Sobre rodas ou na ponta dos pés: dança eleva autoestima de pessoas com deficiência

Conheça o trabalho de três companhias de dança inclusivas

Siga o mdemulher no Instagram

A dança, uma das mais poderosas manifestações artísticas, é democrática. Ela não impõe limites às pessoas. Todos podem dançar e se comunicar através dos movimentos. Foi essa a grande descoberta de Keyla Ferrari, fundadora do CEDAI – Centro de Dança Integrado -, uma ONG que integra pessoas com diversos tipos de deficiências, faixas etárias e familiares que não têm deficiência. 

A integração acontece naturalmente: a criança que tem Sindrome de Down dança com a irmã e com a vizinha que não têm deficiência. A cadeirante dança com a mãe e, dessa maneira, vão estabelecendo conexões artísticas profundas e cheias de afeto. “É o momento em que a comunicão do olhar, do gesto e do corpo falam mais do que a nossa paralisia emocional”, diz Keyla. Em 2012, a escola de dança deu origem à Companhia Humaniza. Vários  alunos de Keyla começaram a dançar ainda crianças no CEDAI, e hoje integram a companhia de dança.

Aryane Cristina Masson Silva, que tem Síndrome de Down, entrou para a escola aos 12 anos. Ao perceber que a filha estava mais feliz e realizada, Maria Cristina Masson Silva, mãe da jovem, também se entregou à arte. Ao longo dos anos, Aryane fez grandes avanços, melhorou sua concentração e diminuiu a timidez. Hoje, aos 22 anos, é dançarina profissional e ajuda seus colegas de dança.

Divulgação Divulgação

Divulgação (/)

De Rodas Para o Ar

Na Companhia De Rodas para o Ar, comandada por Clayton Alves Brasil, as barreiras físicas são rompidas a cada ensaio, e os limites desafiados a cada nova coreografia. Cada um dança à sua maneira, e todos são estimulados a fazer o melhor que podem. O mais importante não é a forma de dançar, mas abrir-se para as emoções. O dançarino pode experimentar a sensação de ficar de cabeça para baixo ou de ser erguido pelo parceiro, sempre respeitando a disposição e a condição física de cada um.

Divulgação Divulgação

Divulgação (/)

Toda essa dedicação e respeito com os dançarinos não poderia ter um resultado melhor. A cada novo passo e a cada nova dificuldade vencida, a autoestima dos dançarinos se eleva um pouco mais. A deficiência traz limitações e, muitas vezes, realizar um passo é tarefa difícil, mas o grupo é resiliente. “Às vezes faço um movimento e peço para que a pessoa repita. Mesmo que não saia perfeito, o importante é que ela tenha a sensação de que está fazendo igual. Às vezes alguém me questiona o fato de não ter conseguido fazer um movimento igual ao meu e eu tento baixar as expectativas. ‘Não se cobre tanto, apenas sinta  a música’”, conta Clayton.

Divulgação Divulgação

Divulgação (/)

Para Leda Maria, dançarina com Mielomeningocele, a dança é libertadora. “Sempre gostei muito de dançar, pois me sinto livre para voar com minha cadeira”. Há dois anos ela ingressou na companhia de dança e o amor pela música mudou seu dia a dia. “Hoje sou mais feliz e me sinto realizada. Esse projeto mostra que nós, pessoas com deficiência, somos capazes de dançar qualquer ritmo e fazer tudo o que sonhamos.”

Companhia Ballet de Cegos

Assistir a uma apresentação da Companhia Ballet de Cegos deixa qualquer um maravilhado. É um espetáculo sensível, com técnica apurada e grande beleza estética.  O método de ensino das bailarinas foi desenvolvido por Fernanda Bianchini, presidente da Associação que leva seu nome. Tudo funciona através do toque e da percepção corporal. O professor faz o movimento e o reproduz no corpo da bailarina através do toque. Tudo é meticulosamente calculado. Nos palcos e no backstage, professores e bailarinos fazem pequenos sinais com os dedos que direcionam o grupo. Toda essa marcação é imperceptível aos olhos do público, que vê apenas um espetáculo de extrema beleza. 

Divulgação Divulgação

Divulgação (/)

Geisa Pereira  (na imagem) completa 20 anos de dança em 2015. Para ela é uma data muito especial, pois começar a dançar realmente mudou sua vida. Quando ela conheceu a Associaçäo Fernanda Bianchini estava se recuperando de uma meningite, que resultou na perda de sua visão. Ela e a família tinham acabado de mudar para São Paulo em busca de tratamento. Estava totalmente desacreditada quando conheceu a professora, que lhe apoiou e deu todo suporte para continuar. No início ela não estava segura, mas acabou seguindo seu coração. “Mergulhei no mundo da dança. Foi por intermédio da dança que não me transformei numa pessoa revoltada!”, conta Geisa emocionada.