Que carro, que nada! Eu prefiro bicicleta

Vou e volto do trabalho pedalando. São 50 km por dia e não troco isso por nada!

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Que carro, que nada! Eu prefiro bicicleta

Pedalar só traz benefícios e bem-estar
Foto: Arquivo pessoal

No Dia Mundial Sem Carro nada muda na minha vida. E olha que moro em São Paulo, cidade famosa por ter um dos piores trânsitos do mundo. Há 36 anos eu me locomovo de bicicleta. Só em eventualidades pego carona ou chamo um táxi.

Comecei a usar bicicleta aos 17 anos para ir para a faculdade. Naquela época ninguém estranhava, afinal, eu era um garoto. Quando comecei a trabalhar como médico, alguns colegas disseram que eu tinha que cuidar mais da minha imagem e que não pegava bem chegar ao trabalho assim. Quanta bobagem! Eu vou a Harvard todo ano e lá têm vários médicos que chegam na faculdade de bicicleta.

No início eu andava porque gostava mesmo. Depois, comecei a trabalhar no laboratório de poluição da Universidade de São Paulo e ganhei mais um motivo para não aposentar minha bicicleta. A quantidade absurda de carros é uma das responsáveis pelo alto grau de poluição na cidade. Não à toa, as metrópoles mais poluídas são as que têm maior incidência de casos de enfisema, câncer no pulmão e bronquite crônica. Faço minha parte e sou um a menos jogando gás carbônico na atmosfera.

E ganho muito com isso. Pedalando tenho a possibilidade de observar a cidade por um novo ângulo e consigo até ver beleza no asfalto. Aprendi a conversar com as pessoas nos faróis, a reconhecer os trabalhadores da rua. Quando se anda de bicicleta existe uma troca com a população, você conhece as pessoas. Dentro de um carro, com a porta travada e o ar condicionado ligado não se percebe a cidade. Só o seu trânsito caótico unido ao medo da violência.

Além disso, pedalar é ótimo para o fôlego e a forma física. Todo dia eu pedalo uma hora dentro do campus da universidade só para espairecer. E não existe terapia melhor. Como eu sou pesquisador, já tive várias idéias interessantes pedalando. Esse ano eu estava indo para o hospital de manhã quando reparei as plantas no meio do caminho. Tive a idéia de medir a poluição do ar por meio do efeito nas plantas. Deu certo. E desenvolvi um projeto de pesquisa a partir disso.

Quem não gostava das minhas pedaladas no início é a minha mulher, Sílvia. Mas depois de 25 anos de casados ela já se acostumou. Até dá umas voltas comigo no Parque do Ibirapuera. Na verdade, apesar dos perigos do trânsito, ela sabe o quanto me faz bem.

Outro dia eu estava no farol e um menino de rua me pediu para dar uma volta. Eu deixei. De repente, tinha uma fila de meninos, todos bobos e alegres esperando a sua vez. Foi uma das cenas mais bonitas que eu já vivi na rua. Se eu estivesse dentro de um carro jamais teria um momento como esse.