Como pedir um aumento – e ter mais chances de conseguir

Tá em dúvida de como dizer "eu mereço mais!" sem parecer abusada? Siga nossas dicas e conquiste seu aumento

Foto: Getty Images

Você sente que nem todo dinheiro do mundo pagaria pelo duro que tem dado no trabalho? Calma! Desligue o modo “drama” e tente racionalizar. Há dinheiro que pague por isso, sim, e cabe a você calcular direitinho quanto seu passe está valendo. Calcular e negociar! O momento é bom: os salários no Brasil devem crescer neste ano mais do que no resto do mundo, de acordo com um levantamento da consultoria ECA International. A previsão é que os salários sejam reajustados em 7,4% por aqui. Claro que essa estimativa é uma média: muita gente pode receber aumentos maiores do que esse, enquanto outros não vão ver nem sombra dessa estatística em sua conta. Quer ajudar a elevar esse índice? Conversamos com especialistas e elaboramos um passo a passo para pedir aumento com classe (e consistência).

1. Autoavaliação

Pare para pensar se você realmente merece esse aumento. Por mais cruel que possa parecer, a lógica do salário é a mesma que a de comprar bananas: paga-se mais por maior quantidade ou melhor qualidade. Portanto, ou você tem trabalhado mais do que o combinado, e por isso merece um reajuste, ou tem produzido em um nível de excelência acima das expectativas. “Pare e pense sobre seus compromissos com o trabalho, sua entrega e seu envolvimento com a organização. Dessa reflexão, você deve tirar elementos concretos que justifiquem um aumento”, aconselha o coach Homero Reis.

2. Analise o mercado

Quando recebeu uma oferta de aumento que considerou baixa, a designer de moda Denise Fonseca, 25 anos, pesquisou os salários de cargos do mesmo nível no setor e viu que recebia abaixo da média. “Eu sabia que era uma peça muito importante no dia a dia da fábrica, então decidi me impor”, conta. Seu chefe argumentou que o momento da empresa era delicado e, ao final, o aumento obtido foi a média do que cada um propôs. Conhecer a conjuntura econômica, tanto da empresa quanto do mercado como um todo, é fundamental. “Se há escassez de mão de obra em sua área, por exemplo, o trabalhador tem maior poder de barganha”, afirma o especialista em negociações Yann Duzert, professor da Fundação Getulio Vargas.

3. Escolha o melhor momento para agir

Negociar em dia de chuva ou numa segunda-feira pode ser um tiro no pé: as pessoas costumam estar mais mal-humoradas e, consequentemente, menos flexíveis. Prefira um dia em que a rotina na empresa esteja tranquila. “Basta um pouco de sensibilidade para não escolher aquele dia em que estão todos fechando relatório”, destaca Homero Reis. No decorrer da conversa, é importante sentir o clima. “Quanto mais agradável, melhor. Mas, se perceber que o chefe está sendo duro e precisar ser mais firme, faça isso com consciência dos riscos.”

4. Use as palavras certas

O segredo de uma boa negociação está em ser cooperativo e competitivo ao mesmo tempo. “Não seja tão incisivo e não se supervalorize. O bom negociador não usa mais do que 20% da conversa para falar de suas qualidades. O objetivo é achar o equilíbrio entre os interesses de ambos”, aconselha a psicóloga Lilian Graziano, professora da Trevisan Escola de Negócios. Algumas palavras-chave podem ajudar: vontade de crescer (mostre que está em um bom momento e que tem interesse em fazer sua carreira na empresa deslanchar), realização profissional (cite projetos que gostou de desenvolver e aproveite para expor novas ideias) e satisfação com o clima (se você está bem adaptada, significa que não pensa em sair tão cedo).

4. Perca a vergonha

O seu chefe (ou a sua consultora de RH) provavelmente é bom em negociar – afinal, é treinado para defender os interesses da empresa. Na hora da conversa, porte-se de igual para igual. O frio na barriga é natural, mas o melhor para superá-lo é se preparar e não adiar o papo. “Não adianta tentar prever todas as situações adversas que podem acontecer na hora, pois a situação adversa de verdade é apenas uma: a recusa do aumento”, lembra Lilian Graziano. Prepare uma listinha discreta com seus argumentos, em tópicos, para não se esquecer de nada pelo nervosismo do momento. Mas se só de pensar nisso você já sente um bloqueio (não só pela vergonha, mas também pela dificuldade de argumentar e se expressar sob pressão) o problema não se resume apenas à situação de pedir aumento. Nesse caso, você pode buscar uma psicoterapia rápida ou mesmo um curso que enfoque habilidades desse tipo antes de encarar o chefe.

5. O que não falar

Lembre que emprego é uma relação de troca (você entra com seu trabalho e a empresa, com seu salário). Portanto, o argumento de que você pre-ci-sa de um aumento normalmente não convence ninguém. Nunca coloque um motivo pessoal como principal peça da negociação. Também evite o tom de ameaça ou a chantagem. “É fundamental que o clima seja agradável. Não denote que, se não ganhar aumento, você vai sair. Sempre tem alguém que está disposto a pagar para ver…”, alerta Homero Reis.

6. O que falar

A relações públicas Hellen Pacheco, 25 anos, listou em uma carta vários resultados importantes que alcançou em sete meses de trabalho. Além disso, expôs ideias para projetos futuros e ao final pediu um aumento de 20%. “Busquei mostrar meus resultados e minha motivação, deixando claro que isso me estimularia ainda mais”, explica. Se a empresa faz avaliações periódicas dos funcionários, seu bom desempenho já pode estar atestado ali. Para Yann Duzert, é importante partir de padrões e dados objetivos que provem seu alto rendimento ou a defasagem em sua remuneração em relação ao mercado. “Se, pelo contrário, você já recebe dentro ou acima da média e quer ganhar mais, mostre por que não merece ser comparado a um padrão. Prove que está num patamar acima”, afirma.

Se não conseguir na primeira tentativa…

Em geral, uma negociação de aumento não se encerra com o primeiro ‘não’. O passo seguinte é avaliar por que você perdeu a queda de braço. “Essa reflexão é fundamental para planejar sua estratégia na próxima ocasião”, diz Lilian Graziano. Além disso, a recusa de um aumento é o momento propício para repensar a carreira. A estudante de engenharia civil Caliandra Perini, 21 anos, não viu a promessa de aumento se realizar após o período de experiência. “Aguentei mais seis meses, mas foi complicado continuar sem ser valorizada”, diz. Ela decidiu sair do emprego para adiantar a formatura e se recolocar no mercado em posição melhor. Nos casos de resposta negativa, é possível também estudar outras opções que não o aumento no salário. “Um bônus por resultados ou uma bolsa de pós-graduação são alternativas, dependendo da empresa”, lembra Yann Duzert.

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