18 dúvidas que todo mundo tem quando usa um coletor menstrual

Afinal, eu preciso ou não cortar esse cabinho?

A primeira vez em que eu ouvi falar sobre esse tal de “copinho” deve fazer uns bons 5 anos. Na época, a ideia me pareceu bem bizarra, para falar a verdade. Imagina só usar um treco que você reutiliza? Que seu sangue fica sendo “coletado” dentro de você? Eca! Até falei para a minha amiga – a mesma que me iniciou nessa história – que não acreditava como ela podia achar aquilo normal. Bom, parece que o jogo virou, não é mesmo? Cá estou eu me sentindo uma nova pessoa com essa invenção. Mas a trajetória não foi essas mil maravilhas, não. E spoiler: o processo todo envolve você se tocar, se conhecer e aceitar sua menstruação como algo normal do seu corpo.

É difícil você se desapegar de uma rotina que já dura, no meu caso, 13 anos: checar e trocar o absorvente a cada 2, 3 horas; ficar preocupada com vazamentos inconvenientes; andar para lá e para cá como se nada estivesse acontecendo… E parece que não tem nada acontecendo MESMO.

1. Dói?

Bom, sim e não. O coletor não é algo que machuque se estiver no lugar certo, mas todo o trâmite de tirar e colocar pode, sim, ser meio dolorido. A dica é: está doendo em algum lugar? Vá ao banheiro checar se está onde deveria, porque é isso que incomoda.

2. É fácil de colocar?

Não. Nem um pouco. Na verdade, essa etapa não foi tão difícil assim para mim porque eu me dei ao belo trabalho de ler o manual que vem na caixinha. E lá tinha um detalhe importantíssimo: é enfiar para TRÁS e não PARA CIMA.

Achei melhor ilustrar esse momento diabólico para ajudar as novatas como eu:

Ileine Machado

Ileine Machado

Nessa imagem, vocês veem onde fica o absorvente interno? Pois é. Isso acontece porque ele é bem menor e mais fino do que o coletor, então, faz o caminho em J da nossa genitália sozinho. E essa é a razão pela qual ele tem um fiozinho para você puxar!

Ileine Machado

Ileine Machado

Aqui dá para entender melhor onde deve ficar o copinho. É realmente perto da entrada e, por isso, algumas pessoas preferem cortar o cabinho (já te explico, calma!). E tudo isso ainda depende da altura do seu colo do útero. Ou seja: você vai ter que se tocar muito e até usar um espelhinho para ajudar na função se for preciso.

Na minha experiência, tudo isso foi médio traumático. Colocar foi bem OK, não precisei da ajuda de lubrificantes (acontece e está tudo bem) e a dobra escolhida foi em U. Ah, existem 9 tipos de dobras diferentes para inserir o benedito e você pode ver todas aqui para testar qual funciona melhor no seu caso smiley

3. Precisa cortar o cabinho?

Bom, essa parte depende muito da marca que você escolher e, também, da altura do seu colo. Para as moças de colo baixo (o que não é o meu caso), o final pode incomodar porque fica realmente próximo à saída do canal vaginal e, às vezes, até para fora mesmo. Tem dois jeitos de resolver:

a) cortar o cabinho e lixar para que não fique nenhuma “ponta” que possa machucar. É de silicone, mas ainda assim pode ser desconfortável.

b) virar do avesso. Essa técnica milenar é mil vezes mais simples e funciona muito bem porque o cabo fica para dentro do copo.

4. E para tirar, como é?

Já diz o ditado que quando a esmola é muita, o santo desconfia. Eu resolvi cortar o cabo para não me incomodar. Parecia tudo muito lindo até que eu precisei esvaziar o coletor e…. Não saía de jeito nenhum. Por nada no mundo. ESTAVA PRESO À VÁCUO SEM CHANCE DE SAIR SOZINHO. Nesse momento comecei a suar frio e ficar cada vez mais tensa, pensando em como explicaria no pronto-socorro a minha situação. Depois de uns 20 minutos de pânico, tentei ficar de cócoras e fazer uma forcinha para empurrar o copinho para fora. É esquisito, sei bem, mas deu certo. Só coloquei o indicador para tirar o ar e puxei lindamente o coletor que achei que iria morar para sempre no meu corpo.

