Assim como na Copa do Mundo de Futebol Feminino, mulheres batem um bolão na área de vendas

Estratégia de jogo, leitura da equipe adversária e da partida e a resiliência são características em comum de quem precisa marcar o gol todos os dias

Próxima do seu desfecho, a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2019 deixa muitos gols marcados para a nova geração e muito aprendizado para quem lidará com elas. Mais popular do que nunca, a FIFA, que tinha a expectativa de atrair a atenção de 1 bilhão de pessoas em 135 países está recalculando as projeções após alcançar grandes marcos em vários cantos do planeta, o que inclui o Brasil, a Espanha, a Holanda, os Estados Unidos e até mesmo a sede França. Mas, o grande ganho está em observarmos um cenário muito mais democrático: homens e mulheres especialistas, dentro e fora de campo, exaltando e reconhecendo o profissionalismo e a capacidade técnica daquelas que há 40 anos eram proibidas de ocupar esses espaços. 

A estratégia de jogo, o preparo físico, a leitura da equipe adversária e da partida e a resiliência foram algumas das características que levaram a jogadora Marta, da seleção brasileira, a ser eleita por seis vezes a melhor do mundo. E também são essas características que fazem com que as profissionais de diferentes áreas “batam um bolão” em tudo aquilo que se propõe a fazer.

No segmento de vendas, por exemplo, que exige muita ginga para driblar a concorrência e os desafios e visão de jogo para enxergar as oportunidades que compõe o plano tático que faz o fechamento do pedido ser o tão esperado gol de placa, o instinto apurado e a capacidade de direcionar a atenção para as necessidades que nem sempre se mostram claras em um primeiro momento de conversa com o potencial cliente são o diferencial feminino. 

É o caso de Ana Júlia Romani, head de vendas da RP Trader, startup de prospecção e vendas B2B que utiliza métodos direto do Vale do Silício para terceirizar todas as etapas de venda dos negócios. Com apenas 20 anos, a profissional é destaque no mercado ao liderar uma equipe e já ter atendido cerca de 30 contas. “O esporte é uma inspiração. Marta, Cristiane, Formiga e todas as meninas que sonham um dia chegar nessa seleção precisam acordar todos os dias e vencer uma realidade formada por adversidades. No meu ambiente também é assim. O que nos difere é que o meu ambiente de trabalho me garante as melhores condições de formação e desenvolvimento, mas para performar é preciso disputar espaço e ser maior que o adversário.”

Vestir a camisa e tocar a bola também é um atributo reconhecido. As vendedoras estabelecem uma conexão com seus pares e fazem passes precisos para que os resultados esperados pela empresa sejam alcançados de maneira tranquila porque se conectam com os interesses dos clientes. 

“A partir do momento em que entendem a preleção é possível criar oportunidades de vendas e de negociação capaz de fazer o time ganhar de goleada, independente da idade. Nós percebemos ao longo das operações que, em geral, elas focam em metas realistas, que servem de motivação para o time e que dificilmente param o jogo na metade. As negociações conduzidas por mulheres tendem a ser mais sutis e mais do que depressa estão colocando para escanteio o preconceito de que vendas é somente para homens”, detalha o co-fundador da RP Trader, Rafael Mendes.

Claro que ainda há muito o que evoluir em termos de equidade de gênero. Nas periferias, garotas ainda disputam espaço nos terrenos que historicamente são dominados pelos homens. Os clubes de alto rendimento ainda não garantem vínculo de trabalho para atletas do sexo feminino. E no mercado de trabalho poderiam ser inúmeras as histórias de preconceito por diferentes razões. Também é comprovado que homens e mulheres não são iguais. Mas o exemplo das tantas Martas em campo e de Anas Júlias comerciais que colocam sua ternura, sua multi função e a personificação da força feminina e do reconhecimento do trabalho em equipe como forma de alcançar o sucesso é a certeza de que elas mudarão o mundo que conhecemos hoje.