Escrever um diário melhora a saúde e o bem-estar

Registrar emoções e experiências em um diário melhora a concentração e tomada de decisão, além de trazer benefícios à saúde

Escrever um diário melhora a saúde e o bem-estar

Escreva um diário e melhore sua saúde e bem-estar
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Escrever um diário é um hábito antigo e universal. Os primeiros diários pessoais de que se tem notícia eram chamados livros de cabeceira no Japão do século VIII. Mas só nos anos 70 os psicólogos perceberam como o hábito de registrar experiências poderia ajudar na terapia e levar as pessoas a ter uma vida mais rica, saudável e plena.

A psicóloga Rosemeire Zago (SP) orienta os pacientes a manter um diário de suas emoções. Nem todos colocam no papel o que sentem, mas, diz ela, “são esses os que obtêm maior controle sobre seus aspectos emocionais”. Além de funcionar como desabafo, a transformação de sentimentos em palavras escritas faz com que a gente organize os pensamentos, determine prioridades, reconheça alterações de humor e acompanhe em detalhes o processo de amadurecimento pessoal.

Em geral, é na pré-adolescência (entre 8 e 12 anos) que os diários são iniciados. Mas o recurso pode ser adotado em qualquer idade ou fase da vida, com resultados positivos para a mente e o corpo. Estudo realizado na Universidade da Califórnia (EUA) comprovou que uma área do cérebro escondida logo atrás dos olhos (chamada córtex pré-frontal ventrolateral direito) é ativada quando falamos e escrevemos sobre as emoções, produzindo efeito terapêutico. Isso reduz o desconforto que sentimentos negativos provocam nas amídalas – o famoso nó na garganta.

Escrever um diário melhora a saúde e o bem-estar

Escreva um diário melhora a memória
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A saúde agradece

Pesquisas conduzidas na Universidade do Texas (EUA) revelaram: pessoas que adotaram o hábito do diário vão menos ao médico e se tornam mais saudáveis em geral. Pressão arterial mais baixa e maior poder de concentração, memória e tomada de decisão são outros benefícios. Estudos específicos com pacientes que sofrem de artrite mostraram que aqueles que escreveram sobre eventos traumáticos em sua vida passaram a precisar de menos medicação para a dor e, com portadores da aids, o resultado foi uma melhora significativa no sistema imunológico.

Quem explica o porquê de benefícios tão extensos é o psicólogo James Pennebaker, responsável por vários desses estudos. “É preciso entender que inibir as emoções tem impacto negativo sobre o corpo. O esforço feito para não pensar sobre algo desagradável ou para não sentir determinada emoção se torna fonte de stress psicológico, capaz de causar doenças”, explica o professor. “Escrever ajuda as pessoas a entender e organizar psicologicamente os eventos vividos. A partir daí, elas dormem melhor, o nível de stress baixa e fica mais fácil a interação social com amigos e parentes. Todas essas coisas melhoram a saúde física”, conclui o chefe da psicologia da Universidade do Texas.

Escrever um diário melhora a saúde e o bem-estar

A internet não substitui o diário íntimo
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De tudo um pouco

Não são apenas as experiências do dia a dia que fazem um diário. A ideia de manter um registro de tudo o que come ajuda muita gente a ter sucesso numa dieta ou a descobrir a relação entre determinados alimentos e um mal-estar.

Não importa a motivação primeira, a verdade é que os muitos benefícios advindos do hábito de manter um diário justificam a decisão de investir alguns minutos todos os dias nessa atividade. Como diz Rosemeire Zago: “É uma maneira de comprometer-e consigo própria, transformando o raciocínio em palavras que podem ser relidas, analisadas, sem defesas nem fugas, as quais muitas vezes acontecem quando ficam limitadas apenas aos pensamentos”.

E a internet

Em tempo de blogs, Facebook, Twitter e coisas do gênero, como comparar a escrita de um diário aos registros online? Há uma diferença fundamental entre as duas formas de expressão: a primeira é feita para compartilhar com amigos e/ou conhecidos; a segunda é íntima. E isso muda tudo. Online é preciso pensar selecionar até que ponto você está disposta a se expor, ou seja, não substitui o diário íntimo.