Ela é elástica e muda de cor: 15 curiosidades sobre a vagina

Reconhecer a vagina como uma parte do corpo tão importante quanto o rosto ajuda a melhorar a higiene, a saúde e o prazer sexual

A sexualidade, especialmente a feminina, ainda é vista como tabu por muita gente. Está ao nosso redor: não é nem um pouco raro conhecer mulheres de todas as idades e classes sociais que nunca tocaram na própria vagina (a não ser para lavá-la).

“Quando meninas, muitas mulheres foram ensinadas a associar a genitália a algo feio e sujo”, afirma a ginecologista Tânia Valladares. “Se, ao invés disso, tivessem sido orientadas a reconhecer a vulva e a vagina como partes do corpo tão preciosas quanto o rosto ou outros órgãos, provavelmente não veríamos esse desconhecimento tão grande, que pode levar inclusive a problemas de higiene e a doenças.”

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Mas sempre é tempo de mudar e finalmente conhecer melhor a vagina. Segundo Flavia Purcino, ginecologista do Instituto Horas de Vida, assim se ganha saúde, autoconhecimento e uma vida sexual melhor. “Uma mulher que conhece bem a própria vagina sabe se higienizar de forma adequada no dia a dia e no ciclo menstrual, sabe prevenir doenças como infecção urinária e DSTs. Sabe, também, reconhecer os locais e formas de estímulo que lhe dão prazer sozinha ou com outra pessoa”, diz.

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Com a ajuda de Flavia, Tânia, da ginecologista e obstetra Erica Mantelli e de estudos sobre sexualidade, reunimos 15 curiosidades sobre a vagina, para que todas as mulheres possam se familiarizar melhor com essa parte tão importante do corpo.

1. A vagina é apenas uma parte a genitália feminina

Embora seja comum chamar tudo que está ~lá embaixo~ de vagina, ela é apenas uma parte da genitália: é o canal que vai da vulva (a parte externa que inclui os pequenos e grandes lábios, o clitóris e o períneo) até o cérvix (a porção inferior do útero), com comprimento de 7,5 cm a 10 cm. De toda forma, popularmente é tudo vagina, e não tem nada de errado em manter a nomenclatura. Ruim é não falar sobre ela. 

2. Não existe um formato padrão para a vagina

A vagina é que nem a impressão digital: pode até ser meio parecida entre algumas pessoas, mas cada uma terá o seu próprio formato, seu próprio desenho. Para provar esse ponto, o artista plástico britânico Jamie McCartney criou a obra “Great Wall of Vagina”, composta por esculturas de 400 vaginas de voluntárias de todos os perfis. Tem mãe e filha, irmãs gêmeas, amigas… E cada vagina é diferente das outras. Aí vale a reflexão: qual é o sentido de fazer cirurgia plástica estética na vagina, não é mesmo?

Um dos painéis da Great Wall of Vagina, trabalho do artista plástico Jamie McCartney

Um dos painéis da Great Wall of Vagina, trabalho do artista plástico Jamie McCartney (Great wall of vagina/Divulgação)

3. Mas alguns formatos de vagina podem atrapalhar o prazer sexual

Flavia conta que algumas mulheres sentem dor durante a relação sexual pela entrada dos pequenos ou dos grandes lábios genitais na vagina. Nestes casos, a cirurgia plástica é uma indicação clínica, não estética, e pode melhorar muito a vida sexual da mulher e do casal.

4. A cor da vagina não segue a cor da pele da mulher

Você pode ser branquinha e ter a vagina meio marrom ou roxa, você pode ser negra e ter a vagina clarinha; ela não segue o padrão de pigmentação do resto do corpo. Além disso, os pequenos lábios genitais podem ter uma coloração diferente da parte externa, e serem mais pálidos ou mais escuros que o resto. Olhou pelo espelho e viu essas diferenças? Relaxa, está tudo dentro do esperado.

5. A vagina muda de cor de acordo com a fase da vida

Na infância e na velhice, a vagina é menos escura, independentemente da etnia da mulher. Quando entramos na idade fértil, ela fica mais escura. E na gravidez, mais escura ainda. Isso ocorre pela ação dos hormônios, que estimulam a produção de melanina nessa região e também nas axilas.

