Por que (e como) você deve se preocupar com segurança online

O especialista Thiago Bordini fala sobre os principais tipos de crimes ~cibernéticos~ do Brasil.

Hoje em dia, vivemos conectados quase 24 horas por dia. Você já parou para pensar, porém, que mesmo usando aplicativos mais ~banais~, como o Facebook e o WhatsApp, não estamos 100% seguros nesse espaço virtual?

De acordo com um relatório divulgado pela empresa de softwares de segurança Kaspersky em junho deste ano, o Brasil está atualmente entre os 10 países com mais ataques do tipo ransomware no mundo – respondendo por 2,6% destes crimes.

O Thiago Bordini, Diretor de Inteligência Cibernética do Grupo New Space e professor de Computação Forense na Universidade Presbiteriana Mackenzie, conversou com a gente e esclareceu dúvidas sobre segurança online – e sobre o que, afinal de contas, significa o tal do ransomware.

Mensagem para você

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Ameaças podem chegar a qualquer instante na sua caixa de entrada – e você já deve ter ouvido pelo menos uma história de ataques do gênero. “É uma técnica antiga, mas bastante eficiente”, comenta Thiago. “Pessoas recebendo e-mails para recadastrar sua senha do banco, intimação por e-mail, nota fiscal, boleto para pagar…”.

A dica, nesse ambiente, é desconfiar. Sempre! “Você precisa gastar alguns segundos lendo o e-mail”, reforça o especialista. “Pergunte-se: ‘Eu comprei alguma coisa?’. Caso contrário, por que receberia um boleto ou uma conta para pagar? Precisamos nos questionar. Além disso, muitas vezes esses e-mails trazem erros grotescos de ortografia e gramática. É preciso prestar atenção”.

Nas redes sociais

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“Não existe almoço gratuito”, brinca Thiago, referindo-se à expressão em inglês “There’s no free lunch”, que significa que nada vem de graça. Você já deve ter ouvido falar que o Facebook, por exemplo, sobrevive vendendo as informações de seus usuários. Assim acontece, aliás, com todas as redes sociais. “Elas vendem principalmente para campanhas de marketing”, ele explica. O problema é quando os governos têm acesso a estas informações.

“O governo norte-americano monitora as atividades dos cidadãos independente de existir uma investigação criminal em curso ou não”, explica o professor. “No WhatsApp, teoricamente, suas conversas estão encriptadas e protegidas. Mesmo assim, é sempre bom prestar atenção nas coisas que compartilhamos”. Tudo o que dizemos pode, literalmente, ser usado contra nós.

Compartilhamento de imagens

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Pais orgulhosos podem, muitas vezes, acabar compartilhando excessivamente a foto de seus filhos na internet. Pode até parecer distante, mas, segundo Thiago, essas imagens podem, sim, parar em redes online de pedofilia. “Não precisa ser de nudez, nem nada do tipo”, ele explica. Atenção redobrada!

Compartilhamento de informações

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“Uma grande parte dos crimes ou fraudes que acontecem na internet são causadas por informações que a própria pessoa divulgou”, diz Thiago. Dados como e-mail, CPF e até informações triviais sobre sua rotina (como fazer check in em todos os lugares onde você vai) podem gerar crimes graves, como sequestros.

Código secreto

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Ao escolher os mesmos login e senha para vários sites, também é possível gerarmos situações desagradáveis. “Às vezes, você cai em uma página falsa falando de uma promoção – e, para concorrer ou ganhar algo, tem que se cadastrar. Se você também colocar esta mesma senha e mesmo login, o fraudador pode usar estes dados para acessar seu e-mail ou qualquer outro produto”, explica Thiago. “A partir daí, ele pode ter acesso a muito mais informação.

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Ele pode resetar sua senha, entrar no Facebook e propagar links para a sua lista de contatos – espalhando “programas maliciosos” entre seus conhecidos. “Um programa que vai capturar seus dados bancários, por exemplo”, ele diz. “Um tipo de técnica que está mais na moda é um programa que vai criptografar todos os seus arquivos, e o criminoso vai te cobrar o resgate deles [em dinheiro]”. O nome técnico disso é ransomware – e ele tem tido muitas vítimas no país. Cuidado, portanto, com as senhas – e com os downloads!