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PUBLICADO EM

04/01/2012

ATUALIZADO EM

28/06/2015

12 dúvidas sobre o uso da chupeta solucionadas

Veja as respostas para as questões mais frequentes entre os pais sobre esse acessório pra lá de polêmico.
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Foto: Getty Images

 

1. Por que a chupeta acalma?
O ato de sugá-la é um mecanismo associado à necessidade de satisfação afetiva e de segurança, que desperta um sentimento no bebê semelhante ao que ocorre quando ele mama no peito da mãe. “O uso de chupetas, também chamado hábito de sucção não nutritiva, é normal e aceitável em bebês e crianças de tenra idade”, observa a especialista em ondontopediatria Maria de Lourdes Andrade Massara, que é consultora da Associação Brasileira de Odontologia (ABO). Algumas crianças satisfazem suas necessidades de sucção apenas com o aleitamento materno ou levando o dedo e outros objetos à boca. Já outras precisam da chupeta, principalmente em situações de tensão, como quando sentem as famosas cólicas de recém-nascido. Nesses momentos, o objeto funciona como um verdadeiro calmante.
 
2. Sugar a chupeta, então, tem a ver com a chamada fase oral?
Sim, totalmente. “A criança de zero a 2 anos tem uma necessidade inata de sugar. Por isso, a chupeta acalma e transmite prazer – é o que chamamos de fase oral, época em que a criança se apropria do mundo pela boca”, esclarece Márcia Figueiredo, psicóloga e psicopedagoga do Centro Educacional Miraflores, no Rio de Janeiro. A boca é o canal de comunicação da criança com o exterior. Nessa fase, ela literalmente experimenta tudo o que existe. Ela sabe que o seio da mãe é fonte de alimento e afeto. A chupeta é um objeto que imita o bico do seio, por isso também consegue acalmar os pequeninos. “A chupeta funciona como um conforto emocional para aquele bebê que está com toda a energia de desenvolvimento voltada para a região oral. Ela age como um carinho à criança, já que a mãe não pode dar o peito 24 horas por dia”, justifica Lucia Marmulsztejn, psicóloga do setor de psiquiatria infantil da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.
 
3. Até que idade é aceitável que a criança use chupeta?
“A Associação Brasileira de Odontopediatria (ABO) e o Ministério da Saúde recomendam que a idade de 3 anos seja a época limite para a eliminação do uso de chupeta. Entretanto, reconhecem que o ideal seria remover gradualmente esse hábito até os 2 anos”, esclarece a odontopediatra Maria de Lourdes. Quanto mais cedo a chupeta for banida, maiores as chances de auto-correção de possíveis desarmonias nas arcadas dentárias devido ao uso do acessório. Vários especialistas concordam que o adeus ao biquinho deve ocorrer nessa idade, que coincide com o fim da fase oral. “Espera-se que a partir de 2 e meio, 3 anos, a criança, que já está envolvida em atividades diversas, comece a se desligar do hábito de chupar chupeta, porque tem outros interesses”, diz a psicóloga Lucia Marmulsztejn. Vale destacar que a ABO reconhece que uma forma de prevenir o uso prolongado da chupeta é amamentar exclusivamente durante os seis primeiros meses de vida. 

4. Que tipos de problema a chupeta pode causar para a criança?
Se o acessório continuar a ser usado após a idade limite recomendada, pode provocar mudança na posição dos dentes e das arcadas dentárias. Além do problema estético, ocorrem dificuldades como alterações de mordida. Na opinião de Wilson Salgado Junior, pediatra do Prontobaby Hospital da Criança, no Rio de Janeiro, a retirada precoce da chupeta é fundamental para evitar inúmeros malefícios, como prejuízos na mastigação, na deglutição e até mesmo na fala. “O uso da chupeta afeta, ainda, a função respiratória, ocasionando, por vezes, respiração bucal com roncos e fadiga, que causam distúrbios de atenção e dificuldades no aprendizado”, diz o especialista. “Pesquisas científicas mostram também que a chupeta facilita a migração de bactérias das secreções nasais para o ouvido médio, levando ao risco de otite média aguda”, conclui o pediatra.
 
5. Chupeta prejudica a fala?
Que fique claro: nem toda criança que usa chupeta obrigatoriamente terá problemas para articular as palavras. E nem todos que desenvolvem esse tipo de distúrbio podem culpar a chupeta. Porém, quando esse recurso se torna freqüente, ele pode alterar a mordida – aí, sim, existe a possibilidade de a fala ser prejudicada. Além disso, nessa fase em que a criança está aumentando sua comunicação verbal, é bom deixar o caminho livre para ela se expressar. “A chupeta, quando usada o tempo todo, vira uma rolha, impedindo-a de falar”, lembra a fonoaudióloga Jacy Perissinoto, da Universidade Federal de São Paulo.
 
6. O que é melhor: chupar chupeta ou o dedo?
Quem responde é a psicopedagoga Márcia Figueiredo: “Sobre qual dos dois temos maior controle? A chupeta, certo? Não há como limitar o acesso ao dedo, o que acaba aumentando o hábito de sucção. A chupeta, por outro lado, pode e deve ser limitada desde cedo”. Portanto, entre o acessório e o dedinho, melhor ficar com o primeiro.
 
