Organização de eventos: ganho R$ 3 mil na área

Confira minhas dicas para ser uma organizadora de eventos de sucesso e ganhar um bom dinheiro

Organização de eventos: ganho R$ 3 mil na área

O salário inicial varia de R$ 1.500 a R$ 2 mil. Porém, a tendência nesse mercado é os profissionais abrirem empresas próprias
Foto: Getty Images

Como tudo começou

Lembro da felicidade estampada no rosto dos convidados na saída do clube de Monte Azul, no interior paulista. Eu tinha 13 anos e, ao lado da tia Odete, organizei o Baile do Havaí, um dos eventos mais tradicionais da cidade. Tia Odete era famosa pelas festas que fazia para arrecadar dinheiro para caridade.

Na semana anterior, vi Odete acertar os detalhes do baile, como a comida, a decoração e a escolha dos músicos. Eu estava de férias e me coloquei à disposição dela. Instalei as folhagens que decoraram o salão. A festa foi incrível. Foi aí que percebi o meu interesse pela área.

Pela primeira vez, senti o gosto de ver pessoas felizes em uma festa. Aprendi com a minha tia a perceber isso em detalhes como o sorriso dos convidados ou a quantidade de comida consumida. Levo isso comigo até hoje.

Meu emprego tinha pouco a ver comigo

Apesar de adorar cuidar das festas, eu não as encarava como profissão. Estudei turismo e psicologia, mas não concluí nenhuma das duas faculdades. Trabalhei seis anos numa repartição pública e depois fui contratada por uma empresa de telefonia.

Durante vinte anos fui a responsável por acompanhar as reclamações de usuários contra a empresa em órgãos como o Procon. Nada a ver com o meu espírito festivo. Mas eu tentava conciliar as duas coisas. Por anos, organizei os almoços de fim de ano dos meus colegas.

Meus superiores insistiam para que eu concluísse uma faculdade. De preferência, direito ou administração, cursos que me ajudariam no trabalho. Naquela altura da carreira, eu queria fazer algo de que gostasse. Foi aí que uma prima indicou o curso de tecnologia em eventos.

Aprendi a etiqueta para cada evento

Sem a aprovação dos chefes, prestei o vestibular e passei. Na faculdade, vi que organizar um evento é mais difícil do que se imagina. Em primeiro lugar, é preciso saber o que o cliente quer. Depois, organizar custos e prazos em planilhas para fazer o planejamento do evento.

Só então dá pra começar a produção. Compro comidas, bebidas e objetos decorativos para a festa, e contrato pessoas para o serviço. Isso valeria pouco se eu não soubesse nada de etiqueta. Por isso a faculdade é importante. Aprendi, por exemplo, que um coffee break é menor do que o café da manhã, porque dura menos. Assim, evito gastos.

Em abril de 2008, fui demitida. Sem saber o que fazer, chorei por uma semana. Mas decidi ir à luta. Uma voz interna não parava de me repetir: ”Coffee break”. Segui a intuição e fiz um curso de um dia sobre o tema.

Me formei na faculdade em junho do ano passado e, em seguida, abri a BP8 Coffee Break e Eventos. Forneço alimentos, bebidas e garçons para festas. Atendo diversas empresas, inclusive a que me demitiu.

Estou no início da minha transformação

Faço dez eventos por mês e fico até dois dias envolvida com a organização de cada um deles. No fim do ano, quando a maioria das empresas faz confraternizações, esse número sobe para 20. Ganho R$ 3 mil por mês, e o valor dobra no fim do ano.

Tenho uma equipe de 15 a 20 garçons e confeiteiros. Nas festas, fico ao lado deles, para assegurar a qualidade do serviço que ofereço. Uma boa organizadora de eventos deve ser simpática e descontraída. O jogo de cintura ajuda a conquistar clientes.

Estou só no começo da minha transformação. Apesar de a mudança ser tardia, tenho a força de uma iniciante. Quero cuidar de casamentos, formaturas ou bailes de debutantes no futuro. É uma questão de tempo.

Saiba mais sobre a profissão de organização de eventos na próxima página.