Casei com um amigo da minha filha

Conheci o Paulo na festa de 15 anos da Cristina. Ele me procurou no dia seguinte

Tudo começou na festa da minha filha
Eu e o Paulo estamos juntos há 18 anos.
Foto: arquivo pessoal

Na festinha de 15 anos da minha filha, o Paulo era o único amigo da Cristina que eu não conhecia. Reconheci de cara aquele perfume. “Você gostou?”, ele me perguntou. Muito! 

Achei-o muito maduro para alguém de 18 anos. Além do vocabulário correto, sem gírias, ele demonstrava grande sabedoria. Aceitei de bom grado o pedido do Paulo para dançar. Afinal, eu estava separada do pai dos meus filhos há oito anos.

Não senti nada especial durante a dança, até porque o Paulo não fez nada. Educado, ele só foi embora depois de ajudar a arrumar tudo. 

No dia seguinte, o Paulo foi lá em casa e passou o dia conosco. Na despedida, o acompanhei até o portão, e ele me beijou.

Namoro sem compromisso

Depois do beijo, o Paulo passou a vir sem avisar. A gente ficava sem compromisso. Às vezes ele sumia um mês. Eu sabia que ele tinha namoradinhas, mas não ligava. Queria curtir os momentos em que estávamos juntos. 

Meus três filhos nunca tiveram ciúmes do Paulo. Sempre me dei bem com os meninos, a ponto de irmos juntos ao bar. 

A coisa foi ficando séria naturalmente: o Paulo passou a ir cada vez mais em casa e conquistou um espaço na família. No começo eu tinha vergonha de sair com ele. Quando percebeu, o Paulo fez questão de me levar a todos os lugares. 

A família do Paulo não gostou de saber que a namorada dele tinha três filhos. Por isso, ele veio morar comigo. Deu certo. 

Depois de um ano junto comigo, o Paulo decidiu voltar para a casa da mãe. Ele precisava cuidar dos três irmãos menores, pois o pai deles tinha falecido. Decidimos manter o casamento em casas separadas. Em menos de uma semana o Paulo voltou.

Vovô de 37 anos

Eu e o Paulo completamos 18 anos juntos em abril. Estou com 51 anos e ele, com 37. A diferença de idade não pesa, tanto que o Paulo é mais ciumento do que eu. 

Nós não tivemos filhos juntos. Em compensação, meus filhos não poderiam ter tido um padrasto melhor. Meus três netos, então, fazem questão de chamá-lo de vovô, inclusive o que tem 10 anos. 

Alguém já viu avô de 37 anos? Pois o Paulo é o avô mais orgulhoso que eu conheço. Na nossa família, a idade está no espírito, não no RG.

”Ele entrou comigo na igreja”

Cristina Michelini, 33 anos, coord. de vendas, Ribeirão Preto, SP

”Conheci o Paulo no ônibus. Não dei muita atenção a ele na minha festa, coitado, porque o meu paquera estava lá. Minha mãe foi conversar com ele por pena… No começo eu não via o Paulo como padrasto. Com o tempo, ele se tornou um pai de verdade, a ponto de entrar na igreja comigo no meu casamento.”