Modelo e influencer Ray Bregiatto conta como venceu a depressão e a síndrome do pânico

A influenciadora expõe que um conjunto de situações como problemas com peso, anorexia, e bullying sofrido na escola foram gatilhos para que a depressão e ansiedade se desenvolvessem

A infância de Ray Bregiatto foi marcada por problemas familiares. O ambiente familiar associado aos constantes ataques que sofria na escola por conta da aparência desenvolveram na influenciadora questões como autoestima baixa e estado de melancolia frequentes.

Porém, o auge dessas questões vieram na adolescência, quando a crises de tristeza eram bem mais frequentes e alteravam até mesmo a forma como se comportava. “Eu me sentia como uma bomba-relógio prestes a explodir. Tinha surtos, crises de raiva, me sentia desmotivada, triste do nada e cada vez mais apática. Não entendia muito bem a situação ou o porquê daquilo.”

A influenciadora também convivia como crises de pânico tão intensas, que houveram momentos em que não conseguia sair de casa — pois tinha medo de andar na rua—,  e ficar em lugares muito fechados. Em alguns episódios, relata que acordava no meio da noite com falta de ar. O pânico surgia até quando estava dormindo.

Apesar das nomenclaturas não serem tão divulgadas na época, Rayane enfrentava depressão e síndrome do pânico. “Lembro que tudo desandou de vez na adolescência, tinha muito estresse, cobranças e decepções com pessoas a minha volta. Quando constatei isso, foi muito difícil para mim e todos aqueles sentimentos negativos afloraram de vez”. Foi quando optou por buscar ajuda médica. Já na primeira consulta, veio o diagnóstico: depressão e síndrome do pânico.

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Falta de apoio

Além das inseguranças, Ray conta que a doença provocou uma dificuldade de se concentrar nos conteúdos, pois constantemente se pegava “aérea”, com problemas de atenção e conexão de pensamentos. O problema foi tão significativo que para não prejudicar a vida acadêmica, chegou a comunicar sua condição a escola por meio de laudo médico, mas o efeito não foi o esperado.

“Eu levei o documento para que eles soubessem, para receber uma atenção especial e não foi o que aconteceu. Estava em uma escola renomada, particular, constante precisava sair para ir ao médico ou quando tinha crises de pânico, pois era um local muito fechado no qual permanecia por horas. Com as medicações, eu ficava muito sonolenta, acabava dormindo na aula e isso tudo me prejudicou, pois os professores não entendiam. Não levam minha doença a sério”, desabafa.

Em muito momentos, a influenciadora sentia ainda mais o peso da solidão e do medo de ser incompreendida no ambiente escolar. “Não podia contar para as pessoas, sabia que não iam entender o que eu estava passando. Inclusive foi até uma recomendação médica, manter a situação em sigilo, para evitar estresse. Nessa fase, o bullying era diferente, por conta das medicações eu estava sempre sonolenta, mudei do nada e as pessoas não entendiam e pra eles era engraçado ”, relembra.

A incompreensão chegou a extremos tão significativos que Rayane quase reprovou de ano e teve que entrar com processo contra a instituição para evitar a situação. Com o parecer favorável, conseguiu atestar a falta de apoio docente e que as médias baixa eram propositalmente lançadas para que Rayane não concluísse o ensino médio.

Tratamentos alternativos

A medida que o tratamento prosseguia, as medicações receitadas pelo psiquiatra estava provocando um efeito rebote na influenciadora , piorando a situação . O método tradicional para depressão — sessões com psicólogo e antidepressivos —, não funcionaram.

Por diversos sintomas como estar constantemente sonolenta e sem disposição para conversar — devido a desordem de pensamentos e déficit de atenção, que a limitava de sem conseguir realizar suas atividades—, sentiu a necessidade de procurar outros tratamentos alternativos.

Ao invés de remédios, procurou algo que lhe trouxesse a sensação de estar viva. .“Eu nunca saia melhor da terapia, passava pela porta e me sentia pior do que quando tinha entrado, quase um zumbi — remédios me deixavam apática. Na maioria dos dias, era como se eu estivesse em um pesadelo que nunca iria passar”.

A virada no tratamento aconteceu quando entendeu que existiam duas fases que precisavam de cuidado: a física e a espiritual. “Fui criada na igreja católica, mas durante a depressão me deparei com outra religião: o kardecismo. Foi como se eu tivesse me encontrado, me deu muita força. Cada vez que eu ia eu me renovava e comecei a separar a partir dali, o que era corpo e o que era alma, e como eu precisava cuidar dela também”.

