Estudo mostra como ’13 Reasons Why’ impactou jovens e famílias

Pesquisa na Netflix em parceria com Universidade Northwestern mostra que a série fez pais e filhos debaterem temas delicados como estupro e suicídio.

Nesta quarta-feira (21), em Nova York, foi divulgado em primeira mão o estudo “Exploring how teens and parents responded to 13 Reasons Why” (Explorando como adolescentes e pais reagiram a ‘13 Reasons Why’).

A pesquisa, encomendada pela Netflix, foi realizada pelo Centro de Mídia e Desenvolvimento da Universidade Northwestern, foi feita com 5400 participantes, sendo 1722 adolescentes de 13 a 17 anos, 1789 jovens adultos de 18 a 22 anos e 1880 pais de adolescentes, nos Estados Unidos, Reino Unido, Brasil, Austrália e Nova Zelândia.

Quase um ano após a estreia da série – que causou muita polêmica, especialmente devido ao conteúdo sobre suicídio – as conclusões a respeito dos efeitos práticos de “13 Reasons Why” sobre a audiência são, de forma geral, positiva.

Estudo 13 Reasons Why

 (Netflix/Reprodução)

A maior parte dos entrevistados declarou que a série foi benéfica – ao se identificar com os personagens e dramas apresentados, os adolescentes (59%) e jovens adultos (88%) disseram que assistir a “13 Reasons Why” os ajudou a entender melhor os processos por trás da depressão, suicídio, bullying e estupro. Já mais da metade dos pais conta que ficou mais fácil ter conversas em casa sobre estes temas delicados.

Em um painel após a divulgação do estudo, o vice-presidente de séries originais Netflix, Brian Wright, diz não ter ficado surpreso com os resultados da pesquisa: “Queríamos criar possibilidades de diálogo entre pais e filhos, e não havia muita coisa na TV para esse público. Pais e filhos podem não assistir a série juntos, na mesma sala, mas a conversa acaba acontecendo na mesa do jantar e em outros momentos”.

Brian Yorkey, produtor-executivo e showrunner de “13 Reasons Why”, reforça a importância da série para abrir o diálogo. “Às vezes é difícil falar ‘eu tenho depressão’ ou ‘eu fui estuprada’, mas é mais fácil dizer que você se sente como a Hanna ou passou pelo mesmo que a Jessica”, exemplifica.

 (Netflix/Divulgação)

Na prática, essa possibilidade de se identificar com personagens e com a trama fez com que muitas pessoas fossem além do debate. A ativista Riley Juntii foi uma das criadoras do movimento “13 Reasons Why Not” (13 motivos porque não), que motivou estudantes a compartilharem suas histórias no sistema de som da escola, para todos ouvirem, e contar quem os ajudou. “Quando eu contei que havia sido estuprada por meu ex-namorado, 15 minutos depois uma menina procurou o orientador para contar que era estuprada pelo pai desde criança”, conta Riley. “Os jovens querem falar e serem ouvidos, mas não encontravam espaço”, completou.

O estudo também identificou que a audiência quer e precisa de mais ferramentas e recursos para falar sobre esses temas difíceis. Christine Moutier, da American Foundation for Suicide Prevention (Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio), falou sobre como pessoas diferentes lidam de formas diferentes com o que assistem: “Assuntos delicados impactam as pessoas de acordo com as condições psicológicas de cada um. E é bom que a Netflix esteja prestando atenção nisso”.

O elenco da série gravou um breve vídeo, que a partir desta quarta (21) é exibido antes do primeiro episódio da série, alertando sobre o conteúdo delicado da trama e orientando as pessoas que se identificarem com o drama dos personagens a procurar ajuda. Esse vídeo também será exibido antes do primeiro episódio da segunda temporada.

A segunda temporada da série, que vai ao ar ainda em 2018, mas sem data de estreia definida, “não será uma resposta às críticas recebidas na primeira temporada”, diz Brian Yorkey. Segundo o showrunner, os novos episódios vão mostrar o outro lado da história que Hanna contou, por meio de flashbacks dos colegas que vão depor no julgamento da responsabilidade da escola no suicídio dela.

*A editora-chefe Ligia Helena viajou a Nova York convidada pela Netflix.

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