5. Não sai mesmo?

Não. É impossível sair se estiver colocado certo. Vamos frisar nesse momento de “jeito certo” que é algo complicadinho à primeira vista. Mas uma vez instalado corretamente no seu canal vaginal, o coletor cria um vácuo e só sai se você permitir a entrada do ar nele. E precisa colocar o dedo lá para isso acontecer, ok?

6. Não tem cheiro?

Essa foi realmente uma das minhas maiores descobertas, a cereja no topo do bolo. Durante 13 anos da minha vida estive convencida de que menstruação tinha um odor desagradável e ponto. Nunca parei para pensar que, talvez, isso tivesse a ver com o fato de que o sangue quando entra em contato com o ar coagula e, de um jeito menos charmoso, meio que apodrece. É, ele se degrada por meio de bactérias no absorvente ou já no próprio canal vaginal. Então, caras amigas, podem esquecer essa história de “fedor” característico: o cheiro mesmo é de sangue, como quando você corta o dedo e olhe lá.

7. Dá cólica?

Presumo que não, mas tive no primeiro dia usando. E descobri que a dor que parecia uma cólica era porque o coletor estava muito para cima e ficou incomodando. Sabe aquela história de dar uma “cutucada no útero”? É tipo isso, mas no colo e bem de leve. Depois que arrumei e puxei um pouco mais para baixo, a situação resolveu.

8. Que história é essa de altura do colo do útero?

Como a posição do copinho é mais baixa do que quem usa absorvente interno está acostumada, a altura do colo faz toda diferença para acertar a posição. E isso também influencia na parte do cabinho, como já falamos. Para saber a altura do seu só existe um jeito, miga: vai ter que usar o dedo do meio no seu canal vaginal. Aqui tem um guia bem simples que ajuda você a descobrir pelas falanges do dedo se ele é baixo, médio ou alto. É mais fácil do que parece e é importante conhecer o seu corpo!

 

9. Faz “ploc”?

Faz. E é muito engraçado! O “ploc” é o ar saindo do coletor quando você o retira. Aliás, é ótimo que ele faça esse barulho! Só não é legal quando ele faz esse barulho e você está colocando o coletor. Aí é tipo um peteleco. LÁ.

10. Tem que ficar colocando o dedo lá?

Se você quiser, sim. Se não, tudo bem. Só precisa realmente descobrir a altura do seu colo e conferir se nenhuma parte ficou dobrada, além de ajudar com o indicador para tirar. De resto, não tem uma obrigatoriedade nem necessidade (apesar de ser bom, convenhamos).

11. Como faz para limpar? Não é sujo?

Tudo depende do que você considera sujo. Eu não acho menstruação essa coisa nojenta e muito menos sagrada, acho bem X. E é sangue do seu corpo, que não se deteriora em contato com o ar, mais limpo do que imaginamos – pelo menos do que eu achava.

Para limpar é bem simples: durante o ciclo, é só lavar com água e sabonete neutro quando esvaziar. No final da menstruação, ferva em um recipiente de uso único e exclusivo para isso, que pode ser um copo de requeijão ou um panela de ágata, por exemplo. Faça um desenho, sinalize, guarde e não deixe que fervam um leite no mesmo recipiente, porque isso, sim, é sujo.

12. Como você sabe se está no lugar certo?

Ah, cada uma tem uma técnica diferente: rodar, colocar o dedo, levantar e sentar… Sei lá qual vai ser a sua, só que preferi checar do método mais básico mesmo, passando o dedo na extensão da base para ver se tinha algo dobrado. Aí sentei, levantei, abri e fechei as pernas, pulei… No banheiro do trabalho! Por precaução usei absorventes diários para evitar situações como a de uma amiga que não sabia que estava “errado” e sujou a cadeira de um restaurante com o seu vazamento. Coitada.

