa proteção natural para os olhos.

Só tem um porém: usar qualquer óculos de sol não basta. Eles devem ter lente com filtro UV para fazer essa proteção. E uma coisa é certa: óculos arrematados em camelôs não vão trazer esse benefício. A catástrofe é que, quando você os veste sem filtro, suas pupilas se abrem porque a claridade diminui, e aí os raios incidem mais fortemente sobre os olhos. “É mais perigoso usar óculos vagabundos do que não usar nada”, diz o médico.

Dito isso, há muitos acessórios extras que aumentam o bem-estar. Como o polarizador na lente, que tira o brilho da piscina ou da neve, por exemplo, exatamente como o da câmera fotográfica. Ou o tratamento antiembaçante, ideal para quem usa os óculos para praticar esportes. Fora as armações de policarbonato, mais caras, especiais para alto impacto. Bom para atletas e crianças, que vivem caindo ou tomando bolada.

dica VIDA SIMPLES
Outros acessórios aos quais ficar atento: bolsas e mochilas. O tamanho não interfere na saúde, e sim o peso. Se ombros e costas doerem, é sinal de que estão sobrecarregados.

Óculos de sol com proteção solar, Sergio K (www.sergiok.com.br)

|Óculos escuros
slideshow-modasaudavel-06.jpg|Aqui nem é o tecido que importa tanto, mas o modelo. “Calça muito apertada atrapalha a circulação e pode piorar a celulite”, diz o cirurgião vascular Orivaldo Almeida Jr. Se o aperto for grande, ainda pode aumentar a pressão venosa e estimular o aparecimento de varizes. A área da barriga também corre risco: uma circulação prejudicada gera o mal-estar digestivo. Em um caso, porém, o aperto é bem-vindo: se a calça for mais larga do joelho para cima e mais justa dali para baixo. “Um pouco de compressão inferior favorece a circulação venosa porque esse sangue corre de baixo para cima, então ela o impulsiona”, completa. Uma calça skinny, mais justa na panturrilha, acaba tendo a função parecida ao da meia elástica.

A altura da calça não influi na saúde – se a cintura e o cavalo não estiverem apertados. Também para a pele, ajuste demais é temerário. “Homens com muitos pelos, por exemplo, podem ter micose nas virilhas se a calça apertada impedir que a pele respire”, diz Thaís Torchio. Um jeans feito de algodão ganha muito com a adição de um pouco de elastano, a famosa calça stretch. Mais maleável, o tecido é bem confortável. E strech não tem nada a ver com calça justa: quem determina isso é o modelo da peça.

dica VIDA SIMPLES
Jamais compre uma calça bastante apertada, achando que ela vai lacear com o uso. Algumas calças de fato afrouxam, mas ela deve ser confortável assim que você vestir.

Bermuda larguinha, Norah Russo (www.norah.com.br)

|Calças
slideshow-modasaudavel-07.jpg|Há poucos segredos quanto aos modelos. Só vale ficar de olho no aperto: se a blusa justinha comprime demais a barriga, pode prejudicar a circulação intra-abdominal – como nas calças muito justas. Se comprimem demais as costelas, respirar pode ficar bastante desconfortável. Colarinhos de camisa masculina são outra armadilha: se estiver na dúvida se ele está ou não apertando, não use. O pescoço vai doer depois de um dia todo com a peça, além do incômodo para respirar.

A melhor roupa na parte de cima do corpo é a que nos abraça sutilmente. É inevitável, ela vai acarinhar diretamente braços, peito e barriga. Por isso, é bacana priorizar o toque do tecido nessa hora. Isso também é saúde. “A pele é um órgão de defesa, de contato direto com o meio externo”, explica Marcus Maia, dermatologista e professor da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo. “O tecido sempre vai ter uma interação com a pele. Boa ou ruim, mas nunca indiferente.”

Atrito em excesso, por exemplo, não é saudável. Como, então, escolher certo se a quantidade de tecidos no mercado, com nomes estranhos e promessas diversas, embanana qualquer um? Dê uma espiada no texto sobre tecidos aqui ao lado.

dica VIDA SIMPLES
As blusas têm que deixar livres todos os movimentos – desde esticar o braço e virar o tronco até o abraço. Se parece uma armadura, não merece estar no guarda-roupa.

Blusa soltinha, MOB (www.mobonline.com.br)

|Blusas e camisas
slideshow-modasaudavel-08.jpg|Até o meio do século 19, a moda era baseada no algodão, na seda e no linho, todos naturais. Hoje, eles permanecem como nossos parâmetros de toque agradável. “A seda seria a que traz a melhor sensação na pele porque sua fibra é mais parecida com a do cabelo. Então, o corpo identifica esse contato como vindo do próprio corpo”, diz o dermatologista Marcus Maia. Com a chegada das tecnologias têxteis, o início do século 20 conheceu a viscose (vinda da celulose da polpa de madeira). Nos anos 40, foi a vez da poliamida, a fibra de náilon, feita de resíduos de petróleo. Depois foi a vez da fibra acrílica, que substituía a lã, e mais tarde o poliéster saía da decoração para invadir os armários. Esses tecidos não amassavam, secavam mais rápido e não deformavam. Só que eram mais pesados, ásperos e calorentos. Acabaram sendo sinônimo de roupas de segunda linha e os naturais voltaram a ser valorizados. Nos anos 80 e 90, ante a rejeição, os sintéticos deram a volta por cima. Primeiro com as microfibras, os fios mais finos que ganhavam maciez, mas mantinham a durabilidade. Depois com novas ligas que equilibravam habilmente naturais e sintéticos, resultado de investimentos da indústria da moda. Então, eles viraram tecidos inteligentes, isto é, fazem mais do que somente vestir. É compressão muscular daqui, vantagens térmicas dali, tramas que expulsam as gotículas de suor, mas barram a entrada de frio. Toma lá, dá cá, e o puro algodão também reagiu. Seja com tratamentos químicos que o tornam 100% livre de vincos, uma tendência forte entre camisas sociais masculinas, seja na corrente contrária, de repulsa aos químicos e preservação do planeta.

|Tecidos
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