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Mononucleose: previna-se contra a doença do beijo nesse Carnaval

Surtos de mononucleose infecciosa, doença transmitida pelo beijo, são mais frequentes no Carnaval. Saiba como se cuidar

Atualizado em 03/03/2014

Casal se beija

Cuide-se no Carnaval e evite doenças transmitidas pelo beijo
Foto: Tod Marshard

Transmitida exclusivamente pela saliva, a mononucleose infecciosa ataca homens e mulheres, a maioria entre 15 e 25 anos, faixa etária que adora "ficar" - por isso acabou conhecida como "doença do beijo". Mas atenção: esse não é o único modo de contrair a doença. "Gotículas de saliva soltas em conversas a uma distância menor que 1,5 metro, tosses, espirros e até selinhos são suficientes para espalhar o vírus", diz o infectologista Paulo Olzon, da Universidade Federal de São Paulo.

Outro fator que dificulta a prevenção é o comportamento, às vezes misterioso, da doença. "Apesar de ela ser bastante comum, pouca gente sabe que contraiu o vírus", esclarece o infectologista David Salomão Lewi, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. "Estima-se que, entre a população adulta (acima de 25 anos), 80% já entraram em contato com ele. Desse total, nem 10% chegaram a apresentar os sintomas. Assim como o herpes, ainda não se sabe por que o problema se manifesta em certas pessoas e em outras não."

Para se proteger, esqueça os sprays antissépticos e toda sorte de produtos que prometem higienizar a boca - pelo menos se a intenção for evitar o vírus -, pois eles não funcionam para esse fim. Depois, evite beijar e ficar muito perto de pessoas contaminadas.

Diagnóstico
Como muitos sintomas são os mesmos de outras doenças, não é raro a pessoa receber o diagnóstico de complicações na garganta ou de uma virose qualquer. "Como a principal característica da doença são gânglios, fígado e baço aumentados, um exame de toque nessas regiões indica facilmente se é mononucleose. Ao pularem essa etapa, muitos médicos comprometem a avaliação", explica Olzon.

Uma vez detectada a doença, tratá-la não tem segredo. "Assim como a gripe, a mononucleose vem e vai embora sozinha, sem deixar marcas ou sequelas", avisa Olzon. "E você só pega uma vez na vida." Para aliviar os sintomas, os especialistas receitam anti-inflamatórios e antitérmicos. Fora isso, é preciso ter paciência. "O ciclo de vida do vírus dura de dez a 15 dias. A partir daí, há uma boa melhora", diz o médico.

Para afastar o risco de uma complicação, como um rompimento do baço, os médicos aconselham que você dê um tempo na atividade física e na balada no período de recuperação. O que acontece, na maioria dos casos, é que a pessoa não repousa o tempo necessário e acaba pegando outras doenças por causa da baixa resistência.

Para não pagar com a língua
Há outros vírus e bactérias que pegam carona na saliva e se instalam no organismo. "Basta a imunidade estar um pouco abalada para várias doenças atacarem", afirma Valter Moura Ferreira, especialista em traumatologia bucomaxilofacial, de São Paulo. Conheça algumas delas:

Herpes: A principal característica são as feridas ao redor dos lábios. Não tem cura. O vírus fica no organismo de todo mundo que teve contato, mas nem todos desenvolvem os sintomas.

Sífilis: Causada por bactéria, é considerada uma doença sexualmente transmissível. Contudo, em sua fase secundária, ela é altamente contagiosa através do beijo.

Cárie: A bactéria Streptococcus mutans pode passar de boca em boca e estragar os dentes. Mas, para isso, ela precisa encontrar um ambiente propício.

Viroses: Gripes, resfriados e até infecções intestinais podem ser passados pela saliva.

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