Dados provam crise de confiança feminina com a carreira

Escassez de modelos femininos no topo das empresas é um dos motivos

Acumular experiência profissional tem um efeito estranho sobre as mulheres: sua confiança com a carreira cai pela metade.

No caso dos homens, ela permanece praticamente a mesma.

A conclusão é de um estudo recente da consultoria global Bain & Company, que entrevistou mais de mil profissionais de ambos os gêneros, em diversos níveis hierárquicos, nos Estados Unidos.

Os entrevistados foram questionados sobre seu interesse em ocupar, no futuro, um cargo de gestão.

Entre os recém-chegados ao mercado de trabalho, há pouca diferença entre ambições masculinas e femininas: 28% deles e 27% delas estão confiantes de que podem se tornar chefes.

Após dois anos ou mais de trabalho, 25% dos homens ainda estão certos de que vão ascender. Entre as mulheres, apenas 13% preservam a mesma expectativa.

Razões
É comum atribuir os efeitos do casamento e da maternidade a essa “perda de fôlego” feminina, mas a Bain & Company sugere outra interpretação para o fenômeno.

“Nossa análise sugere que o status conjugal ou parental não é diferente entre mulheres com aspirações ou sem aspirações”, diz a consultoria em coluna na Forbes. “O resultado dessa trajetória é a bem documentada falta de mulheres em cargos de alta gestão nos Estados Unidos”.

No Brasil, a situação não é diferente. Segundo uma pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas), apenas 8 em cada 100 profissionais de alto escalão nas empresas nacionais são do sexo feminino,

Mas por que as mulheres se desmotivam? Segundo a empresa, as razões são duas: a escassez de modelos femininos no topo das empresas e a falta de apoio dos supervisores a elas.

Outro motivo é a percepção de que as mulheres teriam mais dificuldade, por natureza, em encarnar o estereótipo do “profissional ideal”: aquele que se oferece para projetos de grande destaque, vive conectado ao trabalho e está sempre disposto a fazer horas extras.

Esta galeria traz 11 números, extraídos do estudo, que comprovam o declínio da confiança feminina com o passar do tempo, em contraste com a realidade masculina. 

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Matéria publicada em Exame.com