Menino com a mão na boca
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Quando se dão conta de que a criança acaba de engolir ou aspirar um corpo estranho, os pais ficam paralisados, sem saber como agir. O grande perigo nessa hora, de acordo com os médicos, é tentar resolver o problema em casa, oferecendo alimentos para forçar o objeto a descer ou dando tapinhas nas costas e colocando a criança de ponta-cabeça para que ele “retorne”.
 
Muita calma nessa hora

É o que os médicos recomendam. O maior risco está em objetos aspirados - pelo nariz ou pela boca - que têm menos probabilidade de ser naturalmente eliminados pelo organismo. Dependendo do ponto em que eles se instalem, as complicações podem começar horas depois do acidente com consequencias graves. Por isso, a ida para o pronto-socorro é sempre indispensável. Mas, na maioria das vezes, nada de pior acontece, principalmente quando se trata de objetos arredondados, como moedas e botões.
 
Não tente manobras em casa
Exceto se a criança apresentar sinais de sufocamento - como ficar roxa e não conseguir respirar -, as manobras são mais perigosas do que o corpo estranho e ainda podem fazer com que se perca um tempo precioso. Até os 3 anos, o baço e o fígado da criança são proporcionalmente maiores do que no adulto e, ao comprimi-los sem conhecimento adequado, pode ocorrer uma ruptura nesses órgãos. Por isso, se o bebê puder respirar, mesmo que com dificuldade, é melhor procurar um médico imediatamente. Em caso de sufocamento, coloque a criança no colo, de barriga para baixo e com a cabeça em um nível mais baixo do que o quadril. Pressione repetidamente as costas dela para aumentar a pressão na caixa toráxica e forçar o objeto a sair.
 
Não ofereça alimentos nem force o vômito
Essas medidas podem agravar o problema e dificultar a ação dos médicos, se for necessário adotar algum procedimento que envolva anestesia. Além disso, tanto a ingestão de alimentos e líquidos quanto o vômito podem complicar o caso com uma pneumonia grave. Não tente também remover um objeto que esteja parado em algum ponto da boca, nariz ou ouvido da criança. A menos que tenha certeza absoluta de conseguir retirá-lo inteiro, vá imediatamente para o pronto-socorro. E mesmo que consiga fazer a remoção em casa, procure o médico rapidamente para se certificar de que não houve nenhum dano. Mesmo no hospital, se o local afetado for nariz ou ouvidos, solicite um otorrinolaringologista, pois a retirada do corpo estranho nesses casos exige equipamento especial.
 
Aprenda a reconhecer os sinais de um acidente do gênero
É comum os pais não perceberem que o filho engoliu, aspirou ou introduziu no ouvido algum corpo estranho. A criança não sabe contar o que aconteceu e até coisas banais, como grãos crus de arroz e de feijão, podem causar problemas. Nem sempre as complicações aparecem logo. Por isso, pense na possibilidade de seu filho ter sido vítima de um acidente do gênero caso ele apresente um dos sintomas a seguir: 

  • Tosse sem causa aparente.
  • Infecções respiratórias repetitivas.
  • Chiado no peito, geralmente apenas de um lado.
  • Secreção amarelo-esverdeada em apenas uma narina.
  • Obstrução nasal em apenas um dos lados do nariz.
  • Coceira ou dor intensas em um dos ouvidos. 

Fique esperta
Eliminar - ou pelo menos, minimizar - os riscos ainda é a melhor medida para evitar esse tipo de acidente. Não adianta esperar que uma criança pequena “entenda” que não deve mexer em enfeitinhos, insetos e tantas outras coisas abolutamente fascinantes para quem está descobrindo o mundo. Conheça os objetos campeões nesse tipo de acidente e tenha como norma eliminá-los do alcance do seu filho.
 
Até 2 anos

Eles se encantam com tudo o que é colorido e brilhante. Os maiores riscos ficam por conta de alfinetes, botões, bolinhas de gude, moedas e grãos de alimentos crus (arroz, feijão, milho, amendoim etc.). Acima de 2 anos os pequenos já estão mais habilidosos e ampliaram sua capacidade de alcance. É comum desmontarem brinquedos e se “apropriarem” de objetos instigantes, como relógios, calculadoras e canetas. Os perigos são baterias, parafusos de brinquedos, rodas de carrinho, olhos de bichos de pelúcia e de bonecas, tampinhas de caneta, fragmentos de espuma retirados de almofada e travesseiros, pedaços de papel e peças plásticas.
 
Cuidado redobrado
Segundo os médicos, crianças que já colocaram objetos no nariz ou nos ouvidos tendem a repetir esse comportamento. Não se sabe a causa, mas há casos em que a repetição acontece de modo tão sistemático que é aconselhável acompanhamento psicológico. Por isso, se você já passou por um susto desses, redobre a vigilância. É grande o risco de seu filho repetir a dose.