Tempo bom que não volta mais

Sentir saudade é voltar no tempo e reviver momentos que marcaram memória e coração

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Hoje acordei saudosa. Um desconforto, o tempo… Pessoas… Me senti só neste mundo de agora. Minhas referências de vida vão desaparecendo. Lugares modificam-se. E por onde passei meus pés já não passarão mais. E outras coisas, outro lugar! Me peguei com uma enorme saudade de Hebe Camargo. Ligo a TV, onde está aquela festa que era o programa dela? Não tem mais… E onde está Flávio Cavalcanti, tão estranho, tão eternamente indignado? Dedo em riste: “Um instante, maestro!” E o arrastão levou também Elis Regina, moça de talento maior, que não aguentou ser ela mesma – era muita intensidade! Saudade… Muita saudade de uma TV ingênua, porém decente. Tenho saudade dos tempos educados, em que auditório era de senhores e senhoras, e não de galera. Tenho saudade de Chico Anysio e sua competência. De Jair Rodrigues e sua inconsequência, que faz tanta falta!

E como não tem mais graça a Fórmula 1 sem Ayrton Senna. Que em vida, não sei por que, me lembrava sempre um guerreiro medieval.

Acreditava nas pessoas, no país, acreditava até em ter coragem para mudar o mundo. Tenho muita saudade dessa jovem que era eu

E tenho uma imensa saudade de uma moça, meio caipirona, ingênua, bonitinha, que acreditava nas pessoas, no país, acreditava até em ter coragem e capacidade para mudar o mundo. Tenho saudade de sua gargalhada, do brilho do seu olhar… Era uma valente pessoa! Tenho saudade, muita saudade, dessa jovem que era eu. Que tinha um futuro, que agora, velha, só tem o passado. Sim, tenho saudade.