13. Quantas vezes tem que esvaziar?

A melhor maneira de descobrir isso é testando. Se você não tem certeza do seu fluxo (e você não tem, acredite), deixe passar algumas horas e vá ao banheiro checar. No primeiro dia acabei fazendo isso umas três vezes até perceber que não precisava de nenhuma delas. A única troca que é “obrigatória” é a cada 12 horas. Ou seja: eu colocava de manhã e esvaziava em casa, no banho à noite. Se for ficar até tarde no trabalho ou ainda for para a academia/jantar/barzinho, esvazie antes de dar as 12 horas.

14. Dá para fazer esportes/ir à academia?

Essa é a magia desse negócio. É brilhante não se preocupar com um absorvente na sua legging ou o interno que vai “escapulindo” nos agachamentos! Pelo que me contaram, algumas marcas podem ser mais “moles” do que outras e causar um vazamento quando você faz força. Aí vale pesquisar para escolher o melhor modelo ou comprar mais de um para testar com qual você se adapta melhor.

15. Isso não é anti-higiênico?

Não sei nem como responder a essa pergunta, sério. De que ponto de vista estamos falando? É porque é reutilizável? Ou porque você tem contato com sangue (seu)? Ou é mesmo sobre tocar o seu corpo?

Para as três possibilidades, eis minhas opiniões:

1. É uma coisa boa isso ser reutilizável. Nunca tinha parado para pensar na quantidade de lixo gerada pelo uso de absorventes (que é bem grande) e reaproveitar algo que é prático, de material que é fácil de esterilizar e que se dissolve em substâncias que são naturais. Isso significa que se animais selvagens comerem o coletor, por um acaso, nada acontece com eles. Porque não é tóxico. Nem sujo.

2. Ah, eu totalmente entendo quem não goste de ver sangue e ache que isso seja um bom motivo para evitar essa conexão. Só não sei exatamente como um sangue que está dentro do seu corpo poderia ser “anti-higiênico”. Ele é se estiver fora!

3. Bom… Isso é definitivamente muito pessoal, mas o seu corpo é seu templo. Você nunca será suja por menstruar ou será “menos” do que qualquer outra pessoa por lidar com isso de uma maneira natural. Afinal, isso acontece e a gente tem que lidar com isso nos áureos 10, 11 anos de idade (a não ser que vocês tenham sorte de ter sido mais tarde).

PS: o risco de você ter Síndrome do Choque Tóxico usando coletor é zero.

16. Precisa comprar a panelinha? E o sabonete neutro?

Acho que não. Particularmente achei o preço bem salgado (R$ 48 pela panela aqui em SP) e não vi toda essa necessidade. Conversei com muitas mulheres sobre a opinião delas e descobri que você pode fazer a esterilização/higienização com um copo de requeijão ou outra panela (que não solte metais, por exemplo) sem problemas. O sabonete neutro pode ser qualquer um, como o de glicerina. Daí vai mais do conforto de cada uma.

17. Virgem pode usar?

Se você for do tipo que não se importa com a possibilidade de romper a membrana que “considera” alguém virgem, então pode. O risco existe, mas nem sempre acontece. Se isso for um detalhe importante, talvez seja melhor procurar outras opções ou conversar com o seu ginecologista para esclarecer essas dúvidas.

18. Quanto tempo dura o coletor?

É recomendado trocar a cada 3 anos, mas varia bastante do uso e da marca. Ele pode escurecer um pouco, então, pode ser menos do que esse tempo. E ele se dissolve em 50 anos na natureza, sem grandes prejuízos para o meio ambiente – contra quase 450 anos dos absorventes tradicionais.

Tem mais dúvidas? Questões? Quer compartilhar sua história? Existe um grupo no Facebook chamado Coletores Brasil – menstrual cups que pode te ajudar. São mais de 30 mil membros com todo tipo de informação, resposta, questão e discussão possíveis e imagináveis!

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