Meu noivo adora usar as minhas calcinhas

Foi estranho no começo, mas deixei os preconceitos pra lá e entrei na fantasia do Marcel

Meu noivo adora usar as minhas calcinhas

Em casa, ele veste fio-dental e camisola, 
e eu uso as cuecas do meu amor
Foto: arquivo pessoal

Conheci meu namorado Marcel em um site de relacionamentos há quatro anos. Conversávamos todos os dias em inglês pela webcam: ele na Holanda, onde nasceu, e eu no Brasil. Com quatro meses de namoro, ele veio me conhecer. Frente a frente no aeroporto, era como se fôssemos íntimos. De lá, fomos direto pra Ubatuba, no litoral paulista.

Levei um susto quando meu namorado apareceu usando uma sunga fio-dental. Não contive o riso. Ele olhou feio e disse que nas praias da Holanda era normal. Virou de costas e mostrou o bumbum. ”Bom, aqui vão chamar você de gay, meu bem”, avisei. Pra falar a verdade, até desconfiei da sexualidade dele.

”Eu não sou gay e você não deveria julgar uma pessoa pela roupa”, ele respondeu, ofendido. Eu já tinha visto aquele tipo de sunga em sex-shops e percebi que eu, de fato, estava sendo injusta com alguém que cresceu em outra cultura. Então, não encanei com aquilo e fizemos as pazes.

Eu achava ridícula a sunga fio-dental dele

Da praia, fomos à casa da minha família em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Quando estávamos sozinhos, o Marcel vestia a sunguinha ousada, mas só entre quatro paredes. Ele achava que me seduzia e eu fingia que gostava, mas achava ridículo. Eu só entrava na brincadeira pra não chateá-lo.

Depois de oito meses, o Marcel voltou ao Brasil – a sunga não veio com ele. Mas um dia estávamos em um motel e, quando eu saí do banho, lá estava meu namorado vestindo meu robe preto de cetim. ”Meu amor, é delicioso tocar nesse tecido”, ele disse.

Percebi que tecidos finos faziam parte de um jogo de sedução para o Marcel. Ele me visitou mais quatro vezes nesses quatro anos de namoro. Em todas elas, sempre estranhei o fascínio dele pelas minhas lingeries. Mas nada se compara ao susto que levei quando fui à Holanda.

Ah! Ele estava com a minha calcinha rosa embaixo das cobertas

Como planejávamos nos casar, eu precisava ver se me adaptaria aos costumes holandeses. Passei dois meses na casa do Marcel. No segundo dia, ele fez um jantarzinho, ficamos assistindo tevê, tudo bem romântico.

Já era mais de dez da noite quando fui tomar banho. Estava frio, uns 9oC abaixo de zero. Quando apareci no quarto, ele estava embaixo das cobertas. Puxei o edredom e surpresa: meu namorado vestia a minha calcinha. Rosa! De renda!

”Não é igual à minha sunga?”, ele perguntou. ”Mas tem renda, né?”, respondi. Ele virou de costas e disse: ”Ficou grande”. A calcinha não era fio-dental como a sunga dele… Pra mim, aquilo não passava de uma brincadeira. Nós rimos, ele beijou meu pescoço e fizemos amor de uma forma linda…