Oscar 2019: por que ‘ROMA’ é nossa aposta para ganhar o prêmio

A beleza e a genialidade de um filme que cativa e impressiona pela sua abordagem. 'ROMA' é um grande merecedor do Oscar.

Mais uma edição do Oscar se aproxima e o filme estrangeiro ‘ROMA‘ é um dos destaques. Com 10 indicações, a produção mexicana pode fazer história na premiação.

Alfonso Cuarón é roteirista, cineasta e produtor mexicano já conhecido pela crítica há algum tempo. ‘Filhos da Esperança‘ e ‘Gravidade‘ são filmes de sua autoria. Já ganhou dois Oscars por este último – em ‘Melhor Edição’ e ‘Melhor Diretor’. Seu trabalho na TV e nos cinemas já vem sendo reconhecido há um tempo. E ‘ROMA’ pode lhe trazer ainda mais prestígio.

O filme se passa na Cidade do México e retrata o cotidiano de uma família de classe média sob o olhar de Cleo, sua empregada. Ao ver sua vida se transformar durante um ano, amor e afeto serão postos em cheque enquanto o país passa por mudanças ásperas no âmbito social e político na década de 1970.

Vamos comentar um pouco a respeito de seu caráter único e peculiar, mas não se preocupe que este texto está livre de spoilers. É claro que, se você já tiver assistido ao filme, talvez seja mais esclarecedor. Bora?

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Sim, o filme é em preto e branco e, sim, ele é maravilhoso. A escolha de não usar cores é um grande diferencial. Ainda mais quando se trata da história por si só. Em um filme onde cada detalhe do enredo faz a diferença, quase todos os elementos são trabalhados de forma lenta. Tanto é que a obra tem sua narrativa um pouco mais devagar que a de seus concorrentes.

Todas as suas 10 indicações ao Oscar são louváveis. Isto é, fazem jus à proposta que foi lançada ao público e à grandiosidade de sua simbologia – desde as atuações até a parte técnica. A edição e mixagem do som criam a atmosfera perfeita para a história do longa. Há cenas em que o silêncio por si só é o suficiente, que se contrapõe às cenas urbanas e praianas.

A direção de arte reproduz o retrato daquela época e, somada à fotografia, faz com que a falta de cor não faça falta. Ao contrário, o P&B engrandece. Alfonso retira cartas da manga quando registra momentos cruciais que unem a figura humana com o espaço em que ela ocupa. Isso se dá tanto em locais fechados quanto em campos abertos.

O roteiro segue as emoções e os desdobramentos da vida de Cleo com uma graça única. Os diálogos aqui são fortes e não necessariamente longos, porque as falas são minimalistas e têm muita carga dramática no modo em que são reproduzidas. Isso é uma das coisas mais lindas do filme, as coisas mais intencionais estão nos pequenos atos – ou monólogos.

Marina De Tavira é a mãe da casa e tenta cuidar das crianças do seu jeito, mesmo que em muitas vezes ela esteja ocupada em atritos com o marido, dando espaço para que Cleo seja  presente e assuma seu posto. Sua interpretação puxa uma parte da história e ela tem seu brilho em algumas cenas, o que justifica sua indicação à Melhor Atriz Coadjuvante.

Yalitza Aparicio é uma iniciante nos cinemas, mas que se porta como uma veterana. Já em seu primeiro trabalho, ela está na corrida do prêmio de Melhor Atriz, ao lado de outros grandes nomes atuais. Na verdade, Yalitza é o filme ‘ROMA’. O primeiro ato do filme é seu e sua participação se estende até a última cena. A atriz nos faz torcer, rir, vibrar e se emocionar durante todo o percurso da história. Indicação mais do que merecida.

Alfonso produziu um belo retrato. E o fato de se apoiar em algo pessoal e íntimo melhora ainda mais. ‘ROMA’ coloca-o em um nível acima e, de todos os filmes que fez durante sua carreira, este possivelmente é o melhor até então.

‘ROMA’ é um tesouro, mas um tesouro acessível. Se você ainda não conferiu, vale a pena dar uma chance. E não precisa ir muito longe, não. O filme está disponível no catálogo da Netflix. Faltam poucos dias para o anúncio dos vencedores no Oscar e ‘ROMA’ está preparada. Os outros que se cuidem.