N. Portman fala sobre ter sido sexualizada aos 12 anos em filme

Natalie Portman tinha entre 11 e 12 anos quando filmou "O Profissional", filme que fez com que conhecesse de perto o assédio do público masculino.

Natalie Portman comemorou seus 12 anos no set de “O Profissional” (“Léon”, no título original), de Luc Besson , e deixou todo mundo que queixo caído com a performance que entregou no filme. Ao lado do ator Jean Reno, ela brilhou na tela e tornou-se uma das grandes promessas do cinema. Só que basta ter um olhar um pouco atento para perceber que o filme sexualiza a personagem de Natalie.

Não há cenas explícitas, mas há sexualização e até hoje essa polêmica divide opiniões. Sabe aquela história de “a maldade está nos olhos de quem vê”? Pois é… esse é mais ou menos o argumento usado pelos fãs de “O Profissional”.

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Agora, no último sábado (20), a atriz desabafou a respeito do tema em um poderoso discurso na Marcha das Mulheres, em Nova York. Com 13 anos na época em que o filme foi lançado, ela conheceu de perto o assédio e a sexualização escancarada de seu corpo – seja em cartas de “fãs” ou nos artigos dos críticos de cinema. Assustada, passou a recusar papéis que, assim como em “O Profissional”, adultizavam seu corpo – e é bem provável que ofertas desse tipo tenham surgido às pencas, né?

Natalie completou 12 anos durante as filmagens de “O Profissional”, em 1993

Natalie completou 12 anos durante as filmagens de “O Profissional”, em 1993 (Léon/Divulgação)

“Aos 13 anos eu estava tão animada quando o filme foi lançado, pois meu trabalho e minha arte teriam uma resposta do público. Empolgada, eu abri minha primeira carta de um fã e li sobre uma fantasia sexual envolvendo estupro que aquele homem escreveu a mim. Uma contagem regressiva para os meus 18 anos foi lançada na rádio local, numa alusão ao dia em que seria legal transar comigo. Críticos de cinema falaram sobre o fato de que meus seios estavam brotando”.

A atriz não fez críticas ao cineasta Luc Besson, já que a mensagem foi totalmente  endereçada aos homens que não respeitam mulheres e meninas que resolvem expressar seus desejos – seja no cinema ou na vida. Natalie contou que, a partir dessa experiência tão negativa, ela passou a construir uma imagem séria para si.

A atriz começou a vestir-se de maneira comportada, a enfatizar sua “nerdice” nas entrevistas e, durante um bom tempo, recusou papéis que envolvessem beijo na boca. Essa foi a maneira que encontrou para reverter o assédio e, com isso, a mídia e o público passaram a tachá-la de puritana.

“Eu estava tentando fazer com que meu corpo ficasse seguro e minha voz fosse ouvida. Aos 13 anos, a mensagem da nossa cultura estava clara para mim. Eu senti a necessidade de cobrir o meu corpo e de inibir a minha expressão artística e o meu trabalho, para que eu pudesse mandar minha própria mensagem ao mundo: eu sou alguém que merece segurança e respeito. A resposta às minhas atitudes – de pequenos comentários sobre o meu corpo a declarações mais ameaçadoras – serviram para controlar meu comportamento em um ambiente de terrorismo sexual”.