Tire suas dúvidas sobre hepatite C

O contágio por hepatite C pode acontecer até com uma simples visita à manicure ou ao podólogo. Tire suas dúvidas sobre a doença e se previna!

Atualizado em 09/11/2012

Reportagem: Roberta Lemgruber - Edição: MdeMulher

manicure

Instrumentos como tesoura e espátula devem ser esterilizados para evitar o risco de contaminação
Foto: Dreamstime

São 170 milhões de portadores da doença no mundo, quase 2 milhões no Brasil. E, apesar do número expressivo, a população desconhece as principais formas de contágio da hepatite C. É isso que mostra uma pesquisa apresentada no XIV Simpósio Internacional de Terapêutica em Hepatite Viral, realizado em Salvador em setembro de 2011.

A seguir, Raymundo Paraná, presidente da Sociedade Brasileira em Hepatologia explica como se prevenir:

1. Existe o risco de contágio na manicure e no podólogo?

Sim. O vírus da hepatite C - doença que leva à inflamação do fígado, cirrose e ao câncer hepático - é tão resistente que consegue sobreviver até uma semana em um alicate de unha. Todos os instrumentos cortantes, como tesoura e espátula, devem ser esterilizados em autoclave para evitar o risco de contaminação. Esse equipamento é comum nos consultórios dos dentistas e todo salão deve ter. Na dúvida, o melhor é levar o seu próprio kit para fazer as unhas.

2. Quais outras formas de contaminação com o vírus?

As mais comuns são pelo uso de seringas compartilhadas, transfusão de sangue, tratamento dentário, piercing e tatuagem - o vírus, inclusive, sobrevive na tinta.

3. É sexualmente transmissível?

A prática sexual é responsável por apenas 21% dos casos de hepatite C, não sendo a principal via de transmissão. Mas, uma vez que não há vacina, recomenda-se sempre o uso de camisinha.

4. É diferente das hepatites A e B?

A principal diferença entre as três hepatites é a forma de contágio. A transmissão da hepatite A se dá pela água e saliva contaminadas. Em 99% dos casos, a pessoa se cura sem a necessidade de tomar medicamentos. Já a contaminação da hepatite B acontece, sobretudo, por relações sexuais (50% dos casos), por contato com objetos contaminados, por meio de transfusão de sangue e uso de drogas injetáveis. A hepatite B também pode se tornar crônica e causar cirrose e câncer. A hepatite C é transmitida, principalmente, pelo sangue e a cada 100 indivíduos apenas 20 se curam. Além disso, existe vacina apenas para as hepatites A e B. O vírus C engana o sistema imunológico e, por isso, é difícil desenvolver uma vacina contra ele.

5. Como é feito o diagnóstico de hepatite C?

Ela é conhecida como uma doença silenciosa, porque os sintomas demoram anos para aparecer. Quando o paciente descobre que é portador, na maioria das vezes, a doença já está em fase avançada. O principal método de diagnóstico é a sorologia para anticorpos do vírus da hepatite C (HCV) pelo método ELISA. A presença do anticorpo anti-HCV significa que a pessoa teve contato com o vírus. Nesse caso, ela deve consultar um hepatologista, gastroenterologista ou infectologista, três especialidades habilitadas para lidar com a doença. O médico irá avaliar se o sistema imunológico foi capaz de eliminar o vírus ou se a infecção persiste e deverá ser tratada.

6. E existe cura?

Se diagnosticada precocemente, sim. Hoje, utiliza-se um tratamento à base de dois medicamentos - interferon com ribavirina ou do interferon peguilado associado à ribavirina. O tratamento dura de seis meses a um ano e provoca diversos efeitos colaterais, como náuseas, depressão, cansaço extremo, febre e dor de cabeça. Mas vale a pena: 50% dos casos de hepatite C crônica são revertidos. Ainda assim, o ideal é investir em prevenção. 

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