Namoro um cara da favela

Sou simples e nunca aconteceu de o Evandro se sentir deslocado comigo

Queremos casar. Por mim moraria na Rocinha, mas ele não quer
Foto: Arquivo pessoal

Cresci na zona sul do Rio de Janeiro e estudei nos melhores colégios da cidade. Sou a caçula de uma família de quatro irmãos e meus pais nos proporcionaram uma vida confortável. Fiz faculdade, sou fisioterapeuta e trabalho numa clínica chique. Mas não tenho o nariz em pé. Nunca fui de freqüentar boates badaladas. Até hoje, quando quero me divertir vou aos bailes funk das favelas.

Na adolescência meus pais achavam perigoso eu subir morros. Mas depois relaxaram. Afinal, eu ia todo fim de semana e nunca aconteceu nada comigo. Confesso, é no baile funk que me sinto em casa. Gosto do clima, das músicas. Acho tudo mais autêntico do que nas festas de patricinhas e mauricinhos, onde todo mundo fica reparando nas roupas dos outros.

Já tive outros que viviam na favela

Foi num baile funk que conheci o meu atual namorado, o Evandro, também de 25 anos. Faz uns sete meses que estamos juntos. Confesso que achei o Evandro metido e, por isso, nunca pensei que ele morasse na favela da Rocinha, a maior do mundo. Mas logo descobrimos afinidades, como o prazer de ir ao cinema, dançar e malhar. Ainda assim, não rolou nada de cara. Ele me conquistou aos poucos.

O Evandro não é o primeiro namorado que tenho que mora na favela. Só tive três na vida. O primeiro morava muito perto de uma comunidade de Laranjeiras. O segundo, com quem fiquei oito anos, era de morro em Copacabana. Agora o Evandro. Conversando sobre isso concluímos que sou chegada a um favelado!

Rola preconceito, sim

A gente tem planos de se casar. Por mim moraria na Rocinha mesmo, mas ele não quer. Diz que sempre morei em lugares legais, que não é justo eu ir parar na favela por causa dele. Mas eu acho que me daria muito bem lá. Gosto dos churrascos e do sambinha no domingo. Acho o povo alegre e divertido.

Apesar disso, tenho amigos que ainda acham que meu namoro é fogo de palha. E alguns têm preconceito. Dia desses estava contando para uns colegas que estava saindo da casa do meu namorado para ir para o trabalho quando a polícia chegou. Nossa, ficaram passados porque eu tinha dormido no morro!

Essa história de que o morro é mais violento do que o asfalto não existe! Já aconteceu várias vezes de eu e o Evandro sermos parados pela polícia. Mas mostramos nossos documentos e fomos liberados. Ah, nada demais.

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