7. Em que momentos deve-se oferecer a chupeta ao bebê?
Não há mãe que não se pergunte se está cometendo um pecado mortal ao deixar o filho agarrado à chupeta todas as vezes que chora ou está com sono. E se estiver de dia? E depois que ele dorme, deve-se deixar ou não a chupeta na boca? Vamos aos esclarecimentos. Chupeta tem o seu lado bom porque satisfaz necessidades de sucção e afetivas da criança, mas também pode se tornar nefasta se o pequeno se apegar a ela a ponto de não querer abandoná-la quando estiver crescido. Sendo assim, o ideal é ter bom senso. “Recomenda-se que a chupeta não seja disponibilizada o tempo todo. É importante ficar atento à demanda da criança, sem oferecê-la a menos que o pequeno solicite, em momentos de sono ou de tensão emocional, exatamente para atender às necessidades de consolo, aconchego e acalento”, orienta a odontopediatra Maria de Lourdes. Para ela, tão logo a necessidade seja saciada, a chupeta deve ser removida. Se a criança estiver dormindo e não apresentar resistência, é preciso retirar o acessório da boca. Caso esteja acordada e tenha chorado, o certo é distraí-la após o berreiro e guardar o objeto, tirando-o do seu campo de visão.
 
8. Quais são os tamanhos, formatos de bico e materiais mais indicados?
Para cada faixa etária, há um tamanho de bico recomendado. Ler as especificações na embalagem antes de comprar garante que a mamãe leve o modelo adequado à idade do seu bebê. Quanto ao formato do bico, a preferência deve ser sempre pelos ortodônticos, menos prejudiciais aos dentes. E sobre seu material, vale a pena pagar um pouco mais pela chupeta feita de silicone, já que o látex favorece um maior acúmulo de bactérias. Importante também escolher chupetas cuja parte que fica fora da boca seja anatômica e com algumas características especiais. “O suporte de sustentação do bico deve ser amplo, o que diminui o risco de ingestão, e vazado, para prevenir uma eventual asfixia e minimizar as dermatites de contato, causadas pela saliva retida entre o acessório e a pele”, avisa o pediatra Wilson Salgado Junior.
 
9. De quanto em quanto tempo é preciso trocar a chupeta?
Sempre que o material estiver danificado de alguma maneira, seja gasto, rachado ou rasgado. Para tanto, é importante examinar com freqüência e atenção a chupeta. Na dúvida sobre o bom estado do acessório, opte pela troca: é mais seguro.
 
10. É necessário ferver a chupeta todos os dias?
Ela deve ser higienizada diariamente, de acordo com as orientações do fabricante. Isso porque o acessório pode se tornar um foco de microorganismos que transmitem estomatites e outras doenças. Geralmente, a fervura é o método mais recomendado. Segundo o pediatra Salgado Junior, se a chupeta cair no chão, não adianta apenas passar uma água. Para evitar a proliferação de micróbios, os cuidados com a higiene devem ser rígidos. “A substituição da chupeta deve ser freqüente, e ela deve ser fervida todos os dias”, recomenda o médico.
 
11. Dá para usar o prendedor sem medo?

É certo que o cordãozinho preso à roupa do bebê é uma mão na roda para evitar que a chupeta caia toda hora no chão. Mas, apesar de muito prático, o prendedor não é recomendável – por vários motivos. O principal deles é que ele próprio acaba se tornando um foco de fungos e bactérias. Além disso, a chupeta pendurada esbarra o tempo todo em tudo, ficando mais e mais contaminada. E há ainda uma razão mais séria para desistir do prendedor: ele pode eventualmente se enrolar no pescocinho do bebê e causar asfixia. Assim, é melhor ter uma boa reserva de chupetas para trocar quando a que está sendo usada cair no chão.
 
12. O que fazer para ajudar a criança a largar o hábito na idade recomendada?
Os especialistas são unânimes: é importante tirá-la da vida da criança com o mínimo de traumas possível. Uma consulta a um odontopediatra pode ajudar bastante, uma vez que esse profissional irá orientar os pais sobre a maneira correta de agir. “A retirada deve ocorrer de uma forma gradativa. E é importante que a criança não veja isso como uma perda”, ressalta a psicóloga Lucia Marmulsztejn. Primeiramente, os pais devem procurar não deixar o acessório tão disponível quanto antes e ir avisando à criança que está chegando o dia de deixar de chupar chupeta. Deve-se usar e abusar da fantasia. Quem sabe a fadinha da chupeta não vem buscá-la à noite? A criança pode deixar o objeto sob o travesseiro e encontrar uma moeda como pagamento pela manhã. “O adulto pode sugerir presentear um irmãozinho, priminho ou um bebê querido que está chegando com a chupeta, assim a criança verá alguma utilidade na sua ação. Ou também propor à criança a troca do acessório por algo mais adequado à idade dela”, orienta Lucia.

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