Mulher em trabalho de parto
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Toda gestante pode, a princípio, ter um parto normal. Ter um filho dessa maneira é algo natural e o corpo não precisa nem sequer ser preparado para isso. O mais importante é a mulher tirar todas as dúvidas - e os medos - com o médico e, assim, esperar por esse momento com tranquilidade.

O corpo dá sinais de que a hora do parto está chegando - e o bebê está pronto para nascer - por meio das contrações, que se tornam mais fortes e dolorosas. A mulher sente como se a barriga se contorcesse em um movimento de cima para baixo, de modo intenso e rítmico - essas são características da verdadeira contração, que anuncia o trabalho de parto.

Daí, o colo do útero dilata e afina até alcançar a medida de 10 centímetros. As contrações - e, claro, a força feita pela mãe também ajuda - começam então a empurrar o bebê para fora. Em um primeiro momento, ele se encaixa e, depois, deixa o útero e passa pelo canal vaginal. A saída da criança, em si, recebe o nome de expulsão.

Nesse momento, a primeira parte do corpo do bebê que o obstetra visualiza é a cabeça. Quando ele sai por inteiro, o médico prende o cordão umbilical com uma espécie de pinça bem grande e o corta. Depois que a criança nasce, a placenta se descola e também é expulsa. O obstetra, então, ajuda a retirá-la.

Existem três requisitos importantes e que facilitam o parto normal: a dilatação do colo uterino, a mulher ter uma boa bacia e o bebê estar bem. Sem a dilatação, não há abertura suficiente e a expulsão da criança simplesmente não acontece. Por exemplo: algumas mulheres têm contrações mas não têm dilatação. Isso é raro, mas possível. Também é necessário ter uma bacia larga o bastante para favorecer a saída da criança. Gestantes com a bacia muito estreita e com bebê grande demais, em geral, têm contraindicação para o parto normal.

Outro ponto fundamental: o pequeno deve estar bem e saudável. Isso é checado durante todo o trabalho de parto, por meio de exames. Se ele correr qualquer risco ao se esforçar para nascer, o parto normal será descartado. Por isso mesmo, é importante você saber, ainda, que, apesar de todas as condições favoráveis, caso um imprevisto aconteça, o parto normal pode ser interrompido. Daí, o médico parte para a cesárea, sem problemas.

Algo que costuma preocupar muitas futuras mães é a velha história de o cordão umbilical estar enrolado no pescoço. Mas isso, em si, não impede o parto normal. Se o cordão está enrolado, os batimentos cardíacos do bebê são monitorados. E, se houver uma queda nesses batimentos, o que sugere que o cordão está apertado demais e prejudicando a circulação, aí então o médico pode pensar em uma cesárea. Na maioria das vezes, porém, ele permanece frouxo, sem atrapalhar. E o obstetra o desenrola mal a criança nasce.

Outro medo é o de sentir dor na hora de dar à luz. Mas hoje, vale saber, já é possível passar pelo parto normal praticamente sem sofrer com as contrações. Elas são aliviadas pela anestesia. Já algumas mulheres ficam inseguras em relação à duração do trabalho de parto - tempo que, diga-se, varia bastante de acordo com cada gestante. Quando se torna muito demorado, o médico pode recorrer a medicamentos que aceleram as contrações uterinas. Isso só é feito, porém, quando o bebê tem bom peso e está bem de saúde.

De uma coisa todos podem estar certos: os benefícios do parto normal tanto para a mãe quanto para o filho são muitos. Para começo de conversa, quando o bebê atravessa o canal vaginal, que é uma espécie de túnel apertado, seu corpo fica comprimido. Isso é ótimo porque provoca a expulsão de toda água dos pulmões e facilita os primeiros movimentos respiratórios.

Para a mãe, o parto normal permite a retomada mais rápida de atividades simples, como se sentar e andar. O pós-parto é quase indolor. Assim, a mãe tem mais disposição para cuidar do recém-nascido e curtir a grande novidade da sua vida.

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Os preparativos

Na maternidade, alguns procedimentos são realizados antes do parto em si. O primeiro deles é a limpeza do canal vaginal e uma levíssima raspagem dos pelos pubianos só na região onde poderá ser feita a episiotomia, um corte na lateral do períneo, região entre a vagina e o ânus. Isso não ocorre sempre. A episiotomia é realizada na maioria das vezes para facilitar a saída do bebê e proteger os músculos e outras estruturas do corpo da mãe. Ela só não é necessária quando o bebê é pequeno. Vale saber que a lavagem intestinal, como parte da preparação, foi abolida.

Fórceps, o que é isso?

Um instrumento médico que ainda costuma ser utilizado em alguns partos normais é o fórceps. Parece um par de colheres longas e vazadas. Recorre-se a ele para ajudar a retirar o bebê quando o pequeno fica parado no canal vaginal — uma ajuda que traz um alívio e tanto para a criança e para a mãe. Atenção: a mulher não sente quando o instrumento é colocado, já que está anestesiada. Nem a criança: as “colheres” se encaixam nas laterais de sua cabeça, sem machucá-la.