Oscar 2019: pontos fortes e fracos de ‘ROMA’

O filme lidera o número de indicações ao Oscar, juntamente com 'A Favorita', ocupando categorias como 'Melhor Filme', 'Melhor Diretor' e 'Melhor Atriz'.

ROMA‘ é a grande surpresa do Oscar 2019. Com 10 indicações, o longa-metragem do mexicano Alfonso Cuarón é o líder da maior premiação de cinema do mundo. Cabe à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas decidir se a obra merece levar para casa alguma estatueta.

Alfonso retrata sua infância e sua vivência na Cidade do México dos anos 1970 a partir de um segundo olhar. ‘ROMA’ segue a rotina de uma família de classe média e as transformações sociopolíticas que rondavam o país naquela época. Tudo isso sob a perspectiva de Cleo, a empregada da família que vê sua vida em altos e baixos durante o período de um ano.

Indicações ao Oscar

Melhor Filme
Melhor Atriz (Yalitza Aparicio)
Melhor Diretor (Alfonso Cuarón)
Melhor Atriz Coadjuvante (Marina De Tavira)
Melhor Roteiro Original
Melhor Filme Estrangeiro
Melhor Fotografia
Melhor Design de Produção
Melhor Mixagem de Som
Melhor Edição de Som

Principais prêmios que venceu:

Globo de Ouro (Melhor Diretor e Melhor Filme Estrangeiro), BAFTA (Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Diretor e Melhor Fotografia) e o Festival de Veneza (Melhor Filme).

Pontos fortes:

Duas palavras que descrevem o filme como um todo são “sutil” e “intrigante”. A história do filme começa como quem não quer nada, mas ganha a atenção e a torcida do espectador a cada minuto que passa. Os personagens são cativantes. Yalitza tem boa presença em cena e carrega grande parte do drama sozinha. Os mínimos detalhes de cenário e até mesmo a exibição em preto e branco fizeram a diferença no produtor final.

‘ROMA’ não fala só de rotina, mas também de esperança e amor aos entes queridos. Em certos momentos levanta-se questionamentos em temas como traição, afeto e maternidade. A delicadeza com que Alfonso soube dosar intencionalmente os gestos dentro dos diálogos das personagens só amplifica a experiência de assistir ao longa.

Em linhas gerais, o filme consegue servir aquilo que propõe e se faz de grande concorrente às demais produções. O que é apresentando durante as 2 horas e 15 minutos de conteúdo faz jus a cada indicação recebida.

O diretor Alfonso Cuarón gravando cenas de “ROMA”.

O diretor Alfonso Cuarón gravando cenas de “ROMA”. (IMDb/Divulgação)

Pontos fracos

Talvez uma pequena redução na duração deixasse o filme mais acessível. Há cenas em que repetem as mesma ações, visando a intenção de reiterar alguns paradigmas do roteiro. Contudo, 15 minutos a menos seria o suficiente para aperfeiçoar este filme que custa a ter um defeito.

Será que leva o Oscar?

Desde a direção de arte até as atuações, o filme estrangeiro se mostrou completo e preparado para fazer história na premiação do próximo domingo (24). Pelo menos o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro é dado como garantido. Outras categorias podem vir no lucro, mas o que realmente pode elevar o filme em um pedestal é a conquista da maior categoria da noite.

Se a Academia ainda estiver em dúvida entre duas produções, ‘ROMA’ é uma dessas. Agora, ver um filme da Netflix ser o primeiro ficcional a ganhar Melhor Filme – de forma muito merecida – seria bem bacana. E por aqui estamos torcendo.

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