Net Power: as mulheres mais poderosas da internet estão saindo do anonimato

Conheça as altas executivas de empresas como Facebook, Google e Accel

Garotas Superpoderosas: Sukhinder Singh Cassidy, ex-chefona do Google, foi para a Polyvore; Sheryl Sandberg é a segunda do gigante Facebook; Theresia Ranzetta distribui comandos na Accel

por_Guilherme Felitti, em texto publicado na Revista LOLA

No Vale do Silício, região na Califórnia tradicional pela aglomeração de gigantes de tecnologia, a história oficial gira em torno de garotos imberbes que aprenderam a fazer (muito) dinheiro com a nova era digital. Steve Jobs e Bill Gates, da Apple e da Microsoft, respectivamente, são apenas os mais conhecidos de um time de geeks de incrível talento que ganhou nas últimas décadas gente como Jerry Yang, do Yahoo!, e a dupla Sergey Brin e Larry Page, do Google. Esses desbravadores, no entanto, nunca acharam que o mundo da tecnologia era assunto só de meninos. Nas principais empresas, sempre foi frequente a presença de mulheres nos altos cargos executivos, lidando com outras partes vitais do negócio: parceiros comerciais, investidores, clientes. Mas era um trabalho de bastidores. Enquanto eles viajavam nas ideias revolucionárias, elas faziam a coisa funcionar.
 
A pioneira nessa área foi Margaret Cushing “Meg” Whitman, de 54 anos, que atualmente tenta suceder Arnold Schwarzenegger no governo da Califórnia, disputando as eleições que acontecem no mês que vem. Em 1998, ela assumiu uma pequena empresa com 30 funcionários chamada eBay para transformá-la no maior site de leilões do planeta, com 500 vezes mais empregados uma década depois, quando deixou o posto. Meg é fera mesmo. Fundada três anos antes por um daqueles nerds geniais, Pierre Omidyar, o eBay só escapou da quebradeira provocada pelo estouro da bolha da internet, em 2000, graças principalmente a ela. Sobreviveu. E, ainda por cima, cresceu.
 
Hoje, quem está na linha de frente do mundo tecno-empresarial é Sheryl Sandberg, 41 anos, diretora de operações do Facebook e braço direito de Mark Zuckerberg (outro garoto…), fundador da maior rede social do mundo. É ela quem garante que as operações do Facebook, um negócio avaliado em mais de US$ 10 bilhões, estejam funcionando e se expandindo em todo o mundo. A transferência não foi aleatória. Durante seis anos, Sheryl ocupou o cargo de vice-presidente de operações e vendas do Google, responsável por administrar os canais de venda dos programas de publicidade que sustentam o sucesso financeiro do buscador. No final de 2007, Sheryl e Mark se encontraram em um jantar na casa de um amigo em comum e, três meses depois, ele criava o cargo de diretora de operações na medida para ela.
 
Desde que assumiu a posição, a responsabilidade de Sheryl aumentou no mesmo ritmo de crescimento do Facebook. Em pouco mais de dois anos, a base de usuários da rede social quintuplicou, saltando dos US$ 100 milhões em agosto de 2008 para meio bilhão em julho de 2010. A popularização vem fazendo com que o Facebook aumente sua operação internacional, com escritórios na Irlanda, Itália, França, Austrália e Índia. No total, são mais de 1 700 funcionários espalhados pelo mundo que, indiretamente, estão sob sua batuta.
 
No Google, quem atualmente dá as cartas é Marissa Mayer, de 35 anos. Primeira engenheira contratada pela empresa, Marissa ocupa o cargo de vice-presidente da área de busca e experiência do usuário, que envolve o gerenciamento do bem mais precioso do Google — a busca de palavras- chaves em sites. É ela quem reconhece quando determinados projetos estão prontos para serem lançados comercialmente ou determina o design que uma nova ferramenta terá para os usuários.
 
O alto cargo ocupado por Marissa — uma loira esbelta de olhos claros que se autointula nerd — a tornaram presença constante na mídia norte-americana, mas nem sempre pelos produtos do Google: detalhes sobre seu casamento fechado com o investidor Zach Bogue, em dezembro de 2009, foram explorados por vários blogs de fofocas e revistas de celebridades.
 
Novíssimas apostas
 
Além de gerenciar os negócios já existentes, há também as executivas que se inincumbem de identificar uma nova boa ideia – que possa gerar novas empresas e, claro, novos bilhões. Na Accel Partners, empresa responsável por reconhecer oportunidades de investimento no Vale do Silício, Theresia Gouw Ranzetta é especializada na área online. Ela já indicou investimentos da Accel que culminaram em vendas milionárias no setor, como a da Zimbra e Xoopit para o Yahoo!, e da Interlace para a Oracle. Segundo ela declarou em entrevista à revista Fortune,
a convivência com a a maioria masculina na Accel a obrigadou a moldar um perfil mais agressivo na hora de negociar. “Você pode imaginar reuniões nas manhãs de segunda-feira. Nove homens, todos acostumados a mandar. Tenho total consciência que preciso falar alto com frequência e interromper os outros”, afirmou.
 
As novas garotas do Vale do Silício também podem se afastar das grandes empresas para investir o talento em outros negócios promissores. No início deste ano, depois de seis anos de Google, Sukhinder Singh Cassidy resolveu abandonar a empresa, onde era presidente das operações na América Latina e na região do Pacífico. Seu destino foi a Polyvore, comunidade online focada em moda, na qual os usuários criam sets com roupas, calçados e acessórios e “montam” coleções próprias. Fundada em 2007, a Polyvore conta com cerca de 20 milhões de sets criados por uma média de 6 milhões de visitantes por mês, e fechou campanhas com grifes como Calvin Klein, Diane Von Furstenberg, Lancome, Gap e Yves Saint Laurent.
 
Caterina Fake tomou caminho semelhante. Criadora da comunidade de fotos online Flickr junto com marido, Stewart Butterfield, ela vendeu a startup para o Yahoo! em 2005 e trabalhou no buscador por três anos. Logo após sair, Caterina repetiu a aposta em um investimento solo, explorando um novo nicho. Lançado em 2009, com base em Nova York, o Hunch é um serviço que faz recomendações de livros, filmes, restaurantes e outros tópicos, baseado em perguntas respondidas online pelos usuários. Sem qualquer surpresa, Caterina é a única mulher entre os quatro sócios no empreendimento.
 
Na tentativa de repetir o sucesso do seu primeiro projeto, Caterina se mostra otimista. “Existem muitas mulheres incríveis administrando companhias no Vale do Silício. Espero que haja ainda mais mulheres no futuro e posso dizer que já existem muitas jovens empreendedoras”. E por que mulheres se interessam por tecnologia? “Existe muita coisa acontecendo! É um campo muito interessante, sempre mudando, muito emocionante”, diz ela a LOLA. Nada mais distante do mundo frio dos chips e do mundo — às vezes chato— dos nerds.
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