Perdi 63 kg com a proteína inteligente

Tentei até me matar por causa da obesidade, mas investi numa dieta com proteínas emagrecedoras, sequei 63 kg e renasci!

Texto: Carine Rodrigues, 29 anos, costureira, São Paulo, SP
Foto: Alan Teixeira

 
A arma estava apontada para a minha cabeça, a bala na agulha e o dedo no gatilho. Eu estava trancada no banheiro do banco onde trabalhava como segurança, a um deslize de dedo de dar fim à minha vida. 
 
Não aguentava mais conviver com meus 105 kg e as humilhações e complicações que a obesidade me obrigava a passar. Não queria mais viver. Só que, enquanto ensaiava o disparo, lembrei do rostinho da minha filha pequena, do quanto eu a amava e ela precisava de mim. Desisti do meu plano suicida.
 
Saí do trabalho naquela manhã de 2009 e pedi ajuda. Contei o que tinha acontecido para algumas amigas próximas e para minha família. Não podia mais suportar aquilo sozinha.
 
Me desliguei do banco e passei por dois psicólogos e um psiquiatra, que me passou alguns medicamentos antidepressivos. 
Segundo os doutores, meus pensamentos suicidas eram um sintoma da crise que eu atravessava por estar gorda. Ou seja, eu só tinha duas saídas: ou me aceitava como era e engolia o desgosto ou emagrecia.
 
Só conseguia sorrir quando tomava bebidas alcoólicas
 
Não vou dizer que eu era uma mulher magra antes desse incidente. Sempre fui do tipo fofinha, se é que você me entende. Mas nunca fui obesa. Isso até minha filha nascer, em 2000. Depois disso e de uma cirurgia para retirar uma pedra na vesícula, passei a engordar a olhos vistos. E comecei a sofrer com o excesso de peso.
 
Era duro ir com o dinheiro contado a uma loja para comprar uma roupa e descobrir que não tinha nada que me servisse. Só encontrava peças do meu tamanho em lojas especializadas, pelo dobro ou até pelo triplo do preço!
 
Eu era jovem, cheia de vontade de me divertir, mas vivia cansada, suada, triste… O mundo parece mais perverso quando você é obesa: uma vez, eu estava chegando no trabalho e um motorista jovem jogou o carro em cima de mim gritando “Morre, sua gorda!”. Era muita humilhação…
 
Cheguei a um ponto em que só conseguia sorrir e me soltar quando bebia. Quando estava sóbria, era só tristeza.
 
Aquilo não era vida! Foi essa situação desesperadora que me levou ao extremo de me trancar naquele banheiro disposta a acabar com meu sofrimento para sempre.
 
Trabalhando num supermercado, engordei ainda mais
 
Depois que me desliguei do banco e consegui controlar minha crise com os medicamentos, arranjei um emprego de fiscal em um supermercado chique, em 2010. 
Foi lá, entre pães, doces e outras guloseimas, que ganhei os quilos que faltavam para chegar ao meu limite: 125 kg.
 
E aí algo totalmente inesperado aconteceu. Numa troca de presentes entre os funcionários do mercado, em dezembro de 2010, uma colega me deu uma blusinha do maior tamanho que encontrou na loja. 
Abri o presente na frente de todo mundo e a peça era visivelmente muito pequena pra mim. Poderia ter ficado constrangida com a situação, mas sorri, agradeci e disse: “Obrigada, ela não serve, mas ainda vai servir”. Não sei o que me deu naquela hora, mas senti que uma nova Carine estava nascendo ali.
 
Para cumprir essa promessa, comecei uma dieta simples, sem muitos segredos: cortei os exageros – como os cinco pães no café da manh㠖 e passei a pesquisar os nutrientes presentes em cada alimento para escolher melhor o que ia para o meu prato. Reduzi o consumo de carnes vermelhas e gordas e investi nas fontes de proteínas consideradas boas, como peixes, frango e ovo cozido, além de cortes de carne bovina mais magros, como o patinho.
 
Essas fontes proteicas favorecem o emagrecimento. Além disso, também diminuí a ingestão de carboidratos.
 
No início, senti falta daquela gordurinha da carne. Achava uma delícia! Depois de um tempo, com a mudança de hábito, comecei a perceber o quanto aquilo era excessivo e não valia a pena.
 
Estratégia infalível: mastigar, mastigar, mastigar…
 
Além das carnes e proteínas de boa qualidade, a mastigação foi outra técnica que ajudou a me manter saciada no período mais difícil da dieta. Me condicionei a mastigar qualquer porção de comida 30 vezes antes de engolir. Parece fácil, mas dá trabalho. Demorei duas semanas para adquirir o hábito.
 
No começo, saía andando pela casa no meio do almoço, contando as mastigações. Desse jeito, consigo comer mais devagar, aprecio melhor o sabor da comida e termino as refeições mais saciada. 
 
Também adotei outros itens muito importantes para a dieta: arroz integral, sal light, peito de peru, queijo branco e vitamina de frutas. Era um combo emagrecedor mesmo!
 
