Ganhamos R$ 9 mil por mês como palhaço

Eu e meu marido nos divertimos nos shows, não temos rotina na profissão nem aguentamos chefe de mau humor

Ganhamos R$ 9 mil por mês como palhaço

A dupla Fatinha e Cacareco se apresenta em shows, festas e eventos de agências de publicidade
Foto: arquivo pessoal

Eu e meu marido estávamos nos preparando para o show. Nos vestimos, colocamos todos os acessórios, mas eu esqueci de entregar a ceroula a ele. Fomos trabalhar. Num dado momento da apresentação, como de costume, ele fez um truque em que a calça dele caía – era pra aparecer naquele momento a ceroula de corações vermelhos. Todo mundo se assustou, desatou a rir, e a gente deu por encerrada a apresentação. Imagine só se a molecada iria se concentrar depois de flagrar um palhaço de cueca samba-canção!

Resolvi fazer o curso de recreação depois que conheci o palhaço Cacareco na casa de uma amiga, durante uma festa de crianças. Na época, não estava muito satisfeita com o meu emprego. Eu trabalhava no jornal do meu pai, em Mairiporã, em São Paulo. Como cresci em uma família de jornalistas, todo mundo esperava que eu fosse seguir carreira na área. Mas eu não queria.

Decidi arriscar

Como sempre gostei de animação e de crianças, pedi algumas aulas ao Cacareco. Logo senti que eu tinha dom para ser recreadora infantil e que a vontade de trabalhar com isso corria nas minhas veias. Contei à família que a partir daquela data eu seria a palhaça Fatinha. O pessoal estranhou, mas logo entendeu que eu deveria seguir o meu coração.

Então, fui trabalhar com o Carlos, o palhaço Cacareco. Ele tinha a empresa Disk Cacareco Festas e a gente decidiu unir nossas forças. Com o tempo, acabamos trocando alianças também. Somos um casal bastante unido, no dia a dia e no trabalho. É claro que tem dias em que bate uma canseira, depois de dez horas andando com sapatão de palhaço. Mas aí, basta o Carlos fazer uma piada e pronto, eu caio na risada.

Somos versáteis

Hoje, a dupla Fatinha e Cacareco se apresenta em shows, festas e eventos de agências de publicidade. Além da recreação em eventos, faço o serviço de bufê em domicílio, chegada do Papai Noel em noites de Natal… Tem ainda o táxi maluco, uma apresentação muito doida em que levamos um carro velho que pega fogo e se desmonta inteirinho na frente do público. Em dias assim, a atenção é redobrada, pois temos que seguir várias regras de segurança.

Trabalho em família

É muito bom trabalhar com o meu marido. Se surge algum problema, ligo para o Carlos e pensamos juntos numa solução. Outra vantagem é que todo o dinheiro que ganhamos fica em casa. Somos nossos chefes, então definimos os horários, nosso ritmo e não precisamos dividir com mais ninguém os rendimentos do nosso esforço.

Nossa agenda está sempre cheia. Normalmente, fazemos entre dez e 15 apresentações por mês. Porém, em dezembro chegamos a 30, o que significa que todo dia é dia de palhaçada. Nossa maior performance é o show tradicional de circo, com diálogos cômicos de palhaços, teatro de fantoches, performance de ventríloquos e números de mágica.

Uma apresentação dessas dura entre uma hora e meia e duas horas – não mais do que isso, porque as crianças ficam cansadas e se dispersam. O preço vai de R$ 300 a R$ 400, dependendo do repertório. O show de táxi maluco depende do local de apresentação. Se for em São Paulo, fechamos em R$ 3 mil.

Dá para viver muito bem só trabalhando com recreação, mas isso não é o mais importante nessa história. Eu não trocaria a minha profissão por nada deste mundo. Você não tem ideia de como o sorriso de uma criança é gratificante.

Saiba como entrar na área de recreação infantil e se tornar um palhaço profissional