- › MdeMulher
- › Saúde
- › Alimentação
Comida de verdade
Com a ajuda de experts, descobrimos os mandamentos para você simplificar as compras e identificar de vez quais são os alimentos mais saudáveis
Publicado em 19/01/2009
Reportagem: Marcia Bindo - Edição: Amanda Zacarkim
Dicas preciosas para simplificar sua vida na cozinha - e deixá-la mais saudável
Foto: Reprodução
Enlatados, congelados, pratos semiprontos e processados surgiram para agilizar o preparo da refeição e dar conta de alimentar a população. Acontece que, no meio de tantos novos produtos que surgem a todo instante, perdemos a noção do que é de fato mais saudável.
Para desvendar os mistérios de um supermercado, desbravamos suas prateleiras com a ajuda de nutricionistas, especialistas em alimentação e até designers dessas redes de varejo - e descobrimos a seguir os mandamentos que podem revolucionar suas próximas compras.
1. Coma comida (ou evite o que a sua bisavó não reconheceria como alimento)
É muito mais interessante para sua saúde ingerir alimentos frescos e integrais, a boa e velha comidinha caseira, do que processados e industrializados. Por isso vale lembrar a época de nossos bisavós e recuar no tempo há pelo menos 80 anos, numa época em que não havia tantos produtos para comer empacotados. Por quê? Bem, é que hoje existe uma penca de outras substâncias comestíveis com aparência de comida, como explica Michael Pollan em seu livro Em Defesa da Comida. O jornalista americano fez uma extensa pesquisa sobre a mudança de comportamento alimentar ocidental nas últimas décadas. Colunista de gastronomia do New York Times, ele constatou que a preferência de consumo migrou drasticamente nos últimos anos dos produtos encontrados na natureza, como um singelo pé de alface, para os práticos alimentos embalados - o que ele chama, não sem polêmica, de comida de imitação. Entram nessa categoria lasanhas, tortas e sobremesas prontas, sucos e sopas em pó, nuggets e hambúrgueres que são uma moleza de preparar.
O pior, segundo Pollan, é que muitas doenças adquiridas pelos hábitos alimentares surgiram dessa nova dieta ocidental rápida de preparar, mas com superabundância de calorias e principalmente três perigosos ingredientes: açúcar, sal e gorduras, que nosso corpo tem uma predisposição a gostar e cujos sabores são difíceis de achar na natureza, mas são bastante comuns em comidas processadas.
2 Evite pôr no carrinho produtos com ingredientes difíceis de pronunciar
A lista de ingredientes de um produto espichou com a industrialização. Pegue um pão, por exemplo, que tem na sua composição básica farinha, água e sal. Para durar mais e ficar bonito, ter uma cor apetitosa e se manter cheiroso e macio são acrescentados corantes, acidulantes, edulcorantes, emulsificantes e outros "antes". Qual o problema disso? "Esses componentes, tanto artificiais como naturais, são controlados e não fazem mal à saúde, mas não devem ser ingeridos em excesso", diz Márcia Paisano Soler, engenheira de alimentos do Ital - Instituto de Tecnologia de Alimentos. "Isso porque a quantidade controlada é para um produto, e não sabemos ao certo as consequências de uma alimentação exageradamente empacotada", diz Márcia.
O que fazer? A resposta de Michael Pollan: cozinhe sempre que puder. Se não comer em casa, dê preferência a restaurantes que servem comida mais caseira. Talvez isso soe radical, mas você prestará mais atenção nos ingredientes que consome.
3. Elabore uma estratégia para facilitar suas compras
O designer Mauro Minniti é sócio da Design Novarejo, empresa focada em design de supermercados. A primeira dica dele é esta: crie o hábito de fazer suas compras sempre nos mesmos lugares (é bom ser mais de um para fazer a comparação de preços entre eles). Vale a pena criar um vínculo com um supermercado, porque você acaba conhecendo os funcionários e pode cobrar a qualidade dos serviços, exigir preços melhores e solicitar informações de produtos. "E o mais importante é que você desenvolve um relacionamento mais humano e menos comercial", diz Mario. Fora que o hábito faz com que você conheça melhor a disposição dos alimentos nas gôndolas, o que agiliza bastante a hora das compras.
