Quem vota no Oscar? Temos respostas para essa e mais 10 questões

Tudo o que você sempre quis saber sobre o Oscar, mas não sabia para quem perguntar.

Nesta terça (22) foram anunciados os indicados ao Oscar 2019. Será a 91ª vez em que os melhores filmes e profissionais do cinema são premiados, em uma cerimônia marcada para o dia 24 de fevereiro.

Mas você já parou para pensar em quais são as regras do Oscar? O que um filme precisa ter para concorrer ao prêmio máximo? Quem decide se o ator ou a atriz concorrem na categoria principal ou coadjuvante?

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Pesquisamos profundamente o regulamento do Oscar para sanar todas as dúvidas. Venha saber as respostas conosco.

1. Quem afinal manda no Oscar?

É a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, ou, em inglês, Academy of Motion Picture Arts and Sciences. Às vezes falam dela apenas como “A Academia“. Trata-se de uma organização norte-americana dedicada ao desenvolvimento da arte cinematográfica, e que existe desde 1927. São os membros dessa Academia que decidem quem vai concorrer e quem vai ganhar o Oscar a cada ano.

Membros da Academia do Oscar Apenas alguns dos membros da ~Academia~

Apenas alguns dos membros da ~Academia~ (Kevin Winter/Getty Images)

2. Como faz para ser membro da Academia e votar no Oscar?

Atualmente a Academia conta com mais de 8 mil membros, divididos em 17 ramos: atores, designers, diretores, produtores, roteiristas etc.

Para se candidatar a fazer parte desse grupo é preciso trabalhar na indústria cinematográfica, ter “conquistas excepcionais” no campo do cinema e ser indicado por dois membros da Academia. As pessoas indicadas podem ser aprovadas ou reprovadas por comitês de cada ramo. Os aprovados recebem um convite da Academia e então podem se tornar membros.

O outro jeito, um pouco mais difícil, é já ter sido indicado ao Oscar. Todos os indicados ao Oscar são convidados a fazer parte da Academia.

3. Existem brasileiros na Academia e que votam no Oscar?

Aaaaah existem. Em 2017 mesmo alguns brasileiros entraram para a lista, como o ator Rodrigo Santoro, o diretor de “Aquarius” Kleber Mendonça Filho e o diretor e roteirista Cacá Diegues.

Fernanda Montenegro indicada ao Oscar Fernanda Montenegro foi indicada ao Oscar em 1999 por “Central do Brasil” e foi derrotada por Gwyneth Paltrow, numa das maiores injustiças de todos os tempos da história da Academia (ao menos para nós, brasileiros). Hoje ela faz parte da Academia e pode votar nos indicados ao Oscar.

Fernanda Montenegro foi indicada ao Oscar em 1999 por “Central do Brasil” e foi derrotada por Gwyneth Paltrow, numa das maiores injustiças de todos os tempos da história da Academia (ao menos para nós, brasileiros). Hoje ela faz parte da Academia e pode votar nos indicados ao Oscar. (Vince Bucci/Getty Images)

Fernanda Montenegro, que já foi indicada a Melhor Atriz, também faz parte da lista. Rodrigo Teixeira é membro da Academia. E Carlos Saldanha também. E o músico Sergio Mendes. Enfim, tem bastante brasileiros votando no Oscar, sim.

4. Como são escolhidos os filmes e profissionais finalistas do Oscar?

Cada ramo da Academia tem suas regras próprias, mas, de forma geral, é permitido que filmes exibidos no ano anterior à premiação concorram ao prêmio. Para o Oscar 2019, portanto, são filmes que foram exibidos em Los Angeles por pelo menos sete dias consecutivos, entre as 18h e às 22h (sim!), em algum momento entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2018.

O filme precisa ter mais de 40 minutos de duração, também, senão só pode concorrer nas categorias de curta-metragem. E não pode de jeito nenhum ter sido exibido em qualquer outro meio antes do cinema. Esse é um prêmio de artes cinematográficas, afinal de contas.

Cumprindo esses pré-requisitos, os donos de cada filme podem inscrever suas obras para a apreciação da organização. Cada ramo da Academia é responsável por selecionar os finalistas em cada categoria: diretores escolhem os finalistas de Melhor Direção; atores escolhem os finalistas das categorias de Melhor Ator e Atriz (principal e coadjuvante); editores escolhem os finalistas de Melhor Edição, e por aí vai.

5. Ok, entendi. Mas quem escolhe os vencedores do Oscar?

Todos os membros ativos e vivos da Academia. Então ator vota em Melhor Edição, editor vota em Melhor Roteiro, roteirista vota em Melhor Canção… todos podem votar em todas as categorias, livremente.

6. Como são dados os votos no Oscar?

É por meio de voto secreto. A Academia fornece aos votantes exibições dos filmes para que todos possam analisar e votar conscientemente. Depois de reunidos os votos, uma empresa de auditoria faz a apuração e apenas eles sabem o resultado.

7. E se der empate em alguma categoria do Oscar?

É um evento bem raro, mas possível, e o regulamento prevê que, em caso de empate na contagem dos votos, ambos os filmes ou profissionais mais votados levam a estatueta.

Em 89 anos de premiação, aconteceram apenas seis empates: em 2013, na categoria Edição de Som, em 1994 na categoria Melhor Curta-Metragem, em 1931, na categoria Melhor Ator (Frederich March e Wallace Beery), em 1949, também na categoria Curta-Metragem, em 1986, em Melhor Documentário, e em 1968, na categoria Melhor Atriz, com as divas Katharine Hepburn e Barbra Streisand.

