Inteligência emocional: você sabe isolar as emoções e ter uma vida plena?

Reconhecer seus sentimentos, não deixar eles invadirem outras áreas e tirar proveito até das fases negativas melhora tudo – e é uma questão de treino.

Quase todo mundo já passou por isso: uma briga com mozão ou mozona que fez o rendimento no trabalho ou nos estudos ficar baixinho, baixinho; uma bronca no trabalho que acabou com o ânimo no mundo lá fora; ou, pelo outro lado, uma paixão tão avassaladora que tirou completamente o foco nas tarefas do dia a dia. Saber separar as coisas facilitaria demais, mas nem todo mundo consegue…

Aí entra a necessidade de desenvolver a inteligência emocional – para, de forma racional, deixar cada emoção no espaço que lhe cabe e impedir que um problema daqui interfira em uma atividade dali. “Não estamos falando de ser fria e isenta de emoções, mas sim de saber lidar com elas e não deixar que um sentimento, bom ou ruim, tome conta de todos os aspectos da vida”, afirma a terapeuta em desenvolvimento pessoal Gabriela Sayago, especialista em psicologia positiva e inteligência emocional.

A psiquiatra Denise Gobo, membro da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), sintetiza: “Inteligência emocional é a capacidade de administrar emoções e usá-las a seu favor, seja elas positivas ou negativas.”

Mas por que será que a inteligência emocional não é uma característica pessoal comum a todos? Por que, para alguns, é tão difícil separar os sentimentos, as sensações, as empolgações ou as frustrações? As especialistas explicam.

Cabeça nas nuvens x pés no chão

Tudo é culpa do sistema límbico, unidade responsável pelas nossas reações aos acontecimentos, e de alguns hormônios.

Como Gabriela explica, qualquer pico de emoção nos tira do sistema racional. Quando o sentimento é negativo (raiva, frustração etc.), o cortisol – hormônio do estresse – causa uma espécie de “sequestro emocional” e faz com que muitas pessoas reajam impulsivamente e façam ou falem coisas de que se arrependem depois.

No caso de sentimentos positivos (paixão, empolgação etc.), o cérebro fica inundado de dopamina – um dos hormônios do prazer e da felicidade – e as pessoas podem ficar incapazes de raciocinar direito sobre assuntos burocráticos ou profissionais da vida.

A inteligência emocional funciona como uma ferramenta para sair do límbico e voltar para o racional. “A pessoa consegue perceber sua emoção, entender que não está em equilíbrio e raciocinar a tempo de não se prejudicar em outra área”, diz Denise.

Gabriela cita Saramago para entendermos direitinho esse mecanismo: “É preciso sair da ilha para ver a ilha. Quem domina a inteligência emocional consegue ver ‘de fora’ a situação, dar-se um tempo e reagir de forma inteligente, que não gere arrependimentos depois.”

Como desenvolver a inteligência emocional

Agora vem a boa notícia: toda pessoa pode ter inteligência emocional.

“Algumas a têm naturalmente – são aquelas pessoas fáceis de lidar, que se dão bem com todo mundo e em todos os ambientes, gente com quem todos gostam de estar”, destaca Denise.

Mas, se você não nasceu com esse “superpoder”, dá para desenvolvê-lo. Gabriela e Denise ensinam, a seguir, cinco meios de treinar a relação entre os sistemas límbico e racional e se sair muito melhor tanto nas situações tensas quanto nas felizes demais.

– Conte até dez

O velho conselho das nossas avós é pura inteligência emocional aplicada. Ao perceber que algo está fora do estado normal, pare tudo e conte até dez mentalmente – conte de verdade: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10. Nesse tempo, você evitará uma reação impensada e conseguirá retomar as rédeas da situação minimamente.

– Faça meditação

Nada a ver com questões religiosas, ok? A ideia é que a meditação lhe ajude a estar em contato com você mesma, com suas emoções. Pode ser um minutinho por dia, desde que ele seja exclusivamente dedicado à interiorização.

– Pratique a paciência no trânsito

Seja dirigindo ou a bordo de um ônibus ou do metrô, situações estressantes surgem a todo momento. Aproveite-as para treinar o controle de seu sistema límbico. Deu vontade de xingar quem cortou a frente do seu carro ou a sua própria frente para pegar o último banco vazio? Respire fundo e procure outro tipo de reação. Dica: ouça música ou podcasts quando estiver se deslocando pela cidade.

– Simule situações e suas reações

Tem colegas que sempre lhe interrompem em reuniões – o que lhe deixa mortificada por não responder imediatamente ou ser agressiva na resposta e acabar levando a culpa pela discussão? Treine! Pense nas coisas que costumam dizer e fale, em voz alta, a resposta ideal para cada situação. Fazendo isso de você para você mesma, dá para você controlar as reações impulsivas, há tempo para reformular as falas e estar com elas na ponta da língua na hora certa.

– Analise as situações que deram errado

Sem lamentar: faça uma análise fria do que aconteceu. Que emoções se sobressaíram para que as coisas não rolassem como você gostaria? Raiva? Distração por estar apaixonadinha demais? Que reação teria encaminhado a um desfecho que lhe deixasse mais feliz? A partir disso, você conseguirá virar uma chavinha da inteligência emocional no seu cérebro e responder melhor a situações semelhantes no futuro.

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