4. Prefira sempre os corredores periféricos do supermercado
Você já deve ter reparado que a disposição dos supermercados de um modo geral é bem parecida: os produtos alimentícios industrializados ficam nos corredores centrais da loja, enquanto os alimentos mais frescos - hortifrutigranjeiros, laticínios, carnes e peixes, ficam nas laterais e no fundo. "Se você dedica seu tempo às prateleiras periféricas, está priorizando uma alimentação mais saudável", afirma a nutricionista Neide Rigo, autora do blog come-se.blogspot.com. Ela ensina uma regrinha básica para o seu "momento supermercado": priorizar os alimentos em que você enxerga "a cara". É melhor levar carnes congeladas, que você vê o que é, do que comprar uma carne processada (empanados e embutidos, por exemplo), que tem outros ingredientes em sua composição. "Tais produtos servem para emergências, mas não devem fazer parte do dia a dia", diz Neide.
A nutricionista recomenda que se faça uma compra grande do mês no supermercado, para também repor os itens de limpeza e higiene, e compras semanais em mercadinhos do bairro e feiras para as refeições da semana.
5. Evite produtos que aleguem vantagens sensacionalistas para sua saúde
Equipada com um carrinho e uma copilota, fui conduzida pelo supermercado, fazendo pit stops quando avistávamos produtos com os seguintes dizeres nas embalagens: "Enriquecido com ferro", "Mais cálcio", "Agora com vitaminas A, D, e E". Minha acompanhante, a nutricionista Cynthia Antonaccio, explicou que essa é uma tendência recente da indústria de alimentos, a de melhorar seus produtos, adicionando vitaminas e minerais e, em alguns casos, estampar seus benefícios, dizendo que diminui o colesterol ou faz bem para o coração. "De fato, é um movimento bastante positivo, mas você precisa prestar atenção no rótulo. Observe se o produto tem quantidades controladas de açúcar, sal e calorias - porque de nada adianta uma bolacha ter muito açúcar ou gordura, por exemplo, e ser enriquecido com alguma vitamina", diz Cynthia. Então, o que fazer? Primeiro, suspeite. Depois, olhe a composição do produto e avalie se ele vai para o carrinho.
6. Pague mais, coma menos (e com muito mais prazer)
O ponto é que alimentos mais bem cuidados e produzidos de forma menos intensa não conseguem um preço tão competitivo e são normalmente mais caros. Veja o exemplo dos orgânicos, que são produzidos sem pesticidas, em escalas menores, e portanto tem um preço mais salgado. Claro que essa não é uma regra, mas a idéia aqui é trocar a quantidade de alimentos pela qualidade.
7. Coma como os franceses. Ou os italianos. Ou os japoneses
Ou ainda os gregos, os árabes, os indianos. Quando a alimentação segue uma tradição cultural, tende a ser naturalmente mais saudável. Isso porque foi elaborada levando em conta os produtos locais, mais frescos.
Além disso, dietas tradicionais vêm temperadas com hábitos e rituais ancestrais de consumo, que levam em conta comer com fruição, sentar ao redor da mesa e partilhar com familiares e amigos. Já a alimentação ocidental industrializada perde em todos esses quesitos. E já vimos que para comer bem é importante investir mais tempo, esforço e recursos. "Se a dieta ocidental se preocupa com a praticidade e com tempo de vida do alimento, para ele durar mais na despensa, eu estou mais preocupada com o meu tempo de vida", diz Cenia Salles, líder do Movimento Slow Food de São Paulo. Uma alimentação, esta sim, longa vida.
Livros para saber mais
Em Defesa da Comida - Michael Pollan, Intrínseca
País Fast Food - Eric Schlosser, Ática
FILMES
Super Size Me - A Dieta do Palhaço, Imagem Filmes,Morgan Spurlock
Nação Fast Food - Uma Rede de Corrupção, Focus Filmes, Richard Linklater




