De acordo como a influenciadora, foi nessa fase que se apegou a Deus e se sentiu interessada por questões como espiritualidade e energia. “Não tenho uma religião específica, minha religião é Deus e hoje posso dizer que sou mais espiritualizada e próxima dele”.

Além da religião, Rayane Bregiatto também buscou tratamentos alternativos como meditação — a qual pratica com Helio Couto, Louise Hay—, física quântica, terapia através da Hipnose — Sociedade Interamericana de Hipnose— e sessões de Coaching.

Durante sua busca, também conheceu a Programação Neurolinguística (PNL) — técnica de reprogramar a mente e superar traumas do passado. “Busquei me cercar de coisas que de fato fizessem efeito e que provocassem em mim o estímulo e o poder de me auto curar , reprogramar a minha mente, como um software, e foram essas teparias que me livraram da doença”.

O canal no youtube também foi mais um artifício que veio para somar na superação da depressão. Ray ingressou na plataforma para compartilhar experiências vividas, ajudar pessoas e se aproximar de seus seguidores. Apesar de nunca ter colocado o assunto em pauta nos vídeos, produzir conteúdo foi fundamental para que Rayane se sentisse parte de um todo e importante no mundo novamente.

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Superação

Mesmo denominando a fase como uma das mais complicadas de sua vida, Ray Bregiatto conta que aprendeu muito sobre si e como estabelecer uma relação saudável com o mundo. “Foi o momento mais difícil da minha vida, mas também o mais transformador. Conheci mais sobre o que eu sou, o que eu quero, a respeitar meus sentimentos. A separar a minha alma do meu corpo, a entender que preciso parar, olhar, e cuidar muito mais do interior ”.

Curada, a influenciadora atualmente zela para que a doença não se desenvolva novamente: os métodos se tornaram o estilo de vida dela. “É como se fosse uma plantinha, tenho que me cuidar e me regar todos os dias”, explica.

Técnicas como Coaching, Reiki, barra de acess — realizadas com Claudia Ferreira— e sessões de terapia Hipnótica são incorporadas a rotina de cuidados. “O coaching me ajuda muito a organizar minha vida , pensamentos, auto estima inteligência emocional, já a hipnose me trata de questões interiores, traumas sejam atuais ou antigos, reprogramar a mente, trabalham o desenvolvimento da minha inteligência emocional também e a faz com que eu atinja meus objetivos”. Ray Bregiatto ainda comentou que também gosta muito da acupuntura, aromaterapia, florais, terapia do som com mesa lira, terapia quântica!

Segundo a influenciadora, o fato da depressão e síndrome do pânico não ter um gatilho específico é um motivo de alerta. “Temos que dar mais atenção para o nosso interior. Na correria do dia a dia a gente acaba esquecendo de parar um pouco, olhar para dentro, reparar o que estamos sentindo e se cuidar, mesmo com coisas simples como escutar uma música que gosta, meditar, sentir algum aroma que goste, estar em contato com animais, com a natureza, fazer alguma viagem, ter um momento só seu. Isso é essencial para que no mantenhamos saudáveis e principalmente, felizes”, diz.

Lições

Quando estava com Depressão e Síndrome do Pânico, Rayane estava no último período do ensino médio e quando a escola solicitou um trabalho de conclusão de curso, o tema que eu escolhido foi a Depressão Infanto-Juvenil.

O objetivo da jovem era que professores e alunos entendessem tudo que viveu quando estava como a doença, além de ter mais conhecimento para ajudar pessoas. “Uma de minhas descobertas foi que a depressão pode ser causada por motivos como traumas, diversos fatores externos como o ambiente em que vive. Assim como internos, a exemplo de desequilíbrios químicos no cérebro ou até mesmo por algum fator genético.”

“Na época se falava muito que até 2020, a depressão seria o mal do século. E é exatamente o que estou vendo nas pessoas ao meu redor hoje em dia”. Com toda experiência e por toda a observação, Ray Bregiatto garante sabe seu propósito de vida: emanar amor e ajudar pessoas.

Devido ao alcance que atingiu na internet, a influenciadora conta que está construindo causas sociais para poder auxiliar pessoas . “Hoje enxergo que tudo está em nossa mente. Ela possui poder de cura. Se você está doente fisicamente, mentalmente, se curar é possível. E isso só ocorre quando há mudança nos padrões de pensamentos e estilo de vida. Eu acredito no poder da mente, sou a prova de que existe cura quando se tem fé e força.”