Despachei 11 kg no primeiro mês de dieta
 
Depois de 15 dias, já comecei a perceber um desinchaço geral por todo o corpo. No final do primeiro mês, tomei coragem de subir na balança, que marcou 114 kg: eu estava com 11 kg a menos!
 
Ainda era pouco, mas fiquei tão feliz que já me senti linda e magra. Os dois anos seguintes foram de mudanças drásticas. 
 
Consegui sair da casa dos três dígitos e minha autoconfiança foi voltando aos poucos. No começo tive que ir apertando minhas roupas à medida que emagrecia. Precisei ajustar até aquela blusinha que ganhei na festa da empresa!
 
Mas meu emagrecimento chegou a tal ponto que fui obrigada a ir à loja para comprar roupas novas. Me esbaldei quando descobri que podia usar vestidinhos que nunca usei! O salto alto também foi um acontecimento!
 
No final de 2012, cheguei aos 63 kg: perdi praticamente metade de mim! Passei a colecionar elogios e descobri que sou vaidosa. Mas o mais importante é que aprendi a me amar, a me cuidar e a fazer o que gosto.
 
Adoro dançar, mas antes só fazia isso quando estava bêbada. Hoje ponho meu vestidinho e sambo à vontade! Foi uma delícia fazer as fotos para a Sou mais Eu! e sambar em pleno estúdio para a equipe da revista.
 
Hoje, quando lembro daquela tarde no banheiro do banco, ainda me emociono. Mas me sinto uma vitoriosa por ter conseguido superar aquela fase negra da minha vida. Agora sou dona da minha felicidade. E sei que dias muito melhores virão.
 
Por causa da obesidade, eu era humilhada e vivia triste, cansada. Desisti de viver e coloquei uma arma na minha cabeça. Quando estava com o dedo no gatilho, lembrei da minha filhinha e desisti
 
Conheça as proteínas certas para o emagrecimento
 
A estratégia que a Carine adotou para emagrecer é “muito inteligente”, de acordo com a nutricionista Alessandra Luglio, consultora da Hero Nutritionals de São Paulo. Consiste em aumentar o consumo de proteínas consideradas “boas” e diminuir o consumo de carboidratos. Para o emagrecimento, o ideal é consumir os carboidratos associados a proteínas. Assim, a digestão é mais lenta e o fornecimento de energia proveniente dos carboidratos fica mais constante. Esse hábito reorganiza o metabolismo, reduz o acúmulo de gordura e facilita a queima de calorias.
 
Mas não é qualquer proteína que pode ser consumida. Elas precisam ser de alto valor biológico, ou seja, com todos os aminoácidos essenciais para o funcionamento do corpo e muito mais eficientes para a perda de peso. Esse tipo de proteína é encontrada principalmente em alimentos de origem animal, como carnes, laticínios e ovos. Mas há uma armadilha: boa parte das proteínas de origem animal vem associada a gorduras. Por isso, é preciso priorizar o consumo de proteínas animais magras.
 
Os alimentos mais indicados são: leite e iogurte desnatados,  queijos magros (cottage, queijo branco, ricota), cortes bovinos magros (patinho, miolo de alcatra e filé-mignon,peito de frango sem pele e peito de peru light,peixes (com exceção de salmão, pintado e meca) e clara de ovo
 
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O cardápio de Carine

Café da manhã

1 pão francês sem o miolo + 1 ponta de faca de margarina ou requeijão light + 1 copo de leite desnatado com café e um pouco de açúcar

Dica da nutricionista:

Dê preferência ao pão integral, que tem mais fibras, e procure substituir a margarina pelo requeijão light ou algum queijo, presunto ou peito de peru magros. Troque o açúcar por adoçante.

Lanche da manhã

1 porção de fruta ou 1 copo de vitamina de fruta (manga com leite) ou 1 porção de iogurte grego

Dica da nutricionista:

Associe a fruta a uma proteína, para prolongar a saciedade. Pode ser o iogurte, mas o grego é muito calórico. Prefira o zero gordura com uma colher (sopa) de cereais.

Almoço

1 prato de sobremesa bem servido de salada verde com legumes, tomate, cebola, pepino e cenoura + 3 colheres (sopa) de feijão + 5 colheres (sopa) de arroz + 1 porção de carne bovina magra, frango grelhado ou peixe

Dica da nutricionista:

Diminua a quantidade do arroz para três colheres de sopa e opte pela versão integral.

Meia hora depois do almoço

1 porção de fruta

Lanche da tarde

2 bolachinhas água e sal ou 1 barrinha de cereais

Dica da nutricionista:

Inclua uma proteína: pode ser um pote de iogurte zero, três fatias de queijo magro ou um queijinho processado.

Jantar

O mesmo do almoço

Dica da nutricionista:

A salada pode ser consumida à vontade, mas diminua o feijão para uma colher, o arroz para três e dobre a porção de carne.

Ceia

1 copo de leite

Dica da nutricionista:

Boa opção, mas, se quiser variar, opte por um pote de iogurte zero ou três fatias de queijo magro.

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