Sou um galinha recuperado … Achou que era lenda?

Larguei a vida de safadeza e decidi racionalmente quem seria a mulher da minha vida. O amor veio com o tempo. Sou muito mais feliz agora!

Tudo foi consequência de uma desilusão 
amorosa que tive durante a adolescência
Foto: arquivo pessoal

Eu era o típico galinha. Pra mim, amizade entre homem e mulher não era possível. Só interesse. Eu me via como um caçador. Quando a presa estava na minha, eu partia pra outra. Meu namoro mais longo havia durado um mês.

Um dia, num encontro com meus amigos, tive um clique. Quando surgiu o papo sobre relacionamentos, contei, todo orgulhoso, sobre mais uma das minhas conquistas amorosas.

Acontece que nesse dia meus amigos me colocaram contra a parede. ”Qual é o seu objetivo levando a vida sem compromisso?”, perguntaram. ”Você acha que tem tudo, mas é ilusão.” E eu fui encolhendo… ”Você não constrói relação com ninguém!” Aí doeu. Poxa, essas palavras mexeram comigo. Eu estava com 23 anos e precisava mesmo entender o motivo do meu comportamento irresponsável com as mulheres.

Descobri a razão de ser galinha

Passei noites em claro pensando naquela conversa. Descobri que grande parte das minhas amizades com mulheres era apenas para usá-las como troféus. Quantas expectativas frustrei! E ainda me sentia orgulhoso! No fim das contas, eu acabava sozinho, sem ter em quem confiar. 

Mas o melhor de tudo é que acho que entendi o porquê desse meu comportamento. Pra mim, tudo foi consequência de uma desilusão amorosa que tive durante a adolescência. No encontro seguinte, eu disse que o papo da semana anterior tinha acabado comigo. Eles nem me levaram muito a sério. Eu afirmei, bem sério: ”Vou mudar o rumo da minha vida. Vou encontrar alguém para me dedicar e construir uma família”. 

Entendi por que eu só aprontava
Eu tinha 14 anos quando me apaixonei pela primeira vez. Mas fui traído na cara dura! Vi com meus próprios olhos minha garota ficando com outro. Nossa, como eu sofri! Depois disso, nunca mais me entreguei num relacionamento. É como se estivesse sempre me vingando dessa primeira namorada. Fiquei com medo de sofrer. E só percebi isso muitos anos depois, quando meus amigos me abriram os olhos.

Controlei meus impulsos e busquei conselhos

Nesse momento decisivo da minha vida, lembrei de uma antiga namorada, a Catarine. Depois que terminamos um namoro relâmpago, continuamos nos falando por telefone. Ela sempre me ouvia, até mesmo sobre outras garotas. E sempre me aconselhava a não ser tão cafajeste.

Marcamos de nos encontrar num shopping. Ela olhou no fundo dos meus olhos e disse: ”Apesar de tudo que você fez comigo, meus sentimentos por você não mudaram. Se me pedisse em casamento, eu não negaria”. Meu corpo estremeceu.

Percebi que eu era realmente especial para alguém. Era uma decisão pra vida inteira. Eu não me perdoaria se a magoasse mais uma vez. Então, disse que iria refletir. Procurei um amigo casado havia nove anos pra me aconselhar. Eu achava a Catarine bonita, cuidadosa e compreensiva comigo, mas confesso que não a amava. 

Laços de amor
O Márcio, meu amigo que tinha um casamento legal, me disse: ”Karl, muitas vezes o amor nasce de uma decisão. Você tem que investir num relacionamento para fazer brotar o amor. A paixão é como uma tempestade, o amor envolve laços maiores de amizade e cuidado”.

Acabei me apaixonando perdidamente

Fiquei confuso. Não sabia se seria capaz de me entregar a ponto de dizer ”eu te amo” para alguém. Pensei mais uma semana e decidi tomar uma atitude madura e consciente. A Catarine seria a mulher da minha vida. Eu a amaria para sempre, mesmo sem saber ao certo o que era o amor. Foi uma escolha totalmente racional.

Uma semana depois, eu disse que estava disposto a investir no nosso relacionamento. Ela ficou receosa, mas aceitou. Difícil mesmo foi fazer os pais dela acreditarem nas minhas boas intenções. Nos quatro primeiros meses de namoro, vi que meu amigo Márcio estava certo. Minha namorada estava me conquistando.

Casei e estou mais feliz que na época da azaração!

Pela primeira vez na vida eu estava realmente envolvido. Marcamos o casamento. Começamos a correr atrás dos preparativos. Eu curtia cada detalhe. O amor começou a aparecer. Abri meu coração e deixei as coisas acontecerem. Quando percebi, estava completamente apaixonado por ela.

A vida me ensinou uma grande lição: o amor não começa com um olhar ou com um toque, mas com a decisão de dedicar a vida para a felicidade da outra pessoa. Hoje me sinto muito mais realizado do que na época da azaração. O melhor foi descobrir que, para ver a Catarine feliz, tenho que seduzi-la todos os dias! Estamos juntos há cinco anos e nossa filha Ester tem dez meses. Digo sem pestanejar: tomei a decisão certa!

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