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Cocô: tudo o que você sempre quis saber

Manter o olho atento sobre o cocô é uma maneira de monitorar sua saúde. Alterações podem indicar desde uma alimentação errada até problemas graves, como câncer

Atualizado em 22/08/2012

Alison Turner e Gustavo Simon - Edição: MdeMulher

Tudo sobre o cocô

Tudo sobre o cocô
Foto: Reprodução revista Women`s Health

Do início ao fim
Antes de tudo, vamos ao básico (que você já deve conhecer): a comida entra pela boca, passa pelo estômago e por seus intestinos e chega à outra ponta, quando os resíduos não aproveitados, sob a forma de fezes, são enfim liberados. Mas do que é feito isso? E como aquela deliciosa massa com frutos do mar passou de algo apetitoso e cheiroso e virou... bem, virou cocô? Quando a comida chega ao estômago, ácidos digestivos e enzimas que quebram proteínas são liberados. As sobras escapam até o duodeno (a primeira parte do intestino), onde as enzimas do pâncreas são liberadas para quebrar mais proteínas, carboidratos e gorduras. Enquanto o alimento segue o caminho de 8 m pelo intestino delgado, a maior parte dos nutrientes é absorvida. Cá entre nós, tudo o que o intestino sabe fazer é separar nutrientes e água do restante — o trabalho maior é das 200 mil bactérias que passeiam por ele, quebrando tudo o que há para ser digerido.

No final de todo esse processo, que geralmente leva um dia inteiro, o que sobra do jantar são resíduos e coisas que seu corpo não digere, como fibras. Isso tudo forma um bolo fecal de cerca de 200 g — uma lata de conserva. Os restos caminham até o reto e, quando você senta no trono, vão embora.

Seus hábitos determinam a frequência, a quantidade e a qualidade das fezes. "Uma pessoa mantém o intestino saudável ingerindo pouca gordura, muitas fibras e água e fazendo atividade física", orienta o gastroenterologista Ricardo Barbuti, secretário da Federação Brasileira de Gastroenterologia. As fibras, aliás, têm um papel crucial — são elas que dão massa ao bolo fecal e estimulam o trabalho intestinal. "O consumo ideal é de 25 g por dia", diz a nutricionista Anna Christina Castilho, do Instituto de Metabolismo e Nutrição (IMeN). "Atingir a recomendação é fácil, basta consumir uma porção de alimentos integrais ou uma fruta por refeição."

 O que é normal
"Cada pessoa tem um padrão para evacuar, então é difícil estabelecer uma linha de normalidade", explica Barbuti. Um estudo britânico com mais de 2 mil pessoas, conduzido pelas universidades Enfermaria Real de Bristol e Canynge Hall, descobriu que há uma gama bastante ampla de "normalidade" nos hábitos intestinais. Isso quando falamos de aparência (há uma escala de 1 a 6, de massas duras e redondas a algo disforme e pastoso) e de frequência — de três vezes por dia a três vezes por semana. "O ideal é que se evacue no mínimo três vezes na semana, e que haja constância na consistência e na frequência", garante o gastroenterologista.

De forma geral, o que você deveria ver na privada é uma forma única e alongada, segundo o médico americano Anish Sheth, coautor de O Que Seu Cocô Está Dizendo a Você (Ed. Matrix, 96 págs., R$ 17,90). Pequenas bolinhas isoladas indicam falta de coesão da massa fecal — outro problema decorrente da falta de fibras. "As fibras ingeridas são fermentadas por bactérias do intestino e formam um ácido graxo gelatinoso, que atua como uma cola que previne contra o ressecamento e a fragmentação do cocô", diz Sheth.

Por outro lado, fezes compridas e finas estão longe do ideal. "Ocasionalmente todos podem vir a evacuar dessa forma", diz. "Mas geralmente é o esforço excessivo que provoca isso." E quando a coisa aparece ao longo de várias semanas pode indicar algo como câncer no reto — o tumor vai se expandindo e estreitando a cavidade do cólon.

 Está boiando?
"O fato de as fezes flutuarem não é ruim", garante o gastroenterologista australiano Terry Bolin. "Isso significa que você está produzindo gases e consumindo fibras em quantidade suficiente." Os gases, afinal, resultam da ação das bactérias que quebram fibras e carboidratos no seu intestino — isso produz metano, hidrogênio e sulfeto de hidrogênio, responsável pelo cheiro ruim.

"Algumas pessoas produzem mais metano, outras produzem mais sulfeto de hidrogênio", esclarece Bolin. (É junto do segundo tipo de pessoas que você não quer ficar presa no elevador). O que determina em qual grupo você se insere depende do tipo de bactérias que você tem no intestino — e isso varia de acordo com a alimentação que sua mãe teve durante a gestação e com o que você comeu até os 7 anos. Mas, em relação ao cheiro das fezes, você tem o poder nas mãos. Proteínas produzem cocôs mais fedidos, assim como alho e cebola podem piorar as coisas.

