Aproximo um casal do outro em uma casa de swing

Ajudo os casais a se entrosarem na balada

Dentro da boite não pode fotografar, filmar, desrespeitar as pessoas e abandonar o próprio par
Foto: arquivo pessoal

De túnica, peruca loira e asas de anjo, me apresento a um casal: ”Cupido, às suas ordens! Posso ajudar a encontrar o par perfeito para vocês!”. E encontro mesmo. Acho que já reuni mais de 700 casais nos quartos e salas da casa de swing 2A2, no Rio de Janeiro, onde trabalho desde 2007. Minha missão é muito divertida: faço dois virarem quatro parceiros sexuais. 

Veja como funciona uma casa de swing

Essa tarefa é essencial para os iniciantes na boate. Em geral, eles chegam tímidos, desorientados. Então, eu apresento a casa noturna e me disponho a ser o ”amigo” dos recém-chegados. Ao longo da noite, volto a abordá-los para ver se precisam de algo e se curtiram algum outro casal. Se isso acontecer… dou uma forcinha.

O curioso é que iniciantes no swing geralmente se reconhecem entre si. Eles sempre ficam mais escondidinhos pelos cantos, observando tudo a distância. Quando vou falar com eles, o papo é sempre o mesmo: ”Não queremos fazer nada, viemos para olhar, não sei se estamos preparados”, dizem, castos. Daí, olhadinha vai, olhadinha vem, e eu dou os meus empurrõezinhos para ajudar a quebrar o gelo. Então, os casais engatam na conversa.

Já no fim da noite, lá pelas 4h30, vejo aqueles quatro parceiros – que antes juravam que estavam ali só para observar – descabelados, suados, meio entorpecidos. Aí, eu não aguento. Digo: ”Não iam subir, hein?”. E a resposta vem em forma de risinhos: tímidos, por parte delas, e sacanas, por parte deles.

Mas há os foras. Quando ajudo na escolha do casal, também estou encarregado de dar respostas negativas. Tudo acontece com muita tranquilidade: digo para os interessados partirem para outro casal, que com aquele ali não vai rolar nada. De quebra, já ajudo na busca de uma próxima opção.

A hora do xaveco

Desenvolvi algumas técnicas que são infalíveis: se o casal é mais preso, faço a linha séria. Agora, quando são mais soltinhos, entro no clima e até falo sacanagens, pra descontrair.

Mas, via de regra, é assim: ”Tem um casal bacana, meu amigo, que está a fim de um casal igualmente bacana. Daí pensei em vocês. Vamos conversar a cinco? Vergonha? Vergonha tinha que ter eu, que estou vestido com essa roupa ridícula, pagando mico”.

Também há os casais ”fiéis”, que são clientes fixos da casa. Quando chegam, logo sei quem buscam: o mesmo casal das noites passadas! Dá até pra sentir uma intimidade entre eles. Vira quase um casamento a quatro.

Quem fica com quem

Cada casal tem sua preferência na escolha. Iniciantes geralmente se sentem mais à vontade com iniciantes. Os mais velhos quase sempre se interessam pelos mais velhos.

Há o casal de mais idade que sente atração pelo casal mais jovem, ou seja, o coroa que adora uma garotinha e a coroa que curte um garotão. Há também aqueles que nem querem saber muito como é o outro casal, só querem saber do sexo e ponto final. E há os que chegam com um objetivo claro: transar com outra garota e só. Quando essa proposta aparece, aviso que o pacote também deve incluir o acompanhante. É norma do swing!

Pode ou não pode?

Lá dentro, não pode fotografar, filmar, desrespeitar as pessoas e abandonar o próprio par. Se entrou com o namorado, tem de sair com ele. Ambos podem conhecer outros casais, transar com outras pessoas ou só assistir… E se um casal estiver só olhando, nada de ir passando a mão! Caso isso aconteça, o segurança manda embora quem burlou o jogo.

Outra regra é a proibição da entrada de prostitutas na casa. O swing é um estilo de vida. É a troca de casais comprometidos. Logo, tem que ser comprometido para participar. Já aconteceram fatos bem engraçados por causa disso.

Como entrei nessa

Comecei com um trabalho de ator. Eu ia fantasiado às festas para animar o pessoal. Passava cantadas em casais a pedido de outros, mandava bilhetinhos. Até que a ideia fez sucesso, e o dono pediu que eu virasse promoter. Hoje, vou todas as noites e faço a recepção da boate. Nas festas que organizamos, fico caracterizado.

Também recebo cantadas. É comum as pessoas misturarem as coisas e pensarem que também estou lá para isso, mas aprendi a lidar com bom humor e simpatia.

Tudo isso faz parte do trabalho, que levo bem a sério. Jamais posso entrar na brincadeira a quatro. Funcionários estão proibidos de subir ao segundo andar, onde as coisas quentes acontecem. Só subimos na abertura da casa, para mostrar o lugar aos iniciantes.

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