Meu segredo – Conto de Amor e Sexo

Um mês após a separação, Maria reencontra a felicidade nos braços de Elias, mas mantém o romance em segredo

Foto: Getty Images

“Aguenta mais um pouquinho”, eu dizia, enquanto dirigia. Tentava ser bem discreta ao entrar em minha cidade, um lugar tranquilo do interior de São Paulo. Vez ou outra ouvia um barulhinho, sinal de que estava tudo bem. “Só mais um pouco, amor…”, insistia, tomando cuidado nas lombadas.

De repente, no semáforo, o motorista ao lado me reconheceu. “Boa-noite, Maria, tudo bem?”. Era Gigio, o dono da funilaria perto de casa. Sorri, tentando controlar o nervosismo. “Estou ótima…”, respondi. Ele continuou olhando, como se desconfiasse de algo: “Tem uma batidinha no porta-malas. Passe na oficina e vejo isso para você!”, disse, simpático.

O farol parecia estar contra mim. Tinha a sensação de que não abriria nunca mais. “Pode deixar, Gigio. Assim que tiver uma folga, vou lá!”, respondi. Só respirei aliviada quanto o sinal verde surgiu.

Minutos depois, parei no mercadinho para comprar o jantar. “Vou demorar só uns minutinhos!”, exclamei, olhando pelo retrovisor para o banco vazio atrás de mim. Claro, encontrei muita gente conhecida. “Menina, fiquei sabendo da sua separação. Que triste…”, comentou Etelvina, uma amiga de longa data de minha mãe. Fiz cara de luto e continuei. “Maria, seu pai está em casa hoje? Preciso conversar com ele…”, perguntou o dono do mercadinho, Chiquinho. Fiz sinal positivo.

“Desculpe a demora”, falei, ao entrar de novo no carro. Acelerei, com a mesma cautela de sempre e, finalmente, cheguei em casa. Como já esperava, meus pais estavam na varanda. Suando, guardei o carro e fui até eles. “O carteiro deixou essas cartas para você!”, contou meu pai.

Enquanto tentava disfarçar minha preocupação, abri um dos envelopes. Era do meu ex-marido: “Volte para mim. Eu nunca quis trair você!”, escreveu com os garranchos costumeiros. “É dele, não é?”, perguntou minha mãe. Fingi tristeza. Por dentro, queria que ele desaparecesse.

“Bem, gente, vou fazer o jantar…”, revelei voltando ao carro. “Pronto, amor!”, murmurei ao me aproximar. Encostei junto à porta, onde ninguém poderia vê-lo. Abri o porta-malas: “Ufa, já estava sem ar…”, falou Elias, o homem que eu estava escondendo de todos. “Um dia, eles precisarão saber que você tem outro”, murmurou aquele mulato lindo, do alto de seus 1,90 m. Batemos a porta para que ninguém flagrasse o beijo daquele casal extremamente apaixonado… e proibido!