8. Quem ganha o Oscar de Melhor Filme?

Taí uma boa pergunta. Quem é o “dono” do filme? Seria o diretor? Ou o elenco, porque sem elenco não tem filme? Seria o roteirista, que imaginou e escreveu tudo aquilo? Nada disso. Quem leva para casa o troféu de Melhor Filme é o Produtor do filme. O produtor é quem tem o dinheiro para fazer o filme, quem contrata os profissionais, quem paga as contas e quem leva as honras no fim da noite. Justo, não?

9. Qual a diferença, afinal, entre Melhor Ator ou Atriz e Melhor Ator ou Atriz Coadjuvante?

A resposta parece simples: Melhor Ator ou Atriz seria o principal de um filme, e os coadjuvantes seriam os que não são os principais, certo? Mas não é bem assim.

Em 2017, por exemplo, Viola Davis, que era a atriz principal de “Fences“, foi indicada (e ganhou) o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante. Há quem diga que essa foi uma manobra para tornar a vitória dela mais fácil, já que com mais exposição na tela e mais destaque no filme, era óbvio que ela superaria as demais candidatas a Atriz Coadjuvante.

Viola Davis vencedora do Oscar Viola, a gente te ama e também amou o seu Oscar, mas cá entre nós… você era atriz principal em “Fences”, né?

Viola, a gente te ama e também amou o seu Oscar, mas cá entre nós… você era atriz principal em “Fences”, né? (Frazer Harrison/Getty Images)

O fato é que quem define isso são os membros do ramo de atores da Academia, e não existe uma regra clara – como de tempo de tala ou número de falas – para decidir se o ator ou atriz é principal ou coadjuvante.

Se o mesmo ator ou atriz é votado, dentro do ramo, para as categorias principal e coadjuvante, a decisão vai para o processo de tabulação. Na categoria em que o ator ou atriz conseguir o número de votos necessário para ser finalista primeiro, é onde ele ou ela serão indicados. Se tiver o mesmo número de votos na mesma categoria, o critério de desempate é a porcentagem de votos recebida diante do total de cada categoria. Complicado, né?

Ah! Se o mesmo ator ou atriz receber votos por dois filmes diferentes na mesma categoria,  só pode ser indicado por um dos filmes. Mas um ator ou atriz pode ser indicado ao prêmio principal por um filme e ao prêmio de coadjuvante por outro filme, sem problema nenhum.

Cate Blanchett vencedora do Oscar Cate Blanchett foi indicada para duas categorias em 2008: Melhor Atriz por “Elizabeth” e Melhor Atriz Coadjuvante por “Não Estou Lá”. Não levou nenhum dos dois prêmios (na foto, ela recebe o Oscar por “Blue Jasmine”, em 2014).

Cate Blanchett foi indicada para duas categorias em 2008: Melhor Atriz por “Elizabeth” e Melhor Atriz Coadjuvante por “Não Estou Lá”. Não levou nenhum dos dois prêmios (na foto, ela recebe o Oscar por “Blue Jasmine”, em 2014). (Kevin Winter/Getty Images)

Cate Blanchett (2007), Jamie Foxx (2005), Julianne Moore (2003), Holly Hunter (1994), Emma Thompson (1994), Al Pacino (1993), Sigourney Weaver (1989), Jessica Lange (1983), Barry Fitzgerald (1945), Teresa Wright (1943) e Fay Bainter (1939) são os atores e atrizes que já conseguiram esse feito: foram indicados na categoria principal e coadjuvante no mesmo ano. Nenhum deles, no entanto, conquistou dois troféus na mesma noite.

10. Qual a regra para o Melhor Filme em Língua Estrangeira?

O nome do prêmio é curioso: um filme norte-americano falado em francês pode se inscrever nessa categoria? E um filme coreano, mas falado em inglês? Vale a nacionalidade da produção ou a tal língua estrangeira?

Pois bem, a regra é clara: o filme em língua estrangeira tem de ter mais de 40 minutos, ser produzido fora dos EUA e ter predominantemente diálogos em língua não-inglesa. Tudo isso junto. E vale desenho animado e documentário também.

As datas de estreia dessa categoria são diferentes das demais – para esse ano valem filmes lançados em seus países de origem entre 1º de outubro de 2016 e 30 de setembro de 2018. O filme não pode ter sido lançado nos EUA, e cada país só pode inscrever um candidato. Os filmes em língua estrangeira podem ser inscritos também nas demais categorias, e quem não for classificado para a final tem uma segunda chance: pode inscrever o filme nas demais categorias no ano seguinte!

11. Melhor trilha sonora original, melhor canção original… qual a diferença?

Essas categorias podem confundir até os mais atentos, afinal de contas, não é tudo música? Pois bem. A Melhor Trilha Sonora Original é aquela música de fundo, que marca os momentos do filme e ajuda a criar o clima para cada cena. Para concorrer ao Oscar, precisa ter sido composta especificamente para aquele filme – não vale ser uma música reaproveitada.

A Melhor Canção Original é uma música com letra, daquelas para cantar junto, escrita também especificamente para o filme em questão. Tem que aparecer claramente no filme – mesmo que seja bem no comecinho ou nos créditos finais.

Mas atenção: em ambos os casos, as músicas têm de ser completamente inéditas: não podem ter sido tocadas em show, nem na TV, não podem estar em um disco ou tocar no rádio. A primeira execução daquela música tem que ter sido no filme. Senão, nada feito.

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