Saiba como usar a pílula do dia seguinte corretamente

Perguntamos à ginecologista Erica Mantelli tudo sobre a pílula do dia seguinte, o famoso método contraceptivo de situações de emergência. Tire suas dúvidas sobre esse medicamento!

Escrito por

Fernanda Cury (colaboradora)

Editado por

Gabriela Kimura

Atualizado em 07/06/2013 em

AnaMaria
Pílula do dia seguinte: tire suas dúvidas
Thinkstock/Getty Images

Ela salva a pátria quando a camisinha estoura ou quando transamos sem proteção por descuido ou outro motivo. Mas a pílula do dia seguinte deve ser usada com inteligência para fazer efeito. Convidamos a ginecologista Erica Mantelli, de São Paulo, para responder às dúvidas mais comuns sobre o tema. Leia e aproveite para conversar também com sua filha!

1. Quando posso usar a pílula do dia seguinte?

Após ter relações sexuais sem proteção: quando a camisinha estoura, se ocorre falha no coito interrompido (o método de gozar fora da vagina para evitar gravidez) ou se a mulher transar depois de deixar de tomar dois ou mais comprimidos da cartela da pílula tradicional.

2. Quanto tempo depois da relação desprotegida ela deve ser tomada?

"O primeiro comprimido deve ser tomado até 72 horas após a relação sexual desprotegida. O segundo, 12 horas após o primeiro", explica Erica. Também existem versões de dose única.

3. Qual é a sua eficácia?

Se for tomada no primeiro dia, é de 95%. No segundo dia após a transa, cai para 85%. Portanto, quanto antes tomar a pílula do dia seguinte, melhor. Não é preciso receita médica para comprá-la.

4. Como essa pílula age no organismo?

"Ela impede ou retarda a liberação de um óvulo do ovário, impedindo a fecundação. Outro efeito é 'atrapalhar' a fixação do óvulo fecundado no útero. Além disso, a pílula do dia seguinte modifica o muco cervical, dificultando o transporte dos espermatozoides em direção ao óvulo", explica a médica.

5. Quais seus efeitos colaterais?

Os efeitos variam de pessoa para pessoa e podem durar horas ou alguns dias. Nos casos mais comuns, provoca um pequeno sangramento escuro e desregula a menstruação por cerca de três meses, causando atrasos ou adiantamentos no ciclo. Dor de cabeça, enjoo e dor nos seios também podem ocorrer.

6. O que acontece caso a mulher tome a pílula com uma frequência de três vezes no mesmo mês, por exemplo?

Se for usada dessa forma, a eficácia da pílula do dia seguinte diminui bastante. A menstruação fica bem desregulada e as chances de gravidez aumentam muito.

7. A pílula do dia seguinte faz efeito por quanto tempo?

O contraceptivo de emergência só impede a gravidez relacionada à transa que aconteceu antes de ele ser ingerido. Se transar depois, é preciso se proteger.

8. Existe idade mínima para usá-la?

Não. Qualquer mulher em idade reprodutiva pode utilizar.

9. O uso com outro remédio pode diminuir sua eficácia?

"Se for utilizada com medicamentos que interferem na ação dos hormônios presentes em sua fórmula, a eficácia pode ser reduzida e causar falhas. Dentre esses medicamentos estão alguns antibióticos (tetraciclina, ampicilina, oxacilina, doxicilina) e anticonvulsivantes. Por isso, o ideal é avisar seu médico sobre os remédios que utiliza", orienta Erica.

10. Quanto tempo depois de tomar a pílula do dia seguinte posso voltar para a pílula de uso diário?

O ideal é ser avaliada por um ginecologista antes. A nova cartela só deve ser iniciada quando a menstruação descer de novo.

11. Qual a diferença entre a pílula do dia seguinte e o anticoncepcional que se toma todo dia?

A pílula do dia seguinte é um método de exceção, ou seja, deve ser tomada só em caso de emergência. Para mulheres com vida sexual ativa, o ideal é usar um método de barreira (camisinha masculina ou feminina) associado a um anticoncepcional hormonal via oral ou injetável. O contraceptivo de emergência pode falhar e causar irregularidade menstrual se for utilizado muitas vezes. Já o anticoncepcional de uso diário tende a regularizar a menstruação. Se tomado corretamente, apresenta índice de falha extremamente baixo.