 Se as coisas ficam paradas...
Se as fezes estão longe de ser algo agradável, a falta delas é ainda pior. "O intestino é um órgão meio estúpido", diz a clínica-geral australiana Ginni Mansberg. Quanto mais tempo os resíduos permanecem lá, mais secos e duros eles ficarão.

A prisão de ventre (menos de três idas semanais ao banheiro) eventual não faz tão mal. O problema é quando ela é frequente. Por mais que a falta de fibras leve ao problema, o buraco pode estar mais em cima. "Na maioria das vezes, a causa é mais comportamental do que orgânica — a pessoa segura a vontade de evacuar por vergonha", explica o gastroenterologista Laércio Gomes Lourenço, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Com o tempo, o intestino se acostuma." Significa que aquela história de ‘Eu não consigo ir ao banheiro fora de casa’ é a forma mais eficiente de criar um problema crônico na senhorita.

Para jogar o desconforto pelo ralo, não adianta agora se entupir de aveia — isso pode compactar ainda mais o bolo fecal. Apelar todo o tempo para laxantes menos ainda. "Eles têm substâncias carcinogênicas e componentes irritativos perigosos", diz Lourenço. Beber bastante água é o mais importante. "Os iogurtes probióticos também ajudam a recuperar a função intestinal", diz a nutricionista Anna Christina Castilho. Quando o problema passar, aí sim é hora de comer mais fibras.

Se a falta é ruim...
O excesso é muito pior. A diarreia é sinal de que as coisas estão se movimentando muito rápido e não estão passando tempo suficiente no intestino. "É mais comumente causada por uma infecção viral", diz Ginni Mansberg. Comer algo estragado ou malcozido faz o intestino secretar grande quantidade de fluidos — que terão de ser eliminados em sua forma original, líquida. Mas outros fatores, como intolerância à lactose ou irritações intestinais ao consumo de gordura ou cafeína, também podem levar a esse quadro. "Até mesmo o stress é um dos causadores, porque os nervos modulam também a ação intestinal", avisa Ricardo Barbuti. "Qualquer que seja a causa, é fundamental investigá-la e buscar tratamento." Que passa também pela alimentação. Acha que vamos falar de fibras de novo? Esqueça! A ideia agora é preservar o intestino, e não estimulá-lo a trabalhar mais. "Tome água para combater a desidratação e coma alimentos como goiaba, maçã, cenoura e arroz branco, que controlam a ação intestinal", diz Anna Christina.

 Os verdadeiros alarmes
Diarreia e constipação talvez não signifiquem muita coisa — especialmente entre as mulheres. "Os hormônios reprodutivos, alterados durante a menstruação, podem reagir com o intestino e causar diarreia", diz Terry Bolin. A gravidez, que ocupa o abdômen e desloca os órgãos, e a menopausa também têm a possibilidade de facilitar a prisão de ventre.

Mas existe o risco de estarem ligados a outros males, como a síndrome do intestino irritável, caracterizada por uma sensibilidade exacerbada do órgão. É comum haver dor abdominal aliviada apenas com a liberação de gases e a evacuação — isso por mais de seis meses. "É uma doença crônica, benigna e bastante comum — em alguns países, até 20% da população sofre dela", diz Barbuti. Pelo menos é algo que não evolui, ao contrário da constipação frequente (sinal de que algo deve estar errado). O tratamento depende da causa e pode ir do consumo de fibras até a prescrição de antidepressivos.

"Os resíduos que não foram aproveitadas pelo organismo ficam mais tempo atuando sobre a mucosa intestinal, o que pode facilitar o desenvolvimento de câncer", diz Eduardo Linhares, chefe da Seção de Abdômino-Pélvica do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Vale a pena se preocupar: o tumor colorretal é o terceiro mais comum entre as brasileiras.

Por isso a prevenção é tão importante. "Estima-se que 80% dos casos poderiam ter sido evitados com uma colonoscopia", diz o gastroenterologista Laércio Lourenço. Torne-a uma rotina a partir dos 55 anos — 45, se houver histórico familiar — e intercale com exames de fezes. É sempre bom ficar atenta a outras alterações na privada, como pequenos sangramentos. "Eles frequentemente indicam hemorroidas ou ingestão de alimentos malcozidos (como carnes)", avisa o professor da Unifesp. "Mas os cânceres do aparelho digestivo começam por pólipos benignos, que podem levar a sangramento também."

Forçar a barra dá hemorroidas?
Não, você não vai acabar com um monte de hemorroidas, mas pode ter fissuras — um leve "rasgo" na delicada pele do ânus. "Se a pessoa faz muita força, ou as fezes são endurecidas, isso pode acontecer", diz Ginni Mansberg. "É muito comum e pode ser doloroso também." Ela recomenda lenços umedecidos e pomadas cicatrizantes para ajudar no tratamento. Mas fique ligada: fazer muita força para evacuar não é boa ideia. As hemorroidas podem ser causadas por esse motivo se você tiver predisposição genética. Um médico saberá dizer o melhor tratamento ou mesmo se é o caso de cirurgia.

