A estrangeira – conto de Amor e Sexo

A carioca Fernanda volta e meia paquera os muitos gringos que passam férias no Rio de Janeiro. Um dia, a morena conhece um francês chamado Pierre, que, dá sinais de que deseja mais que uma aventura

Pierre não era tão bonito, mas Fernanda se encantou por ele
Foto: Getty Images

Eu amava quando chegava o verão no meu Rio de Janeiro. Muito sol, samba nas quadras e praias lotadas. Cada palmo de areia era disputado, sobretudo, por turistas dos mais diversos países. Risonhos, amantes de caipirinha, eles circulavam pela orla com suas peles vermelhas e seus bonés coloridos. Podíamos notar os bolsos volumosos das suas bermudas, provavelmente repletos de dólares. 

Lembro bem o quanto eu e minhas amigas de bairro nos divertíamos flertando com aqueles moços e seus jeitos para lá de estranhos de falar. “Você… err… muito linda!”, disse certa vez um rapaz franzino de olhos azuis num português quase ininteligível. Sorri, arrumei meu biquíni e dei uma gargalhada. “Você está com a bola toda, Fernanda”, comentou Nena, minha melhor amiga.

Nós trabalhávamos apenas à tarde, num supermercado perto da praia. Então, todas as manhãs, ficávamos ali pela praia, tomando sol e aliviando o calor com mate gelado. Naquela época, ainda estava com o Dário na cabeça. Um baita safado, que conheci num baile funk lá da periferia de Magalhães Bastos! Veio cheio de juras de amor, cafuné, balinha e pimba: já queria safadeza. Esqueminha típico dos homens brasileiros. Não era para menos que, cada vez mais, eu perdia o interesse no macho nacional.

Entendeu, agora, qual era a razão para ficar exatamente naquele ponto da praia, em frente a um enorme hotel de luxo, repleto de gringos interessantes? Era uma facilidade que dava gosto, só não se descolava quem não quisesse. Bastava a gente olhar um pouco mais para que um italiano ou um alemão imediatamente nos acenasse. Andando desengonçados, usando sapatos, meias e bermuda, eles se destacavam na areia, mostrando-se solícitos que só com as banhistas disponíveis, como eu.

“Oi, eu sou o Pierre. Tudo bem?”, quis saber um deles numa manhã ensolarada de meio de semana. Olhei de cima a baixo aquele rapaz de barriguinha proeminente e calvície acentuada. “Bem, muito bem”, respondi com charme. O moço de camisa e bermuda verdes sentou-se ao meu lado, sem pedir licença, e começou a jogar uma conversa fora, repleta de elogios para a morena aqui. Apesar de ele não ser nenhum broto, parecia uma pessoa bacana. Pagou até um mate gelado com limão.

“Fernanda, que cor de pele linda que você tem…”, disse com um divertido sotaque francês. Minha amiga Nena se tocou, recolheu sua canga e voltou para casa no primeiro ônibus – ia enrolar um pouco na casa dela antes do expediente. Fiquei sozinha com o gringo. Passamos a manhã ali, olhando o mar e observando o movimento das pessoas. “Preciso ir para o trabalho”, interrompi de repente. “Eu estou nesse hotel, se quiser me ligar… Pode telefonar a cobrar, viu?”, falou, com um olhar pedante.Fui para o supermercado com o papel onde ele anotou o número. Já ia rasgá-lo e jogá-lo no lixo, quando mudei de ideia.

Mais tarde, pendurei num orelhão para ouvir a voz de Pierre. Quando encerrei meu turno no caixa, ele passou de táxi e me levou para jantar num restaurante bacana. Comi um prato com um nome estranho. Nem lembro direito qual era. Só sei que adorei. Meio altinho, o meu acompanhante gringo fez um brinde com uma taça de vinho: “Salute!” Respeitoso, não quis ir além disso. Apenas me beijou as mãos e me levou até as proximidades de casa.

Não quis que fosse até lá porque seria perigoso, aquele estrangeiro circulando na minha área barra pesada. Mesmo porque Dário poderia ver e arrumar encrenca. No dia seguinte, ao acordar, me arrumei com mais capricho para a praia. Dessa vez, alguém me esperava lá.