6. A vagina é elástica e não deforma

A vagina pode aumentar de tamanho em até 200%, conta Erica. “Isso ajuda tanto para a penetração durante a relação sexual quanto para facilitar a passagem do bebê em um parto normal”, explica a ginecologista e obstetra. E não há motivo para medo de ficar “alargada”: as dimensões normais de cada mulher são recuperadas em horas depois de uma relação sexual e em poucos dias depois do parto.

7. Nem toda vagina tem hímen

Além de serem uma bobagem machista e moralista, os exames de virgindade são completamente furados. Isso porque nem toda mulher nasce com hímen – sim, uma mulher pode nascer já sem essa membrana. Por isso – e também porque a elasticidade dos himens que existem é variável – muitas mulheres não sangram na primeira relação sexual.

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8. Ninguém fica virgem de novo por falta de uso da vagina

Depois de um período de seca você pode ficar com os músculos vaginais tensos para a volta às relações sexuais, mas isso se resolve já na primeira lubrificação. Fique tranquila: não existe ficar virgem de novo. De toda forma, para que chegar a este ponto de tensão? Se não tiver com quem fazer sexo, se dê prazer pela masturbação e, de quebra, evite essa tensão muscular.

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 (b-d-s/Thinkstock)

9. Bactérias do intestino podem afetar sua vagina

Por ser muito próxima da região anal, a vagina pode ser afetada por bactérias intestinais que saem pelas fezes. Evitar isso é simples: basta adotar bons hábitos de higiene e manter a região sempre limpa. Conte com a ajuda de duchas e de lenços umedecidos para limpar a vagina externamente quando a situação intestinal estiver mais dramática.

10. A vagina é autolimpante

Mas não precisa fazer uma limpeza interna na vagina, seja com a ducha ou com qualquer outro artifício. A vagina se limpa sozinha. Quando fazemos xixi, o líquido arrasta para fora células mortas da parede vaginal, excessos líquidos e bactérias.

11. Exercícios podem ajudar a tonificar os músculos vaginais

Músculos vaginais tonificados são sinônimo de mais controle da região durante o sexo e mais facilidade de chegar ao orgasmo. O exercício é simples e pode ser feito até enquanto você estiver trabalhando ou no trânsito: faça força como se estivesse segurando o xixi,  mantenha isso firme por 10 segundos e relaxe. Repita de 20 a 40 vezes por dia (pode ser em sequências de 5 ou de 10 repetições). Você logo notará a diferença.

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12. O odor vaginal muda de acordo com a situação

Nada de tentar ~disfarçar~ com sabonetes ou lencinhos umedecidos: a vagina tem cheiro de vagina e isso não é ruim – se estiver ruim e acompanhado de corrimento colorido, é bom procurar uma ginecologista para investigar a presença de alguma doença. O cheiro regular é suave e fica mais ácido antes da menstruação e mais intenso depois dela. Durante o sexo também é normal haver um odor um pouco mais forte, causado pela lubrificação.

13. A vagina tem mais terminações nervosas do que o pênis

Essas terminações nervosas estão no clitóris e são cerca de 8 mil. O pênis tem 4 mil terminações nervosas.

14. A acidez da vagina é semelhante à do vinho

O pH normal da vagina varia entre 3,8 e 4,2, enquanto o do vinho fica entre 3,5 e 4. Quando quiser receber sexo oral, pode usar essa explicação para dar aquela forcinha argumentativa. 

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15. No sexo, a vagina responde ao cérebro

Todos os estímulos feitos por mãos, línguas, órgãos sexuais e brinquedinhos eróticos durante o sexo são primeiro enviados ao cérebro e depois à vagina. Sentindo os estímulos, o cérebro produz hormônios e neurotransmissores como a ocitocina, que aumentam o fluxo de sangue e o relaxamento dos músculos da região genital. Com isso é produzida a secreção lubrificante que facilita a penetração, e as terminações nervosas ficam mais sensíveis e responsivas. O resultado é um belo de um orgasmo. Ou seja, seu orgasmo vem do cérebro – e pode ser prejudicado quando você está estressada, por exemplo, porque além da ocitocina o cérebro produz muita adrenalina, que impede que os eventos cerebrais descritos aqui em cima ocorram normalmente.

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