Concentração máxima
Para ajudar o intestino a funcionar, use algumas posições da ioga. Se você acabou de comer, escolha uma delas e a mantenha por até 3 minutos. Em outros momentos, a mudança de postura de uma aula de ioga terá um efeito ainda mais potente. Nada pode ficar parado por muito tempo se você estiver se movendo.

Melhor posição para auxiliar na digestão:
Tente a posição inicial do movimento virasana (posição do herói). Depois da refeição, fique de joelhos no chão, com os pés dobrados sob os glúteos, encaixando as coxas entre as panturrilhas. Respire fundo repetidas vezes. "Isso reduz a sensação de inchaço e a azia e ajuda na digestão", explica a especialista Suzanne Carson.

Melhor posição contra os gases:
"Qualquer posição que ponha pressão sobre o abdômen vai ajudar a se livrar dos gases", diz Suzanne. Tente esta: deite de costas no chão e traga seu joelho em direção ao peito. Entrelace os dedos sobre a canela, respire fundo e, enquanto expirar, aperte seu joelho para baixo, em direção ao ombro. Então, traga os dois joelhos em direção ao peito e alongue a parte de trás da espinha para o chão.

Ameixas levam você ao banheiro?
Sim. "As ameixas contêm muitas fibras, e também são ricas em sorbitol, um tipo de carboidrato de difícil digestão para o corpo e isso pode ter um efeito laxativo", diz a nutricionista neozelandesa Karen Dickinson. O sorbitol também é encontrado em chicletes sem açúcar.

Lavagem arriscada
Não raro algumas pessoas apelam para uma prática arriscada: enema, ou a lavagem de cólon — que consiste em jogar água no intestino, por meio de uma cânula introduzida no ânus, como forma de irrigar o órgão e eliminar impurezas. Com o tempo, a técnica se popularizou e hoje há quem acredite que ela possa ser feita sempre que uma breve constipação apareça — ou até que ajude a emagrecer. Ledo engano. A medicina convencional não reconhece a prática como confiável: além de a água levar bactérias boas junto com as ruins, há muitos riscos envolvidos — ainda mais se ela não for realizada em condições adequadas de higiene ou por um profissional gabaritado. Nesse caso, pode haver desde a transmissão de doenças até a perfuração do intestino — e morte.

Sinal de várias cores
Não apenas a forma e o conteúdo das fezes indicam alterações no organismo. A cor já pode servir de alerta:

Marrom: a cor normal varia de cacau a café com leite, graças à presença de um composto chamado estercobilina, formado a partir da digestão da bile — secreção que ajuda a quebrar a gordura no intestino.

Pálido: Se sua vesícula não está funcionando de forma adequada, seu cocô será pálido ou sem cor, o que pode indicar cálculos biliares. Doenças do fígado e do pâncreas também estão ligadas a esse quadro.

Vermelho: Pode não ser culpa da beterraba. Sangue vermelho e brilhante no cocô só pode vir do ânus (ainda não sofreu ação do oxigênio, que o escurece com o tempo). Isso é reflexo de hemorroidas ou de fissura anal.

Castanho-avermelhado: Um produto de cor próxima ao vinho pode indicar sangramento no seu trato digestivo inferior, sinal de câncer de intestino. Procure seu médico imediatamente.

Preto: "De quanto mais acima o sangue estiver vindo, mais escuro ele estará quando chegar à outra saída", diz Ginni Mansberg. Fezes negras podem indicar que você está sangrando no estômago ou no intestino delgado — talvez uma úlcera.
 

Comentários

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<b>Marli L. Campos</b> - Me esclareceu um pouco, ainda estou preocupada, pois evacuo pelo menos umas quatro vezes por dia, vou fazer uma consulta para melhor entender. - 20/02/2014 16:24:10

<b>ALLINE KARLA SOUSA TEIXEIRA</b> - eu estou preocupada eu vou ao banheiro d 4 a 5 vezes por dia quando estou mestruada vou mas vezes isso ¿ normal.... mas gostei muito d ler sobre o coc¿ me esclareceu muitas coisas. - 12/02/2014 01:11:43

<b>Beatriz</jcaptcha.do - 31/12/2013 11:50:03

<b>elisa</b> - Bom dia!fiz uma Histerectomia retirada do útero dia 21/10 sinto muitas cólicas quando o coco esta pronta pra sair e quando esta saindo é uma dor horrível até quando solto os gases me dói isso é normal? Meu médico diz que é até as coisa se ajustarem la dentro. - 31/10/2013 10:01:06

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