Estomatite: o que é a doença, quais são os principais sintomas e como tratá-la

O diagnóstico é bem comum em fase escolar e os sintomas deixam os pais de cabelo em pé: febre, dor e a boca repleta de feridas. Saiba o que causa o problema e aprenda a aliviar o incômodo.

Escrito por

Adriana Toledo (colaboradora)

Atualizado em 02/06/2015 em

Bebê
O que é estomatite
MarcoGovel/Thinkstock/Getty Images

 

O que é estomatite?
Embora remeta a estômago, a palavra vem do grego stoma, que significa boca. Portanto, a doença consiste em uma infecção viral que acomete a cavidade bucal, provocando lesões muito dolorosas, popularmente conhecidas como aftas, que podem se estender para a região da garganta.
 
O que causa o problema?
Na maioria das vezes, os vilões responsáveis pela encrenca atendem pelos nomes de Herpes simples (HSV-1) e Coxsackie, sendo o primeiro mais frequente.
 
A prevalência aumenta nas estações de outono e inverno?
Sim, por causa da aglomeração em ambientes fechados, típica desse período, com o intuito de se proteger do frio. Essa condição favorece a propagação viral.
 
Existe prevenção?
A melhor forma de proteção é evitar o contato com pessoas contaminadas. Os hábitos de higiene, como lavar as mãos com água e sabão frequentemente também ajudam a afastar não só os vírus da estomatite como outro micro-organismos nocivos.
 
Como ocorre o contágio?
A encrenca costuma das as caras, principalmente, na faixa etária entre 1 e 5 anos. É nessa fase que as crianças normalmente ingressam na creche ou na escolinha e convivem muito próximas aos coleguinhas, trocando secreções. Por esse motivo, a orientação é manter o pequeno com estomatite em casa, afastado do ambiente escolar, onde pode transmitir o vírus.
 
Quais os principais sintomas?
Feridas esbranquiçadas no centro e avermelhadas nas bordas surgem nas bochechas, na gengiva,  na língua, no pálato e/ou, em alguns casos, nas amígdalas. Dificuldade para engolir até mesmo líquidos faz com que a criança babe bastante. Outra manifestação comum é a febre, que pode chegar a 39 graus.
 
Há risco de complicações?
A consequência mais preocupante é a desidratação, já que a criança fica receosa em ingerir líquidos por conta da dor. Por isso, é importante insistir na oferta, variando entre água, sucos, água de côco e leite em temperatura ambiente. Observe se o seu filho fica mais de 8 horas sem urinar. Nesse caso, o melhor é comunicar ao pediatra. Há situações em que é necessária a internação do paciente.
 
Quanto tempo dura uma crise?
Até que o vírus cumpra seu ciclo, o que pode levar de 7 a 10 dias.
 
Como proceder diante dos sintomas?
A primeira providência é consultar o pediatra. Ele prescreverá analgésicos, que devem ser administrados em horários fixos para manter a dor sob controle. Se necessário, o especialista  pode associar uma versão tópica, que facilita a ingestão de bebidas e de alimentos. A higiene bucal deve ser mantida com a frequência e procedimento corriqueiros, sem sucumbir à carinha de sofrimento do pequeno enfermo. Esse cuidado previne infecções secundárias por micro-organismos oportunistas, que se aproveitam da fragilidade do sistema imunológico. É o caso de fungos como a cândida, que podem arrastar a crise por até 20 dias.
 
E como deve ser a alimentação durante o quadro?
Dê preferência a alimentos pastosos, como purês de mandioquinha e de batata e aos líquidos mencionados anteriormente - chás, sucos,água-de-côco, leite... Frutas amassadinhas também são bem-vindas. Evite alimentos quentes e ácidos, que agridem ainda mais a mucosa.
 
Infecções de repetição são comuns?

Não. Em geral, a primeira crise é a mais agressiva, com lesões mais numerosas e muito desconforto. Depois que ela regride, porém, o micróbio não é eliminado do organismo. Ele se aloja nos nervos, esperando uma nova oportunidade para entrar em ação, quando o sistema de defesa abrir a guarda. É por isso que indivíduos que tiveram estomatite na infância podem apresentar aquelas lesões características da herpes, no lábio, quando chegarem à fase adulta. Mas, se o pequeno apresenta aftas em curtos intervalos de tempo, é necessário investigar outras causas, como traumas ou efeito colateral de medicamentos.


Fontes:

Pediatra infectologista Marcio Caldeira Moreira, do Hospital Israelita Albert Einstein; Pediatra Maria Fernanda D’Amico, do Hospital Samaritano