Street Art Costurada: os desenhos de Pado por São Paulo

O artista faz um grafite diferente, com linha e grampos, nos madeirites das construções

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Pado costurando um madeirite na Lapa
Foto: Paulo Cardone

Debaixo da garoa constante de uma manhã paulistana – e sob o olhar de alguns curiosos, Cleber “Pado” Padovani vai costurando os tapumes e madeirites da Lapa, bairro onde mora e trabalha na zona oeste da capital.

Isso mesmo, “costurando”: Pado (que se fala “Padô”) faz um grafite diferente, com linha e grampos, nos madeirites das construções. “Minha ideia é fazer uma arte simples e, de preferência, sem custo.”
 
O artista não se preocupa em comprar suas linhas – elas são refugos de lycra, sobras de cenografias em eventos e casas noturnas, trabalho do qual Pado se ocupa quando está no seu ateliê, Arte Improviso.
 
A arte de Pado dura pouco: alguns passantes puxam a linha e a chuva freqüente de São Paulo termina por desfazer o trabalho. Mas o artista gosta deste “formato meio 3D”, com formas geométricas, ainda que ele dure menos do que a street art habitual.

Street Art Costurada: os desenhos de Pado por São Paulo

Pado trabalha com cenografia há 12 anos. Começou a fazer intervenções há 10 anos e testa o formato de grampos desde 2010. Essa sensação de 3D, composta pelas linhas entrelaçadas e sobrepostas, é bem divertida. As formas parecem estar escalando o muro pela esquina. Algumas obras de Pado ainda puderam ser vistas pela Lapa, nas ruas Tito e Sacadura Cabral. Esta, fotografada pela Lola, estava na esquina das ruas Ponta Porã e Dinieper.

Street Art Costurada: os desenhos de Pado por São Paulo

Saldo da obra: Cerca de 700 grampos e 150 metros de tecido. “Em trabalhos maiores, já usei até 10 mil grampos!”